domingo, 13 de março de 2011

Jornalismo e Comunicação: porque o #twitter é cool

Facebook, Friendster, Orkut, Linked In, My Space, Ning, Quepasa, Sonico, Skype, Peabirus, Vimeo, Youtube, Twitter etc.. A finitude das redes parece não existir, tanto que há até um diretório de redes disponíveis, no qual uma Ameba, voltada para o público jovem japonês, está listada. Onde? Na Wikipedia.

O valor desta forma de atuação sobre a internet é tamanha, que não importam os milhões jogados fora primeiro com a Wave e, depois, com o Buzz. Insistente, a Google desmente, mas é iminente o lançamento de mais uma tentativa de se lançar como rede social. Ela quer entrar no bolo até agora dividido entre fãs do Facebook e seguidores e seguidos do Twitter.

No final do processo de migração do nickname @mosaicosocial para o @maismosaico, o primeiro criado para me relacionar de forma pessoal, e agora, para trocar informações mais jornalísticas e sobre comunicação e mídias sociais, gostaria de reforçar os motivos pelos quais acredito no Twitter como ferramenta que deve ser considerada por todo jornalista e profissional de Comunicação Corporativa:
* É mancheteiro – ainda que aplicativos permitam esticar os 140 caracteres, escrever um bom tweet é exercício de concisão similar ao de criar um título chamativo para fazer o leitor se interessar por conhecer seu perfil; o link provavelmente anexo ao texto etc.. Com um conteúdo estratégico e bem escrito, as chances de #RT serão enormes.
* É instantâneo – as mídias sociais roubaram dos veículos de comunicação tradicionais o “furo jornalístico” (não importa em que País mais ou menos) #truefacts. Nenhuma rede é mais instantânea e contagiosa que o Twitter, que tem um canal só dedicado a jornalistas sobre como melhor utilizar a plataforma. Saiu no Twitter, a notícia até pode ser validada em outros sites da grande imprensa (menos lá fora, mais aqui no Brasil), entre eles o do Huffington Post, The New York Times, aqui no G1, R7, dependendo do contexto, em sites de conteúdos específicos. Mas, pelo caráter de tempo real, confirmado o fato, o Twitter é a rede!
* É mundial, além fronteira – abrange do Oiapoque ao Chuí, do Alaska ao Polo Sul; onde houver sinal que chegue via qualquer dispositivo pelo qual se possa conectar. Ao permitir carregamento de links de vídeos, textos, imagens, vozes, não tem como fazer nenhum poder público negar um fato.
* É monitorável e permite pesquisa – possui o Twitter search que, se não é ponto de partida para pautas, ajuda a monitorar resultados do fato divulgado. Possibilita até suitar o assunto, dependendo dos desdobramentos.
* É listável - E, por causa disso, também, permite achar colegas jornalistas - em toda parte do mundo - para troca de informações. Os colegas montam sua rede de conexão, informantes, parceiros, listas prontas - criadas até por terceiros (e, na tal página de mídia do Twitter existe uma dica de como baixar as listas usando-se um código especial) sobre os mais diversos perfis. Está tudo lá. Basta saber pesquisar para conseguir as respostas certas.
* É possível de arquivar – ainda não é ideal, porque não existe aplicativo que permita incluir nos arquivos em PDF o conteúdo dos links anexos, mas ajuda bastante caso o jornalista seja suficientemente organizado e, a cada trimestre, dependendo da quantidade de tweets que divulga e favorita (para pesquisa), consiga gravar seus livros. Volta e meia, novos aplicativos para isso também são criados.

O que será a nova investida do Google em rede é uma incógnita. Eu continuo fechando com o Twitter. O que virá depois, será sempre... apêndice!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Por que as #SM (mídias sociais) não são gratuitas?


Por que, você não pode baixar este preço? São só uns posts por mês. O suficiente para gerar o SEO necessário para puxar o blog lá pra cima no Google.
Por que isso tudo para colocar lá, uns tweetzinhos por dia?
Por que esse custo todo também para postar no Facebook?
As mídias sociais não são gratuitas?

Pára a cena. A música cresce até um ápice enquanto a personagem se vira para a plateia. Perplexa, indaga ao público que - em sua maioria, analfabeto funcional - traduzirá ao pé da letra (Imploro seu perdão?).
"I beg your pardon?"
Quem lhe disse que as mídias sociais são gratuitas?
Quem lhe disse que o preço do meu trabalho deve sê-lo (assim, hifenado, com acento, e não selo, como tradução de stamp, aquele no qual a gente delicadamente desliza nossa língua para colar em algum álbum de figurinha, porque acho que nem mais os Correios utilizam esta raridade de outrora, quando as mídias sociais eram apenas o nossa voz, mãos e olhos (o corpo fala!), o telefone, o telex (quem se lembra?), o já aposentado fax, a própria carta, telegrama e outros produtos)?

Faz-se um silêncio desconcertante no recinto. Descontrolada, a personagem, PHD Master Degree em Social Media Total Regional and Local Management pela HardCambColumThunderStanFireRockChrome University, of Massachussets, Specialist em Nothing of Companies' Altruism , simplesmente pega seu pendrive da hora (isso não é jabá, achei, gostei e postei!) e diz ao seu interlocutor:
"Vocês não me merecem. Comprem uma ferramenta-robô e #$%¨&*."
E, simplesmente, sai.

Fecha o pano! A plateia se divide em sentimentos obtusos. Parte dela bate palmas, aclama de pé o final apoteótico, grita, "muito bom, é isso mesmo que se faz, tem que se valorizar, bravo, bis, bis!". Outros, riem uma risada descompassada; uns porque, nervosos, terão se visto na personagem indignada, outros, pela situação pela qual jamais passaram ou passarão; são de áreas diferentes.

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Nariz de cera à parte, a cena da pecinha fictícia serve para mostrar que muitos dos que vivem da prestação de serviços de Comunicação, mais e mais incorporada pelas mídias sociais, devem sempre pontuar com seus clientes potenciais que, mesmo virtualmente, este relacionamento demanda tanto planejamento quanto qualquer outro. Quer exemplos?


1) Um encontro com sua (seu) namorada (o) e, daí por diante, se você obtiver êxito. Da escolha da roupa, do tipo de perfume, da barba perfeita - e, no caso das moças, da maquiagem -, o hálito, passando pelo discurso (fundamental ter conteúdo e não apenas cara), é ter objetivos e metas. Acima de tudo, deve-se tomar cuidado para não sair colocando o pé pelas mãos e assustar seu parceiro (a) logo de cara. Existe todo um código de conduta, uma forma de se relacionar e como agir, dependendo se você quer apenas namorar para curtir ou se seu negócio é o altar. Ou você acha que a frase do futuro sogrão... "quais são suas intenções para com a minha filha" é só da boca pra fora? (foto: datingformentoday.com)

2) Se você quer mais uma dica para fazer o cliente entender por metáforas, use a das plantinhas que precisam de regas próprias para cada tipo. Tem gente que até música clássica põe, para elas crescerem fortes e bonitas. Então, o que se dirá de cada tipo de relacionamento, com cada tipo de tribo, em cada tipo de mídia social? (foto: entremaesefilhas.blig.ig.com.br)

Por fim, a cereja!

Tudo isso para reforçar meu post anterior - do modus operandi escolhido (e ainda não acabado!) para trocar o twitter @mosaicosocial para @maismosaico e para convidar você a ler o excelente artigo (que explica tim tim por tim tim os porquês, como etc.) da PamMoore. CEO e fundadora da FruitZoom Inc., ela se apresenta como meia-marketeira, meia-geek, fissurada em mídias sociais. Assim um pouco como quase todos nós, mordidos por este admirável mundo novo. O teor do post dela é de #RF, #RT! :D Divirtam-se.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

#Twitter: os bastidores da troca de avatar que, ao deixar todo mundo perplexo e pedindo explicações, tornou-se #case

O caminho poderia ser outro, mais simples até, quase instantâneo, como chegaram a sugerir em #DM alguns colegas que lidam com as mídias sociais há mais tempo que eu. Mas não seria honesto, muito menos justo com os #twigos de @mosaicosocial. A semana que passou – decidido o fato de que meu perfil no #twitter será mais profissional, devido aos objetivos traçados e a necessidade de focar mais nos compromissos assumidos para 2011 – causei um rebuliço ao pedir aos meus seguidores que me dessem unfollow, me tirassem das mais de 311 listas em que estava. Ao mesmo tempo, ia fazendo o mesmo com meus queridos seguidos, não sem antes convidá-los em mensagens abertas, algumas fechadas, para me seguir no @maismosaico, o avatar corporativo.

Me sentia diante de um novo “case” pessoal de mídias sociais e um ótimo exercício para pôr em prática o que venho estudando, lendo apreendendo nos últimos dois anos. Afinal, quem não garante que dia destes uma marca venha a precisar deste mesmo expediente?

Se eu estivesse migrando de avatares de mesmo objetivo, valeria a dica do próprio #twitter, de criar um terceiro avatar para fazer a migração de seguidores e seguidos e depois matá-lo. Mas, no meu caso, seria promover uma espécie de “Escravos de Jó” que, no curtíssimo prazo, até poderia fazer minha marca, a @maismosaico pular de 140 e poucos seguidores para mais de 2700, em pouco menos de duas horas. Mas... e depois? Em menos de uma semana, ela certamente não só perderia tudo por “falsidade ideológica” (forte, né?) como por apropriação indébita (melhor!) de um direito de seguir que não lhe pertencia. O avatar corporativo já existia, tinha pouco mais de 140 seguidores e seguidos – é muito novo e está tendo sua imagem construída. Já @mosaicosocial conquistou sua relevância, estava com sua imagem consolidada. Ainda que “uma figuraça”, “sapeka”, meus seguidores de fora e tantos daqui do Brasil, sabiam que podiam contar comigo, que meu lado mãe era forte, que eu poderia – abraçando uma causa e tendo tempo para tal – mergulhar de cabeça.

Como @mosaicosocial criei um relacionamento com cada um de meus #twigos, a maioria dos quais me relacionei chamando-os pelo nome, lembrando de fatos pessoais da vida de cada um que trocou comigo. Sem ter nada anotado. A isso se dá o nome de relacionamento em rede. Seja como for, não foi uma decisão fácil e nem o que se seguiu a ela, já que tornou-se uma verdadeira operação, com estratégia, ações táticas etc.. A seguir, divido com quem passe pelo mesmo dilema, o que eu fiz.

1. Aviso prévio: começar a fazê-lo é importante e nestas horas usar e abusar das ferramentas de agendamento de twitter pode ser uma boa sacada (só usei nesta ocasião e, claro para receber novos seguidores)

2. Colocar um avatar diferente e mudar a mensagem de perfil: Havendo curiosidade do leitor, ele checa o que está acontecendo dando um pulinho no seu perfil, eventualmente pegando carona numa conversa aberta que você possa ter tido com algum #twigo

3. Revogar acesso aos aplicativos: estando no settings, aproveite e vá em conexões para deixar funcionando apenas os aplicativos imprescindíveis até o final da utilização do avatar.

4. Comece a migração pelos seguidores. Em #DM, informe sobre a mudança e peça para unfollow e tb das listas, e que você adotará um perfil diferenciado. Dependendo do seguidor, você explica mais ou menos de acordo com o interesse em tê-lo como seguidor no outro avatar ou não. Se ele já te segue lá, não vai gastar tempo à toa. Fique apenas com a primeira parte. Se você esquecer, peça desculpas em aberto. Afinal, ainda que você tenha Memória de elefante, tendo mais de 2700 seguidores, vai mesmo alguém ficar de fora. #fato Esta retirada das listas é importante para o caso de você querer colocar o nome à disposição de outrem. No caso do nome @mosaicosocial – existe uma ONG com este nome. Até que eu possa oferecer este nome a ela, é primordial que todos os seguidores me tirem das atuais listas. Coisas de SEO.

5. Unfollow os seguidores: à medida que você avisa seus seguidores que será outro avatar e o convida para lá, vá dando unfollow nele também. Este é um processo demorado, mas é a única forma de garantir que ele receberá sua mensagem e entenderá o recado. Porque ele deve ter um serviço de aviso e vai dar unfollow também, mais dia, menos dia, e, se quiser saber o motivo, aí, sim, pode ser que ele vá ler a mensagem (isso se o seguidor tiver mais de 40 mil seguidos).

6. Por último, unfollow os seguidos: aí fica mais fácil porque existem ferramentas como o Friend or Follow ou o TwUnfollow e ainda o Unfollow Finder, entre mil outras, em que é possível parar de seguir até 100 avatares de uma só vez. Com as mensagens em aberto a cada três/quatro horas sobre a mudança, avatar e perfil trocados, as pessoas vão entender. E sempre dá para você, ao entrar no #twitter, explicar eventualmente os motivos você mesma.

7. Hora do adeus: Parou de seguir todo mundo? Ainda que você tenha muitos seguidores, hora de dar tchau. Como nem todos deixaram de seguir, não deu para matar o @mosaicosocial.

Claro que o trabalho continua, porque tudo isso eu fiz sozinha em uma semana. Minha caixa de mensagens de twitter tem mais de 200 DM, resultados deste processo. De 140 e poucos seguidores, por causa deste processo, o @maismosaico subiu para 600. Quanto à @mosaicosocial, perdeu apenas 200 e pouco – talvez os mesmos cujas mensagens estão lá, em DM. Não sei o que meus colegas de mídias sociais vão dizer. Eu considero o resultado #bomdemais – porque a galera que migrou é muito bacana e entendeu que minha mudança não tem conotações pessoais. Brinquei muito, me diverti demais, fiz muitos #twigos, mas preciso focar. Quando as coisas ficarem menos punks, quem sabe eu possa voltar a brincar novamente, mas agora, preciso muito da ajuda e compreensão de todos meus #twigos. Muito obrigada a todos pelo tempo delicioso em que #twittei como @mosaicosocial. Em #DM, estarei à disposição para um olá ou outro. Mas, em aberto... a conversa será #profissional!

#beijonocoração de cada um de vocês.


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Com eventos pululando, 2011 começou. Finalmente!

Após o Social Media Week, vem aí o Web Expo Fórum e, mais adiante, o Congresso Mega Brasil de Comunicação Corporativa, ou #Congresso3em1

Na semana que finda hoje, aconteceu o Social Media Week (#SMW), encontro que reuniu um mundaréu de gente, pessoalmente e de forma remota, via streaming. Realizado simultaneamente em Hong Kong, Nova Iorque, São Francisco, Londres, Toronto, Roma, Paris, Istambul e São Paulo, teve de tudo, inclusive a superlotação que me fez desistir de encará-lo ao vivo e em cores. Afinal, sentar no chão, computador à mão, só para quem tem entre 18 e 30 aninhos, né?

Como antevi no Boletim Mosaico Social da semana, que já pode ser baixado aqui, mesmo com toda a organização prévia, não teve jeito. Os problemas de som e streaming característicos de 10 entre 10 eventos de mídias sociais aconteceram e geraram os #mimimis de sempre - apesar de eu não tê-los sentido. Nas vezes em que estive online, cheguei a comentar sobre a qualidade de recebimento do sinal superior a de quem estava na sala ao lado do palco. Vai entender os estranhos desígnios que movem estas maravilhosas parafernálias tecnológicas e seus pitis de última hora.

O que vem por aí



Em pouco mais de um mês, de 16 a 18 de março, será dado o pontapé inicial para a 5a. edição do Web Expo Fórum, que a Converge Comunicações tradicionalmente realiza no Centro de Convenções Frei Caneca. Geolocalização, relevância na web, internet fora do browser e nanotecnologia serão alguns dos temas discutidos neste evento que, definitivamente, entrou para o calendário oficial das mídias sociais do Brasil. Novamente "convocada" pelo amigo e diretor Editorial da Converge, Claudiney Santos, vou conferir as novidades, devidamente cobertas aqui pelo blog e, diariamente, pelo twitter. Até lá ainda descolo uma exclusiva para mostrar que jornalista de blog também tem "poder de voz", como no ano passado fiz com o Marcelo Negrini, que falou sobre a tendência dos equipamentos móveis.

Então, será a vez de arregaçar as mangas e encarar dois desafios: para dar um supergás na cobertura jornalística do #congresso3em1, que, este ano está em sua 2a. edição na versão que reuniu os Congressos de Comunicação Corporativa, o de Comunicação no Serviço Público e o de Comunicação Digital em um só, a Mega Brasil Comunicação quer mostrar que em casa de ferreito se trabalha com espeto de ferro. Por isso, recolocamos no ar, ainda de forma tímida, com algumas atualizações, hoje ainda, o blog congresso3em1.blogspot.com. Ainda tem mais novidade vindo por aí, mas aí, eu vou avisando pelos canais certos. Queria mesmo era postar para mostrar que o ano começou, finalmente, o blog, por causa disso, também, ficou mais alegre, com mosaicos mais coloridos e que (nada a ver!) sendo o ano do coelho, meu ano, #vqv! :O) Já são mais de 1h30 de sábado... e minha criatividade já deu o que tinha que dar, rsrsrs! É isso. Até a próxima! Foto: http://me.lt/3yo3

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Precisa jogar pedra?




Nas #SM mídias sociais, a recíproca nem sempre é verdadeira. #FATO

Follow-me, I will follow you back”. Que atire a primeira pedra ao chão quem nunca recebeu um pedido destes, em qualquer das mídias sociais que pululam mundo afora. Pois bem: há duas semanas, o portal Social Media Today lançou o contundente artigo da jovem autora, Amber Naslund “A falácia da reciprocidade da mídia social”.

Ela começa com a frase: “Você não tem direito à atenção.” E, continua. “Você não tem direito a ser seguido de volta no Twitter apenas porque você segue alguém.” De fato e direito ela está coberta de razão. Não é porque uma pessoa, uma marca, uma mídia que você como marca, ou pessoa segue, necessária e obrigatoriamente vai ou deve segui-la apenas por causa disso. Se esta foi uma causa que o motivou a entrar no ambiente das mídias sociais, te venderam o peixe errado.

Ter estipulado ser parte de uma etiqueta ou educação social politicamente correta seguir de volta para criar uma ambiência favorável ao crescimento de uma relação naquela “sociedade” pode ter sido a estratégia para fazer aquele grupo emplacar e, em alguns casos, vale como, aliás, em qualquer grupo, mesmo presencialmente. Mas apenas se aproximar, para fazer número, demonstra que você ou sua marca carece de auto-estima, como, aliás, está no texto da jovem VP de Estratégia Social da Radian6, que sugiro ler, por dois motivos:
* para não repetir o óbvio
* para, também a exemplo do que ela escreveu, lembrar que, socialmente, há formas de escrever a mesma coisa, sem perder a ternura.

Aos vinte e poucos anos, eu devo ter dito coisas no mesmo tom - não nego. Mas nada como a maturidade para reavaliar a forma. Mais que isso, social e estrategicamente, ajustar o excelente conteúdo a um jeito menos "punk", menos "rascante", menos "ácido". A moça, provavelmente protesta porque não aguenta mais a quantidade de pedidos, mas ao fazê-lo assim mantém uma outra corrente.

De um lado, beggars, do outro, os bullies, hulligans, stalkers. Onde tudo isso vai nos levar? E quem é que vai aguentar? (Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDDn8XM_evNiJL4aHo7t-8YXkwH6_TMS-IkRdXpScGWtyJr32xZnBZt-uAx1DlEQLavHiRCszEfm8no9enTd7xea94_S75-lf3fo5FN-TgYuRsCkMGyhYoT0O8QU1LXELDhqYYcPIoZzr8/s1600/protesto.jpg)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Haiti é aqui



Desde as primeiras matérias envolvendo a tragédia das chuvas na serra fluminense, sabia ser questão de dias largar tudo em São Paulo - onde nasci e voltei a morar faz 12 anos - e partir para o Rio de Janeiro - minha terra do coração, onde fiz questão de ter meu filho.

Sentimento parecido já havia me atingido no ano passado, quando do terremoto no Haiti. Acontece que era outro País e, por exigir burocracia, custos e decisões alheias à minha vontade, não me foi possível ser voluntária como agora. Meu desejo de ir pessoalmente ajudar aquelas pessoas restringiu-se ao envio uma pequena verba via ONG Médicos sem Fronteiras, e do abraçar fervoroso da campanha de divulgação via twitter em prol de donativos ao País mais pobre das Américas, repetindo, quase como num coro uníssono, “O Haiti não é aqui!” Ledo engano.

Como joio e trigo das lavouras, o resgate e a ajuda aos sobreviventes da maior tragédia do Estado do Rio e do Brasil, tem de tudo um pouco. Exemplos de solidariedade viram manchetes nas Tevês, mídias impressa e sociais. Mas falta muita coisa: organização das instituições políticas, um bom plano de contingência e mesmo gente com autoridade para coordenar ou supervisionar as várias atividades que, aos olhos mais leigos, parecem sem eira nem beira.

Minha ansiedade em ver donativos chegarem aos necessitados logo se transformou em frustração. Não foram poucas as cenas que presenciei em apenas dois dias de trabalho como voluntária da Secretaria do Trabalho e Assistência Social e Cidadania de Itaipava - SECRAT, localizada no centro do município pertencente à prefeitura de Petrópolis, onde trabalhamos, meu filho e eu, desde o dia 21 de janeiro.

Antes de ir para o Rio, a partir do que vinha conversando com @bdugin, o estudante de jornalismo que se tornou celebridade no twitter pelo belo trabalho realizado em Nova Friburgo, imaginava ver carros saindo em comboio dos centros de apoio para levar pequenas caixas e sacos contendo roupas e material de limpeza e higiene pessoal aos necessitados. Mas o que vi foi exatamente o contrário. Uma Kombi estacionou no pátio do CIEP, ao lado da SECRAT, de onde todos os sacos contendo material de higiene pessoal estavam sendo retirados.

Sem entender nada, fiquei horrorizada com a forma com que o material foi tratado pelos homens do Exército responsáveis pela ação. Entre sete e dez militares – fizeram uma corrente para passar os sacos até que o último jogava-os sobre uma pilha. Com a força da queda, muitos dos sacos se rasgavam e sabonetes, desodorantes, papel higiênicos iam se perdendo no meio do monte que se formava no enorme galpão. Os recrutas? Nem aí com o resultado catastrófico daquela operação mal supervisionada. Avisei, apontei, gritei, e nada. Ainda parei um senhor vestindo uma camiseta “oficial” escrito Prefeitura, o que, em tese, poderia garantir alguma ascendência. Ele dirigiu-se até a metade do caminho, mas desistiu. Nem eu, nem ele, mas, então, quem? A quem cabe a autoridade numa situação desta? E o bom senso, onde foi parar?

À primeira vista, tudo leva a crer que há uma grande união, que as forças estaduais e municipais estão coesas para o bem comum. Como jornalista, é dever apoiar as iniciativas! Mas é no detalhe que o caos é gritante, pior, grotesco, revelando muito mais que inexperiência e ineficácia. Revela um descaso e um jogo de poder que também não podem ficar no vácuo.

Quem trafega pelas ruas de Itaipava vê guardas controlando o trânsito. Os caminhões da Prefeitura jogam água de tempos em tempos para limpar as ruas e evitar que o pó da terra que desceu com as chuvas, já seca pelo sol abrasador, suba e torne irrespirável o ar. Louvável, mas é o mínimo esperado. Agora, o que dizer da falta de uma planilha de controle de escalas de voluntários como no caso do meu filho e eu? De distribuição de tarefas por aptidão, por exemplo, já que houve um esforço de cadastramento, no qual nossa profissão foi consultada? E o que falar de todo um árduo processo de separação de roupas que, após o dia trabalhado, é totalmente desperdiçado? Isso mesmo! Durante o dia, apesar de aos montes, nenhum policial, guarda ou homem do Exército controla o fluxo das pessoas que sobem e descem as rampas para os andares onde estão os donativos “trabalhados” pelos voluntários.

Meninos e crianças em férias, mulheres sem trabalho ou apenas curiosos ficam zanzando pelos andares do CIEP, entrando nas salas para saber quem é a pessoa responsável, ainda não sei se para intimidar ou com qual finalidade. Ao final do dia, depois que saímos, estas pessoas literalmente abrem os sacos de roupas separadas por gênero, tipo etc. e então “escolhem” o que querem. Como verdadeiras “aves de rapina”, roubam o que separamos e espalham sobre o chão as peças que não lhes interessam. No dia seguinte, só nos resta recomeçar o que já tínhamos feito. Tudo porque além do que já escrevi, também não há chaves nas salas ou esquema de guarda da sala para onde são transferidos os sacos de roupas.

Por tudo isso, quando fui instada a assumir uma sala, neste segundo dia, fiz questão de entregar um relatório completo de quantos sacos fechamos de cada tipo de roupa etiquetada. Assim passei o turno. O que terá acontecido depois? Não tenho ideia, sinceramente. O máximo que posso me permitir é deitar no travesseiro, achando que fiz o meu melhor pelas pessoas que, um dia, podem vir a receber as minhas, as suas e as doações de tantas pessoas que, como eu, acreditam que o trabalho que fizemos tem um objetivo maior do que servir de plataforma política e esvaziar estoques de comidas por vencer e vencidas– apenas para melhorar o marketing de algumas marcas – de pessoas desonestas.

Infelizmente, não posso me responsabilizar por este trabalho porque sou uma parte muito pequena e sem poder de uma enorme cadeia. Fui proibida de seguir com meu carro para entregar pessoalmente minhas próprias doações aos necessitados, quiçá aquelas roupas, que procurei separar como se fosse dar a meu filho. Ser voluntária no Brasil só me deu uma certeza. O Haiti é, sim, aqui! (Foto de Kevin Carter, que ganhou o Pullitzer pela imagem e, por não ter aguentado o peso de tal "sucesso", aparentemente, matou-se após o feito, conforme a reportagem em inglês daqui.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

#2011, novo ano, recomeço

"Hoje, é um novo dia, de um novo tempo, que começou".

E todos os dias, ao acordar, lembre-se de dizer... a mesma coisa! Porque "nada do que foi será do jeito que já foi um dia" e "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", ano após ano, dia após dia, sabendo que, "apesar de você, amanhã há de ser outro dia". Sobretudo "desesperar... jamais"!

E #kikoquemavercomisso? Que seja qual for a situação na qual você se encontra agora, neste momento em que lê estas mal traçadas linhas, escritas de chofre, "lembra de mim", que agora, repassa esta imagem recebida do @twigo @reginaldo_MO, via e-mail.



Com ela, reabro o blog, sem falar especificamente de mídias sociais, mas lembrando, de certa forma que - como elas - o mundo gira, a fila anda, o que é #in hoje, amanhã é #out e novas tecnologias criam necessidades que sequer imaginávamos ter dentro de nós os talentos adormecidos para propor soluções de inovação que as resolvam. #pensenisso

Um ótimo ano para você, com sucesso, saúde, serenidade, sobriedade, #sempre! :O)