E com imagens impagáveis, lindas (já que não gostaram da foto postada no sábado!), além de um fundo musical que não podia ser mais apropriado!
Finalmente (também porque me pediram para parar com o assunto), procurarei me despedir de MJ. Mas vale ressaltar que sua reincidência aqui no blog refere-se a sua importância midiática como personagem jornalística nas mídias tradicionais e junto às novas mídias. Isso porque o tráfego de informações gerado em torno dele foi ainda mais espantoso do que foi o criado pelo efeito Obama. Portanto, R.I.P, Michael Jackson, ídolo da minha geração, perfeito na sua arte de nos entreter com sua música, dança e voz - e chega, senão vou entrar numa torrente de adjetivos não apropriada para o espaço - mesmo sendo blog.
Cá entre os meus parcos - mas exigentes - leitores, não creio que nem agora o coitado conseguirá descansar. Minha visão é a de que as disputas judiciais sobre seus filhos, o dinheiro que continuará jorrando da supervalorização de sua marca com a morte do mito e outros detalhes sórdidos que ainda serão cavados pela mídia renderão muito pano pra manga.
Por ora, este vídeo - show de bola - nos permite pensar nele em toda a sua plenitude, enquanto, em meio a twittes, elaboração dos textos para o meu livro e os podcasts prometidos para a Rádio e, finalmente, estudos com o filhote (mesmo em férias), assisto, ao vivo, à movimentação em Los Angeles em torno do evento de despedida com cantores e amigos, num tributo ao Jacko. Sim, porque o que eu sugiro, retwitto, recomendo, eu sigo! Até breve!
Jornalismo, mídia social e comunicação corporativa convergente, passando por mosaico (mesmo!) e outras artes e causas...
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
E agora, José? Estude, estude e estude o jornalismo! Hoje, manhã e sempre
Acabo de ver, depois de instada pelo convite de seu endereço no Twitter, a entrevista da jornalista Míriam Leitão com dois diretores: um da Escola de Comunicação Social da ESPM do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Messeder. O outro, do Grupo Estado, Ricardo Gandour.
Ao postar a entrevista na íntegra, o Mosaico Social compra sua idéia na totalidade de seu conteúdo e complementa:
O ponto mais importante, que faz o link com o post do último dia 3 de julho, é a questão do papel de mediador do jornalista. Sim, a verdadeira vocação do jornalista é a provocação. Somos jornalistas porque fazemos perguntas – e não há perguntas que não possam ser feitas, apenas respostas que precisam ser aprimoradas. Eu sei disso, porque trabalhei dos dois lados do balcão – como quem pergunta e como quem está do lado da empresa, respondendo – como RP.
O jornalista pergunta, questiona, instiga, “põe o microfone na cara” para apurar falsidades, encontrar as “meias-verdades” (bonito eufemismo, não?) fraudes, o lado secreto do Senado ou tudo o que o Lula ainda não sabe e talvez nunca venha a 'querer' saber, as falcatruas ensaiadas por debaixo de panos pretos, coloridos listrados ou lisos. E perguntar é ser chato, inconveniente, implicante, xereta, provocativo. Mas é, principalmente, procurar descobrir por você, leitor, pela sociedade, o que deve ser esclarecido para garantir que as instituições funcionem corretamente, que seu voto valha depois que seu X tiver sido confirmado nas urnas – e você tiver se esquecido em quem votou.
Ao jornalista cabe uma missão que os blogueiros (pelo menos até agora!) não têm: de investigar, ir a fundo numa matéria. Isso não somente implica apanhar ou ser empurrado diante das câmeras no Senado, como foi o Gentili, do CQC, mas no mundo todo, morrer literalmente no front, no exercício da profissão. A Abraji - Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos, à qual sou associada, vai divulgar esta semana, entre 9 e 11 de julho, em seu 4o. Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, números aterradores. Cabem a nós, jornalistas, os peões do jogo de xadrez, buscar os elementos para contar os vários lados de uma mesma história que, então, lida por você, leitor, permitirá uma ampla visão para ajudá-lo a tomar sua decisão, partido etc..
Foi o que - em tese - aprendi e tento repassar quixotescamente a quem questiona o fim do #diploma no Twitter.Esta matéria brilhante da jornalista Míriam Leitão é importante porque fala o que eu procurei falar a quem queria largar a faculdade no dia da divulgação do fim do diploma: estude, estude, estude - e faça a diferença!
O fim do coelho de Alice nas Redações
Quanto às empresas jornalísticas terem seus mestres nas Redações, quero me candidatar! Estou pronta para me sentar em roda com os novos profissionais e ensinar-lhes pacientemente o que for necessário para eles juntarem teoria e prática e tornarem-se o profissional multitarefa necessário para lidar com todas as mídias! Mas sem a pressa do coelho maluco de Alice no País das Maravilhas! Há que se ter tempo para isso.

Na minha época, não fui recorrer ao mestre Zuenir Ventura, porque tinha alguém mais perto. Já era no Jornal do Brasil, quando aquele editava a Revista de Domingo, literalmente ao lado da minha Redação - a da INFO. Meu guru foi Paulo R. da Costa Vianna, hoje dirigindo uma empresa de tecnologia, depois de anos no caderno Inforática e etc.., ao lado de Cora Ronai e Cristina De Luca, nO Globo. Ele foi meu “copidesque”; não precisava falar de lide ou pirâmide invertida, porque já venho de uma geração pós-canudo e, diga-se de passagem, tive o privilégio de recebê-lo da então melhor e mais bem equipada escola particular da época, a PUC-Rio (não é só ex-mackenzista que tem orgulho de onde vem, não, e a comunidade dos ex-alunos da PUC-Rio só faz aumentar no LinkedIn. Jana, pode comemorar!).
De qualquer forma, faço questão de mencionar sua importância no processo de lapidação do meu texto enquanto eu estava foca na revista INFO, e no quanto isso faz a diferença na carreira de uma pessoa. E como isso faz falta pela ausência de tempo dos chefes de Redação hoje nas empresas jornalísticas. Está aí uma oportunidade fantástica para estas, de não somente reverem seus métodos de cursos internos e estágios nas Redações, mas, sobretudo (casacão – lembra-se, Paulo?) aproveitar muita mão de obra boa entre os “mais experientes”!
(Imagem: http://fotocache02.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//e0/44/dd/3919336_SASfT.jpeg)
Ao postar a entrevista na íntegra, o Mosaico Social compra sua idéia na totalidade de seu conteúdo e complementa:
O ponto mais importante, que faz o link com o post do último dia 3 de julho, é a questão do papel de mediador do jornalista. Sim, a verdadeira vocação do jornalista é a provocação. Somos jornalistas porque fazemos perguntas – e não há perguntas que não possam ser feitas, apenas respostas que precisam ser aprimoradas. Eu sei disso, porque trabalhei dos dois lados do balcão – como quem pergunta e como quem está do lado da empresa, respondendo – como RP.
O jornalista pergunta, questiona, instiga, “põe o microfone na cara” para apurar falsidades, encontrar as “meias-verdades” (bonito eufemismo, não?) fraudes, o lado secreto do Senado ou tudo o que o Lula ainda não sabe e talvez nunca venha a 'querer' saber, as falcatruas ensaiadas por debaixo de panos pretos, coloridos listrados ou lisos. E perguntar é ser chato, inconveniente, implicante, xereta, provocativo. Mas é, principalmente, procurar descobrir por você, leitor, pela sociedade, o que deve ser esclarecido para garantir que as instituições funcionem corretamente, que seu voto valha depois que seu X tiver sido confirmado nas urnas – e você tiver se esquecido em quem votou.
Ao jornalista cabe uma missão que os blogueiros (pelo menos até agora!) não têm: de investigar, ir a fundo numa matéria. Isso não somente implica apanhar ou ser empurrado diante das câmeras no Senado, como foi o Gentili, do CQC, mas no mundo todo, morrer literalmente no front, no exercício da profissão. A Abraji - Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos, à qual sou associada, vai divulgar esta semana, entre 9 e 11 de julho, em seu 4o. Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, números aterradores. Cabem a nós, jornalistas, os peões do jogo de xadrez, buscar os elementos para contar os vários lados de uma mesma história que, então, lida por você, leitor, permitirá uma ampla visão para ajudá-lo a tomar sua decisão, partido etc..
Foi o que - em tese - aprendi e tento repassar quixotescamente a quem questiona o fim do #diploma no Twitter.Esta matéria brilhante da jornalista Míriam Leitão é importante porque fala o que eu procurei falar a quem queria largar a faculdade no dia da divulgação do fim do diploma: estude, estude, estude - e faça a diferença!
O fim do coelho de Alice nas Redações
Quanto às empresas jornalísticas terem seus mestres nas Redações, quero me candidatar! Estou pronta para me sentar em roda com os novos profissionais e ensinar-lhes pacientemente o que for necessário para eles juntarem teoria e prática e tornarem-se o profissional multitarefa necessário para lidar com todas as mídias! Mas sem a pressa do coelho maluco de Alice no País das Maravilhas! Há que se ter tempo para isso.
Na minha época, não fui recorrer ao mestre Zuenir Ventura, porque tinha alguém mais perto. Já era no Jornal do Brasil, quando aquele editava a Revista de Domingo, literalmente ao lado da minha Redação - a da INFO. Meu guru foi Paulo R. da Costa Vianna, hoje dirigindo uma empresa de tecnologia, depois de anos no caderno Inforática e etc.., ao lado de Cora Ronai e Cristina De Luca, nO Globo. Ele foi meu “copidesque”; não precisava falar de lide ou pirâmide invertida, porque já venho de uma geração pós-canudo e, diga-se de passagem, tive o privilégio de recebê-lo da então melhor e mais bem equipada escola particular da época, a PUC-Rio (não é só ex-mackenzista que tem orgulho de onde vem, não, e a comunidade dos ex-alunos da PUC-Rio só faz aumentar no LinkedIn. Jana, pode comemorar!).
De qualquer forma, faço questão de mencionar sua importância no processo de lapidação do meu texto enquanto eu estava foca na revista INFO, e no quanto isso faz a diferença na carreira de uma pessoa. E como isso faz falta pela ausência de tempo dos chefes de Redação hoje nas empresas jornalísticas. Está aí uma oportunidade fantástica para estas, de não somente reverem seus métodos de cursos internos e estágios nas Redações, mas, sobretudo (casacão – lembra-se, Paulo?) aproveitar muita mão de obra boa entre os “mais experientes”!
(Imagem: http://fotocache02.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//e0/44/dd/3919336_SASfT.jpeg)
sábado, 4 de julho de 2009
A cobertura da morte de Jacko, a falta de liberdade de expressão dos "colegas de Redação" e o belo texto de Luis Nassif
E Farah Fawcett passou despercebida, apesar de outro ícone dos anos 70/80. Sua morte, ainda mais trágica, porque anunciada por um câncer resistente, foi quase desapercebida das pessoas. Faltou a devida atenção da mídia. Dois pesos e duas medidas...
O mosaicosocial tem ficado um tempo sem postar. Há momentos para escrever muito e outros em que é necessária pesquisa, leituras e releituras, visitas a várias fontes e aquela parada para juntar o que se apreendeu de todo o processo antes de um pronunciamento. Especialmente este, polêmico por tudo o que o cerca.
Michael Jackson: fenômeno na vida e na morte
Desde a notícia da provável morte de Michael Joe Jackson, no dia 25 de junho, ao final daquela quinta-feira, quando imediatamente fui ao novo grande pauteiro da hora - o Twitter - checar o então boato, me deparei com o que seria realmente um prenúncio do que as mídias sociais estão causando e vão causar daqui em diante em casos semelhantes: uma confusão geral até que as fontes ditas fidedignas se pronunciem e atestem fatos. Resolvi ainda buscar em fontes lá fora algo mais palpável - CNN, People, NYT, Washington Post, Mashable, entre os vários que sigo e recomendo. Aqui temos dois fatos importantes que devem ser comentados:

1) Num momento em que as fontes de informação estão pulverizadas e cada pessoa é "dona" do que escreve, é normal que uma onda de boatos se instale até que a notícia seja finalmente confirmada por instituições como hospital, polícia, instituto médico legal e outras que possam falar via imprensa institucionalizada (também!). Por isso, por mais que haja blogueiros extremamente confiáveis, quando se busca uma informação, o leitor, expectador, ouvinte de rádio, que seja, vai procurar uma fonte jornalística e isso é fato. Porque é o meio jornalístico que MEDIA esta informação apurada junto às instituições - quem tem acesso às instituições que vão liberar a informação - pelo menos AINDA.
2) No caso específico de Michael Jackson, uma figura emblemática por tudo o que já se disse dele e o que fizeram dele - a própria mídia com seu grande percentual de culpa - a informação foi comprometida pelo resultado de sua discrição ao extremo, pela sua opção pelo obscurantismo, solidão, aversão ao público depois de tanta especulação acerca de seus atos. E, claro, isso deu mais pano pra manga para que a mídia começasse a escrever e apurar o que quisesse com vizinhos, colegas, novos amigos que nunca haviam aparecido - ou velhos, com os quais não se viam mais o ator - a fazerem dos holofotes seu momentum de marketing pessoal e a elogiarem ou contarem histórias sobre o coitado que não estaria mais lá para desmentir. Mesmo a questão da sua morte foi um desencontro só entre todas as fontes até ser finalmente confirmada por People, CNN e outras.
Sensacionalismo
Não vou falar do que a mídia internacional apurou ou como. Meu lugar é aqui e a discussão do mosaicosocial envolve o nosso mercado. Que atire a primeira pedra quem não concorde comigo; foi uma pouca vergonha os noticiários daqui repetirem as matérias nas quais os assuntos principais foram: a fama desde a infância; o sucesso rápido; a importância para o mundo pop; os escândalos e a decadência - nesta sequência.
Depois de tanto se falar em sustentabilidade, em um mundo melhor para um planeta melhor, de vários atores da Globo apagarem as luzes em campanha mundial contra a fritura do planeta, em várias ações de pessoas para se fazer a diferença, eu pergunto: Que mídia se dignou a abordar, de verdade, o lado humanitário do artista, que se dedicou a causas sociais, investindo grande parte da fortuna amealhada com seu sucesso a ajudar crianças desnutridas na África? Alguma coisa no Fantástico, "de passage"? A matéria de Veja - que poderia ter dado um banho nas dos telejornais, não saiu do lugar comum, dedicando páginas e páginas à batida metamorfose do cantor. Para quê? E a Tevê Gazeta, no máximo, se vangloriou de colocar no ar um clip - único talvez em toda a história que vimos nestes dias, é verdade -, mas no qual o assunto é Jacko reunido com todo o clã, numa festa em família, já no fim dos anos 80. Neste clip, ele canta apenas uma estrofe da música em que o irmão Germaine Jackson enaltece o relacionamento familiar (Ugh!)
A questão é que ajudar crianças na África ou em qualquer outro lugar do mundo não rende. Não vende revistas, jornais, não dá audiência. Não como falar de escândalos, pagar milhões para se livrar de denúncias de abuso a adolescente de 13 anos, retirar prótese do nariz porque atrapalhava ao respirar na hora de dormir (conforme li em Veja) etc..
E de quem é a culpa? Dos jornalistas? Ou será dos cartolas da imprensa? Escrevi isso a um agora-colega-blogueiro, esta manhã. Ele deu um grito de alerta sobre a cobertura dos jornais e, lá pelas tantas, responsabilizou a nossa "catigoria". Eu não quis abrir um seminário - até porque não é coisa para um comentário dentro de um blog de variedades - mas tive que explicar que não era bem assim que tocava a banda. A falta de liberdade de expressão nas Redações é tão igual quanto a de qualquer funcionário em qualquer empresa e as pessoas "de fora" parecem não entender isso e acham que nós, os peões da reportagem, somos os "donos da cocada". Quem quiser, pode conferir em Blog do The Best, se o comentário passar pela moderação dele - rs!
Mas, quem realmente explicou bem a questão de como são as coisas na Redação foi Luis Nassif, num memorável conto-verdade que li a partir do blog Coleguinhas, Uni-vos!, do meu colega-jornalista, Ivson Alves.
Quem perdeu - aliás, perde sempre? O leitor, que pouco soube de Farah Fawcett

No meio desta insanidade envolvendo morte x liberdade de expressão (falta dela) x obrigatoriedade de cumprimento de agenda de cobertura x vendas de anúncio x revistas x a cobertura paralela feita pela mídia social = + crítica = cada vez + cheia de seguidores = não-compradores de mídia amanhã, perdeu o leitor comum. Nós ficamos sem saber o que realmente aconteceu com a musa dos anos 70/80.
Na seção obituário de Veja, Farah Fawcett teve suas colunas maiores que as demais das duas páginas dedicadas ao assunto na semana. Para quem igualmente, como a própria revista, igualou com Che Guevara o mesmo espaço em corações e mentes de uma geração inteira - pelos motivos que foram - faltou informação. Mas, pelo menos, ela teve apoio familiar, a visita do filho para o último adeus, antes de voltar à prisão por não aguentar o tranco e ter-se envolvido em drogas, e do ex-marido, o ator Ryan O' Neal. Este ainda leva para o resto da vida a trágica ironia de viver na vida real o drama que lhe rendeu a fama em Love Story: perder a mulher para o câncer. Lastimável em todos os aspectos. Aos dois, a paz!
Fotos: Michael Jackson(http://muslimmatters.org/wp-content/uploads/2009/06/michael_jackson_bad_era.jpg) e Farah Fawcett (poster público)
O mosaicosocial tem ficado um tempo sem postar. Há momentos para escrever muito e outros em que é necessária pesquisa, leituras e releituras, visitas a várias fontes e aquela parada para juntar o que se apreendeu de todo o processo antes de um pronunciamento. Especialmente este, polêmico por tudo o que o cerca.
Michael Jackson: fenômeno na vida e na morte
Desde a notícia da provável morte de Michael Joe Jackson, no dia 25 de junho, ao final daquela quinta-feira, quando imediatamente fui ao novo grande pauteiro da hora - o Twitter - checar o então boato, me deparei com o que seria realmente um prenúncio do que as mídias sociais estão causando e vão causar daqui em diante em casos semelhantes: uma confusão geral até que as fontes ditas fidedignas se pronunciem e atestem fatos. Resolvi ainda buscar em fontes lá fora algo mais palpável - CNN, People, NYT, Washington Post, Mashable, entre os vários que sigo e recomendo. Aqui temos dois fatos importantes que devem ser comentados:

1) Num momento em que as fontes de informação estão pulverizadas e cada pessoa é "dona" do que escreve, é normal que uma onda de boatos se instale até que a notícia seja finalmente confirmada por instituições como hospital, polícia, instituto médico legal e outras que possam falar via imprensa institucionalizada (também!). Por isso, por mais que haja blogueiros extremamente confiáveis, quando se busca uma informação, o leitor, expectador, ouvinte de rádio, que seja, vai procurar uma fonte jornalística e isso é fato. Porque é o meio jornalístico que MEDIA esta informação apurada junto às instituições - quem tem acesso às instituições que vão liberar a informação - pelo menos AINDA.
2) No caso específico de Michael Jackson, uma figura emblemática por tudo o que já se disse dele e o que fizeram dele - a própria mídia com seu grande percentual de culpa - a informação foi comprometida pelo resultado de sua discrição ao extremo, pela sua opção pelo obscurantismo, solidão, aversão ao público depois de tanta especulação acerca de seus atos. E, claro, isso deu mais pano pra manga para que a mídia começasse a escrever e apurar o que quisesse com vizinhos, colegas, novos amigos que nunca haviam aparecido - ou velhos, com os quais não se viam mais o ator - a fazerem dos holofotes seu momentum de marketing pessoal e a elogiarem ou contarem histórias sobre o coitado que não estaria mais lá para desmentir. Mesmo a questão da sua morte foi um desencontro só entre todas as fontes até ser finalmente confirmada por People, CNN e outras.
Sensacionalismo
Não vou falar do que a mídia internacional apurou ou como. Meu lugar é aqui e a discussão do mosaicosocial envolve o nosso mercado. Que atire a primeira pedra quem não concorde comigo; foi uma pouca vergonha os noticiários daqui repetirem as matérias nas quais os assuntos principais foram: a fama desde a infância; o sucesso rápido; a importância para o mundo pop; os escândalos e a decadência - nesta sequência.
Depois de tanto se falar em sustentabilidade, em um mundo melhor para um planeta melhor, de vários atores da Globo apagarem as luzes em campanha mundial contra a fritura do planeta, em várias ações de pessoas para se fazer a diferença, eu pergunto: Que mídia se dignou a abordar, de verdade, o lado humanitário do artista, que se dedicou a causas sociais, investindo grande parte da fortuna amealhada com seu sucesso a ajudar crianças desnutridas na África? Alguma coisa no Fantástico, "de passage"? A matéria de Veja - que poderia ter dado um banho nas dos telejornais, não saiu do lugar comum, dedicando páginas e páginas à batida metamorfose do cantor. Para quê? E a Tevê Gazeta, no máximo, se vangloriou de colocar no ar um clip - único talvez em toda a história que vimos nestes dias, é verdade -, mas no qual o assunto é Jacko reunido com todo o clã, numa festa em família, já no fim dos anos 80. Neste clip, ele canta apenas uma estrofe da música em que o irmão Germaine Jackson enaltece o relacionamento familiar (Ugh!)
A questão é que ajudar crianças na África ou em qualquer outro lugar do mundo não rende. Não vende revistas, jornais, não dá audiência. Não como falar de escândalos, pagar milhões para se livrar de denúncias de abuso a adolescente de 13 anos, retirar prótese do nariz porque atrapalhava ao respirar na hora de dormir (conforme li em Veja) etc..
E de quem é a culpa? Dos jornalistas? Ou será dos cartolas da imprensa? Escrevi isso a um agora-colega-blogueiro, esta manhã. Ele deu um grito de alerta sobre a cobertura dos jornais e, lá pelas tantas, responsabilizou a nossa "catigoria". Eu não quis abrir um seminário - até porque não é coisa para um comentário dentro de um blog de variedades - mas tive que explicar que não era bem assim que tocava a banda. A falta de liberdade de expressão nas Redações é tão igual quanto a de qualquer funcionário em qualquer empresa e as pessoas "de fora" parecem não entender isso e acham que nós, os peões da reportagem, somos os "donos da cocada". Quem quiser, pode conferir em Blog do The Best, se o comentário passar pela moderação dele - rs!
Mas, quem realmente explicou bem a questão de como são as coisas na Redação foi Luis Nassif, num memorável conto-verdade que li a partir do blog Coleguinhas, Uni-vos!, do meu colega-jornalista, Ivson Alves.
Quem perdeu - aliás, perde sempre? O leitor, que pouco soube de Farah Fawcett

No meio desta insanidade envolvendo morte x liberdade de expressão (falta dela) x obrigatoriedade de cumprimento de agenda de cobertura x vendas de anúncio x revistas x a cobertura paralela feita pela mídia social = + crítica = cada vez + cheia de seguidores = não-compradores de mídia amanhã, perdeu o leitor comum. Nós ficamos sem saber o que realmente aconteceu com a musa dos anos 70/80.
Na seção obituário de Veja, Farah Fawcett teve suas colunas maiores que as demais das duas páginas dedicadas ao assunto na semana. Para quem igualmente, como a própria revista, igualou com Che Guevara o mesmo espaço em corações e mentes de uma geração inteira - pelos motivos que foram - faltou informação. Mas, pelo menos, ela teve apoio familiar, a visita do filho para o último adeus, antes de voltar à prisão por não aguentar o tranco e ter-se envolvido em drogas, e do ex-marido, o ator Ryan O' Neal. Este ainda leva para o resto da vida a trágica ironia de viver na vida real o drama que lhe rendeu a fama em Love Story: perder a mulher para o câncer. Lastimável em todos os aspectos. Aos dois, a paz!
Fotos: Michael Jackson(http://muslimmatters.org/wp-content/uploads/2009/06/michael_jackson_bad_era.jpg) e Farah Fawcett (poster público)
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Fica tudo exatamente como era...

O diploma de Jornalismo, finalmente, caiu. Hoje, por 8 x 1 votos, o Supremo Tribunal Federal decidiu que para o exercício da profissão de jornalista não é mais necessário ser Bacharel em Comunicação Social. O twitter parecia conversa de maricota a partir das 18h, quando as primeiras matérias começaram a pipocar na Internet. E o nível de desinformação, confusão, tristeza de uns, desalento e confusão de conceitos era claro na maioria das mensagens.
Será que nada será como antes?
Nada mudou, na prática, só que as coisas ficarão, digamos, mais escancaradas.
Quem era empregado e está hoje mais para empregador - porque, na qualidade de diretor tem mais cacoetes de "dono" do que de "trabalhador", ou quem não é da área, mas está se dando bem com as mídias sociais, levanta a máxima de que o leitor é quem tem que decidir sobre o Jornalismo - que o poder está na mão da sociedade e não do Estado e que isso está, inclusive, na Constituição - liberdade de imprensa e tudo o mais. Errado? Não! Parte da celeuma que levou a este desfecho é baseada neste argumento.
Por outro lado, existe a turma que rala nas Redações e está cansada de ver apadrinhados sem diploma - os filhos dos amigos dos donos de jornais - assumindo colunas, editorias, cargos de repórteres especiais e outros tantos. A gente só nunca denunciou por dois motivos. Um deles, porque não teria para onde correr. Afinal, como bloguei outro dia, como jornalistas, a categoria - ao contrário dos advogados a quem nos comparam sempre - não foi adestrada a ser empresária de si própria - isso é coisa para poucos e não a maioria que, na verdade, acabou adotando o modelito & associados, por conta de uma terceirização forçada sobre a qual acredito já ter falado aqui também e que tem um viés mais de sobrevivência do que de lucrar sobre o business. O outro motivo tem a ver com o primeiro - apesar dos sindicatos e da FENAJ ou outros grupos, nunca houve coesão suficiente ou majoritária, ao contrário do que sempre ocorreu entre os metalúrgicos, por exemplo, para que conseguíssemos ser ouvidos e fazer valer nossos direitos como categoria.
A gente pode ser intelectual ou metido a sê-lo, pode ter uma série de qualidades, como ter interesse por vários assuntos, ter cultura geral pela curiosidade de estar up-to-date com tudo que está na ordem do dia nos mais variados segmentos, mas como defeitos temos uma porção deles também. Um dos mais mortais, na minha opinião, é esta maldita soberba (característica que não é minha, diga-se de passagem, mas que nos é imputada quase como marca registrada - ao ponto de quem não segue o padrão ter questionada sua formação pela ausência da "doença"). Pois esta tal soberba que nos transforma em seres que se amam ou odeiam nos isolam uns dos outros. Geram fofocas e "imagens corporativas" que nem existem, confundindo timidez com empáfia e fazendo com que esta imagem se perpetue entre os coleguinhas e literalmente acabe com oportunidades de trabalho. Eu vi isso acontecer com vários colegas.
Por várias coisas e também isso fomos, ao longo dos útimos anos, perdendo espaço. Já perdemos para os RPs o exercício da Assessoria de Imprensa, que, quando me formei, era atividade reconhecidamente realizada por jornalista. Se nem estágio era aceito desde aquela época, e ainda hoje tem problemas porque a categoria se sente ameaçada dentro das Redações, imagina... com o fim da regulamentação da profissão, pode até ser que acabem os sindicatos, mas, como diria o economista Mestre e Doutor pela Unicamp e presidente do IPEA, Marcio Pochmann, sobretudo, vai acabar é a Grande Imprensa. Afinal, ela é formada não pelos jornais dos Estados do Sudeste e Capitais que conhecemos, mas sim, pelo conjunto de todos os jornais de todos os sindicatos, que precisavam - até hoje - de um jornalista responsável assinando-os.
Concubinato profissional
Eu não vou esmorecer especialmente porque meu diploma tem mais 20 anos. O que vale para mim é mais a experiência de vida diária e de mercado do que o que já se vai longe do que rolou no "banco escolar". Mas acho que tenho como exemplo a dar e missão não deixar os jovens esmorecerem e fazê-los entender que o diploma, tal qual um contrato de casamento, não deve ser um fim em si, mas um começo.
Da mesma forma que comungo minha vida pessoal, vou levar, a partir de hoje a minha relação com a profissão e manter, com isso, uma coerência existencial. Para mim, o Jornalismo será como o meu casamento. Deve estar no coração, ser movido pela paixão e não baseado num papel, mas na competência de se levar a relação no dia a dia com criatividade, responsabilidade, respeito, lealdade, o espírito de justiça e a constante busca da verdade.
É o que e penso e o que busco ao assinar como jornalista, meu cartão de visita ou toda vez que me questionam sobre minha atividade profissional. Nunca, mesmo estando assessora de imprensa ou Gerente de Práticas de Tecnologias - fosse o nome pomposo que fosse - eu assinei algo diferente de apenas jornalista. E não importa se meu diplominha está no meu portfólio ali, imortalizado, quem sabe um dia até emoldurado, porque foi com muito orgulho que troquei uma UFRJ, pela PUC/Rio, que saí da área de Química Industrial para me lançar na Comunicação Social, seguindo minha real vocação. Não foi a toa e nem terá sido. E não será pela decisão de hoje que vou esmorecer ou deixar que meus colegas o façam, mas provar que não precisamos de papel para provar que quem é bom, mesmo, de verdade, não precisa de papel - pode estudar, ir para a faculdade, sim, como os publicitários ou os chefes de cozinha vão, a exemplo de uma comparação feita pelo ministro Gilmar Mendes na tarde de hoje. Ambos também não precisam de regulamentação especial para exercerem suas profissões e estão aí, felizes. É isso.
Enfim, nada mudou e se mudar, será para melhor. Mesmo vazio, o lado do copo que tem ar, está cheio... de ar.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Unomarketing: um ato de amor

O portal Nós da Comunicação tem a matéria-panorama que sintetiza os oito painéis dos dois dias de intensos trabalhos realizados por palestrantes, organizadores e uma platéia de cerca de 170 pessoas, em média, nos dias 2 e 3 de junho, em cada apresentação. Vale a pena dar um pulo e ler o que cada um dos palestrantes deixou como mensagem e o que basta para tornar nosso mundo sustentável.
Não seria muito, mas diante de tantas adversidades, pode significar um esforço hercúleo, porque trata-se de um olhar-se no espelho e um resgatar-se íntimo e pessoal. O título é Unomarketing: o resgate do amor para a sobrevivência da raça humana. (Foto do blog http://diganaoaerotizacaoinfantil.files.wordpress.com)
domingo, 7 de junho de 2009
O perigo de ignorar as tendências da tecnologia está em deixar de existir
As últimas duas semanas têm sido de muita absorção de novos conteúdos, todos eles ligados à crescente intromissão das mídias sociais em todos os aspectos que permeiam a vida do ser humano. No último post, o assunto foi o efeito devastador desta onda gigante no meio jornalístico, com o fim da Gazeta Mercantil, aqui em São Paulo. O de hoje traz um de meus - e de tantos outros - gurus da tecnologia, "Sir" Ethevaldo Siqueira, alertando as empresas a abrirem os olhos para este tsunami sob a pena de não mais sobreviver - assim, nua e cruamente. A dica é uma contribuição de Renato Raposo, publicitário, jornalista e amigo, que por seguir o blog, sugeriu este podcast para os leitores deste espaço.
Quem ouvir ao podcast de sua entrevista a outro ícone do jornalismo, Heródoto Barbeiro, na CBN, vai constatar que, mesmo aqui, as empresas jornalísticas não foram esquecidas. Em outro podcast no site da CBN, Ethevaldo Siqueira chega a falar que, como modelo de negócios, os Portais de Conteúdo, na era da Web 2.0, estão investindo em compra de direitos de transmissão de grandes eventos esportivos, porque as Tevês vão perder gradativa e inexoravelmente mais lugar para as transmissões via web, com a também crescente transmissão de banda larga que o Brasil começa a experimentar.
Sustentabilidade
Na semana em que o Meio Ambiente foi destaque no mundo inteiro, o link foram novamente as mídias sociais e a sustentabilidade do planeta. Como convidada do Portal Nós da Comunicação, participei da primeira iniciativa do pessoal de Marketing em juntar estes assuntos e o resultado foi fantástico. Uma das matérias já foi ao ar, intitulada Novas Tecnologias, velocidade e poder no centro do debate do Unomarketing, que convido os seguidores do blog a lerem porque a visão de outro tecnicista - aliás um dos mais respeitados do Brasil, Abel Reis - é de uma lucidez incrível, digna de roteiro de filme. Amanhã, o Portal sai com a outra matéria, que faz o apanhado geral dos oito painéis de altíssima qualidade de conteúdos e de casos práticos apresentados pelos palestrantes convidados.
Nota da editora
Este post foi editado - por problemas de revisão - graças à revisão da superamiga e irmã de fé, Paula Barifouse. Mas, nesta manhã do dia 19 de junho, depois de várias situações "saia-justas" e, finalmente, a pedido do primo Vitor Rolf Laubé, uma solução alternativa foi tomada para que o podcast contendo o podcast passasse a entrar apenas a partir do desejo dos leitores e não automaticamente - como imposição(?) da CBN, ao colocar à disposição desta forma na receita embbeded aos interessados em colocar a matéria em seus blogs e sites.
A matéria ainda pode ser ouvida. Basta que o leitor agora clique no link. Temos Heródoto e Ehevaldo na maior conta pelas suas contribuições jornalísticas, mas, convenhamos, entrar com o áudio automaticamente estava, realmente, tornando-se um problema sério - não por culpa deles ou aqui do Mosaico Social - mas, já resolvida a questão, pedimos também desculpas pelo inconveniente, que não mais se repetirá. Obrigada a todos os que colaboaram com este post.
Quem ouvir ao podcast de sua entrevista a outro ícone do jornalismo, Heródoto Barbeiro, na CBN, vai constatar que, mesmo aqui, as empresas jornalísticas não foram esquecidas. Em outro podcast no site da CBN, Ethevaldo Siqueira chega a falar que, como modelo de negócios, os Portais de Conteúdo, na era da Web 2.0, estão investindo em compra de direitos de transmissão de grandes eventos esportivos, porque as Tevês vão perder gradativa e inexoravelmente mais lugar para as transmissões via web, com a também crescente transmissão de banda larga que o Brasil começa a experimentar.
Sustentabilidade
Na semana em que o Meio Ambiente foi destaque no mundo inteiro, o link foram novamente as mídias sociais e a sustentabilidade do planeta. Como convidada do Portal Nós da Comunicação, participei da primeira iniciativa do pessoal de Marketing em juntar estes assuntos e o resultado foi fantástico. Uma das matérias já foi ao ar, intitulada Novas Tecnologias, velocidade e poder no centro do debate do Unomarketing, que convido os seguidores do blog a lerem porque a visão de outro tecnicista - aliás um dos mais respeitados do Brasil, Abel Reis - é de uma lucidez incrível, digna de roteiro de filme. Amanhã, o Portal sai com a outra matéria, que faz o apanhado geral dos oito painéis de altíssima qualidade de conteúdos e de casos práticos apresentados pelos palestrantes convidados.
Nota da editora
Este post foi editado - por problemas de revisão - graças à revisão da superamiga e irmã de fé, Paula Barifouse. Mas, nesta manhã do dia 19 de junho, depois de várias situações "saia-justas" e, finalmente, a pedido do primo Vitor Rolf Laubé, uma solução alternativa foi tomada para que o podcast contendo o podcast passasse a entrar apenas a partir do desejo dos leitores e não automaticamente - como imposição(?) da CBN, ao colocar à disposição desta forma na receita embbeded aos interessados em colocar a matéria em seus blogs e sites.
A matéria ainda pode ser ouvida. Basta que o leitor agora clique no link. Temos Heródoto e Ehevaldo na maior conta pelas suas contribuições jornalísticas, mas, convenhamos, entrar com o áudio automaticamente estava, realmente, tornando-se um problema sério - não por culpa deles ou aqui do Mosaico Social - mas, já resolvida a questão, pedimos também desculpas pelo inconveniente, que não mais se repetirá. Obrigada a todos os que colaboaram com este post.
sábado, 30 de maio de 2009
O culto do amador, o Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa e o fim da Gazeta Mercantil. Oswald de Souza pode explicar?

Enquanto as mídias sociais crescem absurdamente e uns dizem que o jornalismo tradicional vai acabar, outros, mais otimistas, como eu mesma twittei pelo 12oMegaBrasil, acreditam que sempre haverá co-habitação entre ambos - que o bom jornalismo não acabará. Que o diga O culto do amador, do autor britânico Andrew Keen, que ontem participou de um talk-show com o historiador e escritor de mídias sociais, Juliano Spyer. Este último, conheci pessoalmente num evento no ano passado, e recomendo seguir e ler.
Findo o Congresso, no qual fiquei quase enclausurada numa sala sem janelas, descubro que a Gazeta Mercantil pode não sair nunca mais já a partir desta 2a. feira.
Os links dos títulos
Este post foi criado a partir do comentário deixado página do Knight Center of Journalism, onde está a matéria acima. ELa me chegou ao conhecimento pela jornalista e ex-colega de classe, Janaína Machado, da Plano B Consultoria, e me fez "cair do cavalo", especialmente porque estava tentando novamente ser otimista com o que se discutiu ao longo dos três dias do evento do qual participei como contratada dos organizadores para twittar, editar as matérias feitas pelos colegas para o Jornal da Comunicação Corporativa e cuidar da primeira iniciativa de blog corporativo da empresa. Parece até ironia!
Como fazer bom jornalismo sem dinheiro se não fomos adestrados para isso?
O empresário quer mais resultado por menos salário; tem gente entregando (fazendo o delivery) de bom material de graça! Se somos empresários, temos que pagar impostos caros a um Governo retoricamente democrático, dono de todos os setores da economia e pagar o preço de papel e maquinário caros. Mas como fazê-lo, se a publicidade está migrando para o Mkt promocional, se o leitor não é mais fiel - apesar de nunca ter lido tanto o conteúdo dos jornais via internet, segundo palavras quase textuais do diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, em mais de três eventos que cobri pessoalmente? E a discussão está apenas começando...
Gazeta Titanic Mercantil
Enquanto isso, assistimos ao corte em pedaços para um afundamento total da Gazeta Mercantil, como a um navio, para seu sepultamento final - como já vi acontecer na vida real - e como "boi de piranha da imprensa nacional" - sinal dos tempos no Brasil, porque lá fora já se foram outros, nos Estados Unidos e em outros países. É um sinal, sem dúvida, de que as coisas não estão bem.
Meu pesar é, sobretudo, pelos colegas - competentes, alguns veteranos, outros jovens e cheios de entusiasmo com a carreira, que estarão às voltas com a busca de um lugar ao sol que pode não chegar porque o mercado não está para peixe. Eu vivi isso com as várias reclamações de pessoas - algumas que sequer conhecia - de 40, 35, 22 anos - ao trocarem cartões comigo durante o 12o. Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, da Mega Brasil, nestes últimos três dias. É muito desalentador.
Já assistimos a isso quando a tecnologia invadiu as Redações, no início dos anos 80 (quando eu começava minha carreira), com o fim dos revisores e outras carreiras que faziam parte da história do Jornalismo. Estamos agora diante do profissional multitarefa, multilingue (português, inglês, espanhol, mandarim, alemão e o que mais hão de nos solicitar, ainda na fase do estágio, conforme se vê em anúncios que colegas publicam e repassam para indicações). O atual jornalista também tem que ser fotógrafo-motorista-repórter-redator-revisor-editor-de-seu-próprio-texto-em-várias-línguas-e-imagens-diagramadas-em-softwares-prontos-para-edição. E tudo isso concorrendo com gente que, por mais que escreva sem revisão ou concordância - porque há trigo e joio no meio dos blogs - de fato sabe fazer dinheiro com suas iniciativas individuais. Os blogueiros estão se dando melhor que a gente - não "adestrado" para isso, que depende do ser-empresário para poder escrever e... sobreviver.
Porque eu escrevo tudo isso
Eu não estou e nunca fui da Gazeta, na qual tantos clientes emplaquei em matérias de capa, em qual tantos colegas fiz, alguns até "amigos para sempre!". Eu ainda consigo freelas aqui e acolá. Mas quantos jornalistas serão afogados junto com os seus restos? Colegas, que têm em seus currículos muito mais que eu: MBAs, mestrado, pós-graduação, doutorado, mais de uma língua e não terão mais oportunidades por razões semelhantes às minhas...
Matematicamente, será que Oswald de Souza pode nos ajudar a entender o que está acontecendo agora? O que é este fim da Gazeta Mercantil, que pode representar o começo de um pesadelo ainda mais tenebroso? Eu gostaria de saber.
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