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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Chad Hurley: "a internet vai matar a Tevê, mas não por culpa do YouTube”

Produzido especialmente para a rede Nós da Comunicação


Uma das atrações internacionais da terceira edição do Digital Age 2.0, evento que o Now!Digital Business promoveu nos dias 26 e 27 de agosto, em São Paulo, foi Chad Hurley, co-fundador do YouTube. Não é para menos, considerando que o site de vídeos recebe 24 horas de material por minuto e 100 milhões de visitantes por dia e foi comprado pela gigante Google, tornando seus jovens sócios bilionários em menos de cinco anos de existência.

Sua participação no evento, que atraiu profissionais de marketing e tecnologia de mais de 200 empresas, sendo a maioria deles os principais executivos, segundo informações da organização do evento, foi em forma de entrevista pingue-pongue, no painel intitulado ‘YouTube, My Tube, We Tube: a revolução da televisão que é de todo mundo’. Isso – obviamente – não sem antes a apresentação de um vídeo, desta vez do próprio YouTube, em que se pôde acompanhar toda a evolução da companhia, com a postagem de imagens que ficarão marcadas na história da mudança de paradigma pela qual o mundo digital passou apenas nos últimos quatro anos, desde que foi criada.

Há menos de 24h e pela primeira vez no Brasil, Chad Hurley não teve muita coisa a falar ao ser indagado sobre o que achava do país, mas dividiu humores na plateia ao mencionar ter sido recomendado por um amigo a visitar o Rio de Janeiro. Comparado ao Príncipe Charming, pela boa pinta, o jovem empresário tentou de tudo para esquivar-se das perguntas diretas feitas pelos patrocinadores do evento, os jornalistas Silvia Bassi e Ralphe Malzoni Jr. Afinal, é de conhecimento de todos que ainda não se encontrou uma solução para tornar o maior site de vídeos do mundo lucrativo, problema enfrentado pela maioria dos grandes drivers de conteúdo da internet em todo o mundo.

De qualquer forma, bem orientado, ele saiu-se bem às várias tentativas dos jornalistas de arrancar mais detalhes de faturamento, lucro e outros números que pudessem revelar aos brasileiros a forma como ele, como empresário, estaria solucionando uma questão em aberto para vários dos espectadores.

Hurley disse que há muito mais especulação do que realidade no que diz respeito a números de entrada x saída de valores, e insistiu que o foco do trabalho “são as oportunidades de receita publicitária que o site de vídeos pode criar para dividir os rendimentos com a comunidade e, desta forma, incentivar a criação de conteúdo relevante”. Para Hurley, disponibilizar conteúdo em todos os formatos e tamanhos, inclusive em HD, para qualquer plataforma a ser acessado a qualquer hora e em qualquer lugar é o objetivo maior da sua ida para o Google e é nisso que se concentram os esforços da equipe. Hurley também usou o “fazer mais com menos” que parece ser um novo driver do mercado on-line como sinônimo de inovação, novamente linkando-o ao projeto de oferecer à audiência, ou seja, aos seus consumidores, uma experiência. Por isso insistiu em várias ocasiões na qualidade do streaming do vídeo como um dos pontos-chave de investimento da empresa nas várias modalidades com as quais pretende que os usuários possam trabalhar.


Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça


O futuro, na visão de Hurley, é ver cada indivíduo, seja pessoa comum, ou de agência, com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão criando vídeos de conteúdo cada vez mais interessantes. Isso aliado às competências de negócios das empresas Google (baseadas em ads) e YouTube (baseadas nos vídeos), vai levar empresários e pessoas comuns a gerar transações a partir de seus vídeos para monetarizar seus conteúdos. “Para isso, estamos trabalhando em formas de acesso a outros vídeos e/ou links com os pares da nova empresa, de forma a criar interesse e novas experiências que gerem cliques depois de cada vídeo assistido”, complementou.

Hurley afirmou também que quem controla o conteúdo do site são as pessoas que criam os vídeos, mas sua equipe conta com a ajuda da comunidade para identificar conteúdos criminosos ou ofensivos. Já quando se trata de copyright, a distribuição livre gera conflitos, pois enquanto advogados solicitam a retirada de vídeos, os departamentos de Marketing questionam a retirada. Para Hurley, se os vídeos contêm conteúdo relevante é uma oportunidade para todos. “O que é bom para a comunidade é bom para o YouTube”.

O grande momento da entrevista foi quando Hurley foi questionado se a internet acabará com a TV: “Não por culpa do YouTube”, riu. Para ele, o que vai ocorrer é que, com a distribuição digital cada vez mais acessível, todos os meios estarão conectados. “A transmissão digital vai colocar à disposição de todos, conteúdos com muito mais velocidade, diversidades e numa quantidade nunca antes vista. Todos vão poder baixar vídeos em diferentes formatos e compartilhá-los rapidamente”, complementou.

E o Brasil? É muito importante para o YouTube, já que o crescimento do número de usuários aumenta a olhos vistos. Mas o grande mercado continua sendo o local – Estados Unidos – em que a diversidade de formatos permite observar melhor como adequar as ferramentas em outros países.

Como ocorre em 100 entre 100 entrevistas, ele foi questionado sobre o vídeo de que mais gosta - no Brasil, mencionou que achou engraçada a “dança do quadrado” – mas pareceu também óbvio tratar-se de resposta ensaiada, mais um “dever de casa” de última hora, baseado em estatística. O que valeu, mesmo, foi ele dizer que obviamente gosta de assistir a vídeos e que foi o que o motivou a criar a empresa e que hoje, passados os quatro anos em que tudo começou, o grande barato é ler sobre o efeito que um vídeo postado em um site do YouTube causou sobre a sociedade, lembrando dos efeitos Susan Boyle ou da transmissão da morte da moça na passeata no Irã. “Isso é o que realmente mexe comigo, o jornalismo-cidadão que cria o momento, que o imortaliza!”, finalizou.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O milagre da multiplicação da Web 3.0: mais um vídeo para mostrar o novo mundo conectado

Volta e meia o assunto vem à tona. Mas é porque tem um motivo: é simplesmente inexorável. Nosso mundo está cada vez mais semântico. As redes já se falam e a uma velocidade inimaginável - ou você acha que não significa nada o fato de eu começar a falar disso há apenas alguns meses e agora, já twittar e poder subir fotos no Flickr (considerado o melhor site entre todos,pela revista Time!)? Ou ainda, ouvir e compartilhar as músicas que mais gosto e estão no Last.fm, fazer com que meus pios sejam lidos imediatamente por Plaxo, Facebook e, nesta última rede, incluir mais um sem número de aplicativos, além de linkar outras pessoas de outras redes, também?

Isso são os computadores conversando entre si, trocando, compartilhando - é a rede entre eles - o passo que veio depois que as pessoas passaram a fazê-lo, conforme já postei aqui, ao falar do livro-bíblia Ground Swell (um dos 100 melhores livros sobre mídias sociais que um dinamarquês lançou hoje numa lista incrível e divulgou esta manhã para o mundo virtual e que compartilho aqui com vocês).

Graças ao desenvolvimento de programas que se ajustam, como o vídeo a seguir - ao qual tive acesso também pelo twitter - mostra, o mundo da tecnologia ficará cada vez mais conectado e sem fronteiras.

Blogosfera: o grande buzz do momento

Correm boatos de que o fim da blogosfera está próximo - assunto que foi pauta do dia de hoje entre os twitteiros de plantão, por causa de matéria veiculada na imprensa escrita. Se isso é especulação ou intriga da oposição, o certo é que a própria blogosfera em si é o grande buzz (assunto do momento) dos tempos.

Hoje fiz um laboratório de twitter cuja conclusão não foi outra senão a de que a própria mídia tradicional usa a blogosfera - e o twitter - outro ameaçado pela força do Facebook - para pautar seus veículos: @bluebus, @bbcbrasil, @g1 e outros endereços de veículos de comunicação existentes ainda antes da nuvem de redes e do twitter bebem nas mesmas fontes internacionais que eu ou qualquer outro mortal com um mínimo de acesso e vontade de ler diretamente àqueles que produzem notícias. A diferença é que eles podem ou não dar os créditos para o que blogam ou twittam. Eu prefiro abelhar - como disse - porque, como defensora de quem foi lá, fez a matéria, postou e tudo o mais, posso até repassar o conteúdo, mas sempre dando a César o que é de César.

De qualquer forma, ficou 250% claro que o twitter - em que mídias como Wall Street Journal, Times, The Economist, The Guardian, a própria BBC World, CNN e mesmo a Info e tantos outros veículos que twittam suas manchetes, chamando para seus sites de notícias leitores do mundo todo, é o grande pauteiro da imprensa brasileira.

Graças a este ambiente todo tem sido possível o desenvolvimento de aplicativos em tempos cada vez mais curtos - tem sido possível juntar pessoas de países, línguas, culturas tão diferentes, mas com objetivos tão comuns - para criar novas ferramentas, para mudar o mundo. Imagine que existe um aplicativo que calcula quantos twittes os brasileiros dão por segundo: são, em méda 7! Por segundo! É uma loucura. Tirando certo percentual de abobrinha, tem muita gente tuittando e retuintando conteúdo de qualidade para ajudar neste processo. No mundo todo, o tráfego do twitter explodiu 15x para 44,5 milhões, em Junho, segundo a comScore.

E assim, blogosfera e redes semânticas vão se multiplicando em progressões que, a esta altura, já ultrapassaram as conhecidas geométricas que aprendemos na minha época de antes do segundo grau (rs!)

Para que todos os mortais entendam e cada vez mais - como isso já funciona e como muito em breve tudo isso vai mexer com o cotidiano - senão o nosso - dos nossos filhos e netos, aqui vai um upgrade do vídeo que postei há poucos meses sobre a web 3.0.

Apesar deste não estar traduzido (porque é bem recente), as figuras bastam para quem não domina o inglês ter uma noção bem marcante do que significa tudo isso.

O reconhecimento de voz

E, linkando este post ao de ontem (suitando, como se diz em bom jornalismo), imagine a rapidez com que tudo isso pode acontecer se os comandos para que estas maravilhas ocorram vierem de aparelhos que passem a reconhecer nossa voz? Mas nada em inglês, não. Falo do bom português. Ideal seria o brasileiro, mesmo. Mas já me darei por satisfeita se, aproveitando a carona da recente mudança ortográfica que uniu países de Língua Portuguesa de vários continentes, nosso Governo pensar em criar uma política de tecnologias de reconhecimento de voz para computadores. Seria um mérito e tanto para este Governo que se diz tão pró-povo, que tanto cobra das empresas ações politicamente corretas, mas que não criou ainda uma política clara sobre isso e que beneficiaria tanta gente. E deixo clara minha visão de que não falo de pessoas com habilidades especiais, não. Estas se beneficiariam também. Falo, sobretudo, de qualquer brasileiro que sabe que o futuro é a tecnologia sem teclado.

Aproveitando o modismo do pio do pássaro azul, #prontofalei.



Future Internet Video from Castemelijn on Vimeo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Confusão de direitos autorais faz usuários ingleses ficarem sem o Youtube Premium

A notícia foi veiculada tem pouco mais de 12 horas, pela BBC britânica e pelo jornal The Guardian. O Youtube restringiu os vídeos de grandes gravadoras, os considerados “premium”, aos usuários ingleses. E o motivo recai sobre uma confusão das diretrizes autorais dos artistas, segundo publicou o Google, dono do portal, em seu blog: “Valorizamos a criatividade dos compositores e trabalhamos duramente para que recebam um lucro significativo pela transmissão de seus trabalhos pela internet.” Porém, o Google reclama da ganância da PRS (Performing Rights Society), instituição que organiza e representa os direitos autorais dos artistas, bem como dos valores cobrados de suas obras. “Ela está nos pedindo uma quantidade muito acima do antigo acordo, o que não nos podemos permitir", justificou.

Representante da maioria dos artistas do Reino Unido, a PRS já se manifestou por meio de nota do seu executivo, Steve Porter, em que lamenta o ocorrido e acusa o Google de querer inchar seus faturamentos e que o acréscimo na cobrança se deve ao aumento monstruoso da audiência do site. Porter afirma ainda que esta decisão do Google só prejudica os usuários e compositores que eles representam. O Youtube diz que o bloqueio é temporário, mesmo com a continuidade das negociações com a PRS, que devem se intensificar.

De qualquer forma, os vídeos que não podem ser vistos são apenas os inseridos pela gravadora; os usuários continuam com a possibilidade de colocar e assistir qualquer um que queiram. (Por Liliane Rodrigues)