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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Nasce a plataforma de negócios online Mimbo

A primeira rede brasileira de negócios com viés para a sustentabilidade terá game para integrar participantes. O recurso entrará em operação em breve e vai promover a plantação de árvores.

Um ano e dois meses depois de sonhos, muitas dúvidas, exaustivas horas trabalhadas, inúmeras saias justas em família e especialmente a abertura e disponibilidade para contatos com gente que nada tinha a ver com seu universo original, e a advogada e empresária do ramo de marcas e patentes, Alessandra Saigali, cortou o cordão umbilical: nasceu, com pompa, glória e na presença de pesos pesados do universo do crowdsourcing, da economia criativa, do empreendedorismo e de redes sociais, a Rede Mimbo.

O lançamento oficial aconteceu ontem, dia 3 de abril de 2012, num encontro marcado via Facebook que reuniu mais de 50 pessoas no auditório da ESPM, em São Paulo, palco, conforme já publicado neste blog, de discussões, painéis e apresentações ligadas ao empreendedorismo.

Foi a primeira vez em que assisti a um Gil Giardelli curador e anfitrião, já que grande parte do empreendimento consolidou-se durante seu curso ministrado naquela instituição para a então aluna Alessandra.  Agora coworker na empreitada de criar um ambiente colaborativo e gerador de negócios com responsabilidade social, visando, inclusive ao cuidado do planeta - a cara dele - Giardelli abriu a cerimônia mostrando o vídeo criado pela sua agência sobre o ambiente (abaixo), explicando detalhadamente a rede.

Otimista, parafraseou um editor do The Economist, dizendo não ter dúvidas sobre o próximo Mark Zuckerberg sair do Brasil. "Precisamos trocar o hiperconsumismo pela colaboração humana e isso exige metamorfose", disse, para depois completar que já estamos em fase de transição: do storytelling ao storybuilding.

O que se seguiu foi um a um, Diego Remus, editor da Statupi e diretor para o estado de São Paulo da Associação Brasileira de Startups, falando de empresas que estão começando seus negócios, Marina Miranda, sócia da Mutopo do Brasil, tirando todas as dúvidas sobre crowdsourcing, e Adolfo Melito, à frente do Instituto da Economia Criativa, da Fecomércio, apresentando conceitos de economia criativa. Tudo bastante bem orquestrado em 15 minutos para cada palestrante, com direito a debate no final.  Não sem antes a própria Alesandra contar como foi a criação da rede, seus maiores desafios e dores de parto da nova vitrine de produtos e serviços.

Quem participar da rede, vai, por meio de um game especialmente criado para integrar os usuários, ajudar na plantação de mudas de árvores. O dispositivo ainda está em fase de testes e alia consciência ecológica ao propósito de sustentabilidade na qual a rede está montada. O nome Mimbo remete ao empresário antenado, moderno e preocupado com seu entorno; ou seja, como a própria Alessandra Saigali, empreendedora nata, que comemora o lançamento da Mimbo depois de tornar-se pioneira na criação da primeira ferramenta de e-commerce de marcas e patentes do mundo, o Certfica Expresso.  É, ela própria, uma rede pioneira e lançada com muita honestidade. A +Mosaico Negócios & Comunicação já está lá. E sua empresa, ou você, quando vai entrar?

Creme de la creme


"O futuro já chegou, só está mal distribuído". A frase, de Willian Gibson, foi aquela na qual Diego Remus, jornalista econômico e diretor do site startupi, inspirou-se para definir a rede.
Marina Miranda: "O crowdsourcing vai cada vez mais fazer parte do cotidiano do negócio como ferramenta estrutural, a exemplo do que ocorre já com Lego, Google e Proctle & Gamble, cuja metade dos novos produtos nasce de plataformas de crowdsourcing, nas quais os clientes sugerem o que quer, vota e melhora o que já existe". 
"Criatividade + inovação, sustentabilidade + responsabilidade social, foco + simplicidade e velocidade + disciplina são conceitos de empresa inserida no cenário da economia criativa", ensinou Adolfo Melito

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Quanto você quer pagar pelo século XXI?

O câncer de útero, o silêncio de Chernobyl, as vítimas do Haiti e os possíveis cenários econômicos – o final, quem decide é você!

Um e-mail sobre o uso de amianto nos absorventes higiênicos, um documentário sobre Chernobyl mais de 20 anos depois da tragédia, a tragédia do Haiti com meu engajamento com a causa e um vídeo que, além de um resumo sobre a economia do século 20, faz um exercício de futurologia sobre os vários cenários econômicos que ainda poderemos escolher mediante nossas ações daqui em diante.

O que estas quatro coisas poderiam ter em comum? A princípio nada, mas elas têm sim – e muito. E como foi bom encontrar este vídeo e ouvir uma espécie de eco não somente ao que postei como resposta-desabafo a quem me enviou o e-mail, como à minha atitude de arregaçar as mangas e sair buscando informação, tendo nas mídias sociais uma forma de divulgar como as pessoas poderiam ajudar os sitiados do Haiti – assim como eu pude fazê-lo.

O câncer nosso de cada dia
Tudo começou via o tradicional e-mail. A informação veio numa apresentação em slide show de Power Point, como muitas das que recebíamos ainda na era da web 1.0. Era sobre a incidência de câncer de colo uterino pelo uso de absorventes internos em função da indústria farmacêutica utilizar amianto nos produtos para estancar o sangramento. Daí, integrar o assunto sobre o câncer de Chernobyl foi apenas um complemento para minha resposta-desabafo – cujos principais trechos eu copio a seguir. O que mais me choca a respeito de Chernobyl é o silêncio sobre o tema. Mesmo na recente Conferência das Nações Unidas, realizada em Copenhague, lembro que se falou de aquecimento global, de energias renováveis, mas nada sobre isso. Gostaria de saber o motivo.

Em meio a tudo isso, aconteceu o terremoto no Haiti – o país mais pobre de toda a América Latina. As cenas mostradas nas Tevês, com a falta de água, além de toda a tragédia em si, foram desoladoras. Eu não me contive, simplesmente.

O Haiti não é aqui – lá, é bem pior
Desde ontem, quando as várias mídias começaram a divulgar as primeiras imagens e notícias sobre o Haiti, pensei: “Cada um pode tomar uma atitude”. Usar o Twibbon, claro, foi apenas simbólico.

Depois de dar um #RT num gringo que mencionou as várias instituições que poderiam receber doações, encontrei minha forma de agir. Como ajudo a ONG Médicos sem Fronteiras, adquirindo, desde o ano passado, o seu calendário, fiz minhas apurações – mínimas – para prestar informação e minha solidariedade, ainda que a doação fosse pequena. Twittei, retwittei, facebookeei, usei a mesma mensagem no Linked in, depois mandei e-mail (sim, por que não?).

Por fim, o vídeo sobre o que nos reserva o século XXI – que tomo a liberdade de reproduzir também. Oriundo de um tweet de hoje, do pessoal do site http://www.litmanlive.co.uk/2010/01/are-you-ready-for-the-21st-century-video/, me permitiu fazer a costura com o jornalismo e as mídias sociais e assim, adaptá-lo para este espaço aqui.

Are You Ready for the 21st Century ? from Michel Cartier on Vimeo.



DeVANYeios
A seguir, reproduzo trechos da minha resposta-desabafo quanto à questão do uso do amianto em absorventes higiênicos, que vale para outras coisas também.

nojo, revolta, absurdo, anarquia, revolução = mídias sociais!

Não é à toa que as pessoas, lá pelas tantas, resolveram dar seu grito de guerra com o uso do e-mail, twitter, Gtalk, YouTube e #whatever (porque a cada dia surge uma novidade mais incrementada!).

Cada um do seu jeito tenta falar alguma coisa. Há quem queira nos dizer que o mundo endoidou, que agora tudo é #teoriadaconspiração... Mas será que, na verdade, não será o desmascarar da sociedade hipócrita que criamos? Ou que criaram para nós? Ou - pior - que ajudamos a criar com nosso silêncio, nossa falta de participação política - com a desculpa de que "os políticos são corruptos, então, nem me meto, nem me importo com a questão..."?

Eu não tenho dúvida de que somos responsáveis - de alguma forma, por isso. Se a sociedade se tornou consumista, é porque damos trela a isso.
Se existe a 25 de março é porque compramos nela e alimentamos toda a cadeia que dela engorda - não importam os motivos ou as desculpas por detrás disso.

A geração que nasceu em 40 e viveu seu apogeu em 60 rasgou sutiãs em praça pública e pegou em armas. Muitos morreram - em vão? Sim, e não.
As gerações que vieram depois acabaram com o comunismo, ratificaram o capitalismo e hoje são vítimas dele - estamos - nós, baby boomers, com 40/50 anos na cara, sem empregos, quase todos empreendedores de nós mesmos, tendo que nos reinventar todos os dias, e consumindo tudo isso que nos impõe as multinacionais que ontem eram nossos empregos...

Quem não trabalhou ou tem algum parente que tenha trabalhado na Johnson & Johnson ou na Danone? Você sabe o que é o Dan Regularis? A exemplo desse e-mail, recebi outro que diz, “numa linguagem curta e grossa” se tratar de “um conjuntinho de cocô ativo que, misturado ao cocô parado no intestino, faz a ‘turma que acaba de chegar’ empurrar, literalmente, os preguiçosos para túnel à frente até chegar ao destino”.

Claro que tem brincadeira e mentira nas mídias sociais, tem quem apenas esteja lá para ser o #bobodacorte (eu mesma brinco de vez em quando, porque #ninguémédeferro!). Mas há hora para tudo!


A esta altura, já nem sei mais se é a arte que imita a vida ou se é a vida que imita a arte. Mas o filme "O dia depois de amanhã" já é hoje, já que na Noruega, nesta 2ª. Feira, fez – 11º C e, salvo as besteiras exageradas, quem não garante que “2012” já não esteja mesmo acontecendo bem debaixo de nossos narizes?

As vilas no entorno de Chernobyl passado tanto tempo depois do desastre estão abandonadas. Quase todos os jovens que nasceram à época hoje estão simplesmente tirando a tireóide com diagnóstico de câncer, sem sequer saber para não pirar! É proibido bebês nas redondezas e os índices de radiação são imensos por lá até hoje.


Ainda hoje nascem bebês defeituosos a um nível que não existe cura ou possibilidade de transplante ou jeito de salvá-los. Eles são simplesmente deixados numa espécie de creche... para viverem até onde for possível a eles... verdadeiras “aberrações”. Então, minha vez de passar um vídeo - e isso não é novo e é VERDADE:



Bottom-line
Se quisermos deixar um legado menos tortuoso para nossos filhos:

Precisamos ser mais conscientes e agir – e não para posar de bonitinho - para fazer nossa parte no mundo melhor que queremos para nós e para nossos filhos e netos.

Precisamos diminuir o uso de sacos plásticos e levar nossas próprias sacolas, caixas isopores o que for para ajudar a diminuir o índice de poluição que entope os bueiros (também!) e cobrar isso também de nossos fornecedores e parceiros.

Ao ir a um médico, precisamos checar suas credenciais para evitar morrer em sua mesa como aquela moça que fez hidrolipo.

Devemos – jornalistas, blogueiros ou não - checar sobre o que consumimos em remédios, produtos de limpeza e higiene etc., e buscar cobrar de nossos fornecedores – e não apenas comunicando, mas deixando de consumir porcarias, boicotando, mesmo – qualidade de insumos, modo de fabricação, produto final e preço.

Somos parte de uma cadeia na qual os nossos clientes nos testam e nos exige qualidade e postura. Devemos também exigir de nossos parceiros e fornecedores a mesma coisa. Eles realizam ações de sustentabilidade? Quais? Utilizam tecnologia verde? Como?

Recicle, reutilize, reforme, refaça seus conceitos. Pela primeira vez, na história da humanidade, o poder de voz está nas nossas mãos. Mas não devemos empregá-lo de forma errada. Nem só criticando, nem calados além da conta, muito menos numa postura de necessidade paternalista – como é bem afeito ao povo brasileiro, que adora um discurso populista. Se assim o fizermos, acabaremos perdendo o trem da História; a fila vai ter andado e o Brasil, que finalmente entrou na Agenda Mundial, pode perder o rumo e ficar para trás. Com ou sem você!