segunda-feira, 16 de março de 2009

Porque eu defendo o diploma


A partir de hoje, o mosaico social vai abrir espaço para alguns defensores da causa pró-diploma explicarem, em poucas palavras, porque vale a pena cuidar pela manutenção do curso superior de jornalismo e da regulamentação da profissão. Abaixo, a defesa de um colega muito especial, porque, além de professor, ele é um defensor contumaz do estágio! Multifacetado, também é poeta, escritor e gourmet de mão cheia, especialmente de churrascos. (Foto de Sonia Mele)

"Os cursos de Jornalismo são tão importantes quanto os de Medicina, Engenharia ou qualquer outro curso superior. Muitas pessoas dizem que para ser jornalista basta saber escrever, pensando que só ser alfabetizado é o suficiente. Fica a pergunta: será que quem acha isso do Jornalismo faria uma delicada cirurgia com um curandeiro ou moraria em um edifício projetado por um mestre de obras? Duvido. É na universidade que todas as áreas do conhecimento humano são sistematizadas, passando por estudos aprofundados que contribuem para o seu desenvolvimento e aprimoramento, além de formar os novos profissionais sob a ótica da ética.
As grades dos cursos de Jornalismo devem contemplar disciplinas que ofereçam uma ampla formação humanista, possibilitem o desenvolvimento do espírito crítico e habilitem os novos jornalistas a atuarem de maneira consciente em todas as mídias. Isso sem esquecer das novas tecnologias que, hoje, desempenham um papel fundamental no Jornalismo.
Já o Sindicato dos Jornalistas pode e deve se tornar no instrumento unificador da categoria, valorizando os profissionais e defendendo o nosso espaço de atuação que muitas vezes é usurpado por pessoas que muito pouco ou nada tem a ver com a profissão." Franklin Valverde

Bacharel em Comunicação Social pela PUC-SP, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, edita a revista virtual www.ondalatina.com.br , dedicada a cultura & etc. Atualmente é um dos editores do K - Jornal de Crítica, tendo já trabalhado no Jornal da Tarde, Folha da Tarde, Veja São Paulo, Brasil 2000 FM, O Estado de S. Paulo, além de ter colaborado com inúmeras publicações. Foi editor das revistas Churrasco & Churrascarias e Viva Gourmet. Como poeta, atua na área da poesia experimental, tanto visual como sonora, além de realizar poemas-objeto. Participa de exposições de poesia visual no Brasil e no exterior. Por fim, foi professor e coordenador do curso de Comunicação Social, habilitações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda, da Universidade São Marcos.

3 comentários:

Paulo Rená da Silva Santarém disse...

A fala dele pressupõe que, assim como na medicina, o ensino do jornalismo é capaz de moldar a prática do profissional. Se fosse assim, nosso jornalismo não deixaria tanto a desejar.
É importante sistematizar o conhecimento, mas muito mais essencial é permitir que ele se desenvolva de form livre e democrática. As redações de jornal, especialmente das grandes mídias, permitem isso? Creio que não.

mosaicosocial disse...

Paulo,

Amanhã, postarei a minha fala, na verdade, todo o teor da minha contribuição enviada ao MEC sobre a importância do Curso Superior de Jornalismo. E, como o Franklin, eu creio que a faculdade, de certa forma, molda, sim, o profissional. Ajuda, pelo menos, como a educação de casa, a escola moldam, e o meio, depois, ajusta ou desajusta.
Eu acredito que o buraco é mais embaixo - e no caso dos jornalistas, por sermos profissionais vinculados a empresas que não necessariamente estão interessados em seres independentes e pensantes como funcionários, a coisa se delineia de forma diferente.
Por outro lado, tem ocorrido uma certa "PJ"tização de nós, jornalistas, seja em algumas redações, e em empresas de Comunicação, para que seja possível a elas exercerem o trabalho e fugir de pagamento de impostos sociais, que no Brasil são altíssimos. Por isso, eu vejo aí, neste "estrabismo" uma brecha para a independência, de certa forma. Em meu e-mail ao MEC, cheguei a sugerir cadeiras adicionais de Advocacia e Empreendedorismo (negócios e vendas, mesmo!), para que o jornalista sobreviva sem que esteja vinculado às grandes mídias e tenha que se submeter a determinados absurdos que os têm colocado em saias curtas a ponto de haver questionamentos de toda ordem e de todas as partes da sociedade. O tamanho do "imbroglio" é realmente muito grande.
Vale a pena baixar o livro gratuito que a Fenaj colocou à disposição em seu site se o assunto lhe interessa, porque nele você tem a visão do enpresariado, na voz de Mino Carta, a da Fenaj, a de jornalistas e tem como ter um panorama deste problemão. Porque antes de ler o livro, eu confesso, também cheguei a questionar se era o momento, com as novas mídias, de abrir o mercado e deixar o jornalismo cidadão simplesmente substituir-nos. Mas vi que eles podem existir como terapeutas alternativos convivem bem com a medicina tradicional, num trabalho complementar, mas nunca substituindo um ao outro.
A mediação de um bom jornalista capaz de fazer um presidente abdicar, de jornalistas que apuram matérias, escrevem seus próprios textos e não apenas repetem o que ouviram de fontes preparadas por seus assessores ou releases bem escritos, isso nunca virá do jornalista-cidadão, entende?
Mas enquanto aqui Tevês e Jornais forem moedas de troca entre políticos e fontes de poder, ou jornalistas continuarem sendo perseguidos e até mortos por "meterem o bedelho" por descobrirem trabalho escravo, vai ficar difícil haver independência - porque o Estado não vai defender o jornalista, o povo tem medo e os veículos vao retrair com medo de perder a renda proveniente da quase única fonte de renda que lhes resta - a propaganda de quem emprega este eventual trabalho escravo. Se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come.

Paulo Rená da Silva Santarém disse...

Mas Vany, sobre esse uso das Pessoas Jurídicas, eu apenas enxergo uma sucatização das relações de trabalho. As empresas cortam custos e os empregados (a título de garantirem melhor ganho hoje) perdem a seguridade social para o futuro.

Não acho que se possa enxergar nisso uma independência, a não ser que se trate de efetivos profissionais autônomos, freelancers, o que acho muito improvável: quantas PJs há nas grandes redações? E não tem nenhum empregado? Sei...

Acho que o diploma pode e deve ser visto como uma capacitação especial. Eu como empregador, tenho duas opções de empregados e um traz um diploma o outro não. Vem o diplomado. Agora eu, como jornalista sem diploma, ser impedido de trabalhar, ou depender da simples assinatura por alguém com diploma, acho uma distorção da realidade injustificável.

Não que isso se limite ao jornalismo, mas acho que se a informação é um direito social, a comunicação deve ser fomentada, não tolhida. Se diploma não assegura nada no exercício da profissão, que na prática os diplomados se diferenciem e aí se construa uma obrigatoriedade de fato, e não apenas legal.