segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mídias sociais: a pororoca entre reacionários e revolucionários. O caso da aluna da Uniban e os anônimos defensores de Lula no blog do Noblat

Parafraseando o "colega de redes" e especialista em Marketing para Mídias Sociais, Nino Carvalho "quando passamos grande parte do tempo twittando, estamos trabalhando, sim". Provocamos reações ou estamos buscando respostas, retwittando informações e links de notícias importantes, acompanhando eventos, conversando com pessoas com as quais não teríamos a chance de "conhecer" se não fosse o twitter, fazendo pontes entre outras que querem se "falar" ou apenas... estamos observando! Isso eu faço o tempo todo - faz parte do processo final pelo qual meus estudos sobre as mídias sociais está passando agora. Observo as pessoas e seus comportamentos no twitter e em outras mídias também - até porque o twitter é ponte para várias outras.

Liberdade de expressão e responsabilidade sobre o conteúdo

Já abordei a liberdade de expressão várias vezes aqui neste espaço, mas nunca sob este ângulo: a tomada de consciência da possibilidade de interação por gente que antes não falava, não reclamava, não opinava, não reagia e que, de repente, está fazendo tudo isso, mas de uma forma muito estranha. Este divulgar, escrever, está virando um gritar e até "vomitar" como se toda esta carga de opinião estivesse, mesmo, contida por muito tempo. E isso tem ocorrido de uma forma tão avassaladora e descontrolada, que assusta.

Não se trata apenas daquelas dimensões hiperbólicas, superlativas, tsunâmicas, das quais falavam os autores do livro Groundswell não. É mais que isso - é um movimento local, brasileiro porque envolve o tão propalado acesso das classes C e D à internet - com a inclusão social promovida pelo governo Lula. Nada contra, diga-se de passagem, desde que se mantenha o respeito. E não é o que eu tenho visto, ouvido, acompanhado em eventos, noticiários e agora vídeos, blogs, twitter e outros locais da chamada mídia social.

Geisy x 2 mil alunos reacionários da Uniban

O caso da moça do vestido rosachoque justo da Uniban é emblemático. Tomou proporções acima de qualquer expectativa. E a onda começou com os próprios alunos, quem diria. Numa atitude reacionária, dentro da faculdade, eles começaram a atacá-la. De lá para filmes de celulares postados no YouTube e logo retransmitidos em Orkut, Facebook e Tweeter, foi um espirro.

A mídia tradicional acompanhou o desenrolar a semana toda, até que a aluna acabou expulsa da universidade, gerando nova onda de protestos, desta vez da sociedade civil. Agora, jornalistas, artistas, professores, advogados profissionais liberais, todos unidos ou sozinhos - passaram a opinar sobre a reação desenfreada dos alunos, a decisão claramente machista da universidade e sobre o direito de defesa da vítima, a moça. No dia seguinte a sua expulsão, até artigo de repúdio à decisão da universidade já circulava na Internet com mais de 2 mil assinaturas, quando eu mesma linkei o documento para referendar meu desagravo, lá pelas 15h, já usando minha fita rosachoque em meus apelidos no Twitter e no Facebook.

Manifestos a favor e contra vinham de todos os lados. O clima que se formou foi o de uma guerra civil midiática. E um cidadão, que chamou os alunos de revolucionários, aproveitou o episódio para atacar os professores que incitam os alunos ao comunismo (!?), bem na data em que se comemora os 20 anos de queda do Muro de Berlim! Está tudo aqui, neste vídeo, também postado no Youtube.



Sobre este caso, o que fica? A gente ainda não sabe - a Uniban, que hoje mesmo teve outro caso divulgado no BlueBus, parece estar voltando atrás na decisão da expulsão.

A moça, por sua vez, teve sua auto-estima abalada. Quem a viu em sua primeira entrevista no Fantástico, firme em seu direito de vestir o que bem lhe caísse no gosto, e ontem, de preto até o pescoço, assumindo certa dose de responsabilidade sobre o ocorrido, deve ter tido pena dela.

Minha opinião é a de que ela não foi pelada, não atentou contra o pudor, não foi sequer de biquini. Foi com uma roupa colada, sim. Imprópria? Talvez. Mas, e daí? E o que falar dos homens que se coçam na frente de todos ajeitando o "bráulio" sabe-se lá por que motivos não mais de uma vez? Ou que literalmente abrem suas braguilhas e fazem da rua mictório público em qualquer hora, do dia ou da noite, para se aliviar? Que falso moralismo é esse? Homem pode pôr o dito cujo para fora, mas mulher não pode vestir nada colado? Gente, Marilyn Monroe foi mito e isso nos anos 50, 60... e estamos no século XXI!


Sobre sermos chamados de "eles" por Lula

Muda a cena - entra o artigo que li da Danuza Leão no Blog do Noblat, sobre sua decepção acerca do primeiro governo Lula, de como ela votou nele (ela, eu, todo mundo e o Zaqueu e aí...se arrependeu!) e o artigo, bem ao estilo Danuza-de-sempre, não tinha nada demais, estava muito bem escrito e retratava, com bastante fidelidade, o que havia acontecido com o nosso Presidente e como ele passou a tratar a imprensa que começou a censurar e as pessoas que deixaram de segui-lo, e bla bla bla. Eis que o que me chama a atenção é a quantidade de comentários sobre ele (artigo!) - 145. Curiosa, me pus a lê-los. Credo, o que era aquilo! Quem se dispuser a fazê-lo vai se horrorizar - é de ficar chapado/a, como eu fiquei e transmiti o recado esta manhã ao jornalista, via twitter. As pessoas se xingam, trocam verdadeiras ameaças. Aquele espaço virou mesmo um palanque político quando, duvido, tenha sido esta a intenção, pelo menos da Danuza ao escrevê-lo - já não sei a do Noblat, de divulgá-lo em seu blog.

O fato é que esta coisa de o poder da comunicação estar cada vez mais na mão das pessoas tem - como toda moeda - os dois lados da questão: as reações sejam revolucionárias ou reacionárias, se encontram e formam a pororoca nas mídias sociais interativas! E tornam-se estratosféricas, barulhentas, sem controle. No que isso vai dar, especialmente se estamos às vésperas de ano eleitoral? Eu não sei.

O que eu sei é que nas mídias tradicionais e mesmo nos blogs, como os de Noblat, artigos e matérias têm assinaturas, rostos. As pessoas assinam suas matérias, responsabilizam-se pelos seus conteúdos. Agora, e quanto aos que comentam? Muito do que eu li são ataques originários de apelidos como "Liga da Justiça", "A Bem da Verdade"... por que estas pessoas não se mostram, não aparecem, continuam no obscurantismo?

A democracia no Brasil tem muito o que crescer. O bullying está por toda parte. E a retórica está no auge. Se todas as pessoas têm realmente têm o que dizer e "na maior moral", por que se escondem atrás de um pseudônimo?

O Brasil tem que mostrar a cara! Usar as mídias sociais, sim, mas se for para comentar, falar de peito aberto, com nome, sobrenome, CPF e fotografia também. "Sem medo de ser feliz" - ou não é esse o bordão que Lula usou para chegar lá?

2 comentários:

Marcos Dutra disse...

Acredito que não possamos comparar a atitude da moça da Uniban com o rapaz que mija na rua. Mijar na rua é falta de educação, uma atitude comparável seria a moça que enfia o dedo lá na Bráulia para puxar a calcinha.
O que a moça fez é provocaçào sexual. Vivemos em uma época em que o politicamente correto nos faz cegos às realidades da vida: para o Dove, gorda é bonita, para a Caras, Suzana Vieira é mais gostosa que menina de 20 anos. Para os jornais, a moça pode andar de saia curta e levantar a saia de propósito nos corredores e nada deveria acontecer. É o mundo do faz-de-conta.
É uma pena que o feminismo tenha se degenerado nisso: a moça não é famosa por ser a primeira da turma ou por um projeto interessante, é famosa por ficar seminua.
O rapaz do vídeo traz pontos muito interessantes. Se eu pago para meus filhos estudarem, não gostaria que o ambiente fosse o de carnaval ou de bordel. Escola deveria ser um lugar sério. Nada justifica a selvageria dos rapazes (e moças) da escola, mas a moça seminua deveria ter sido mandada sim para a casa para se vestir adequadamente, como aconteceria em uma empresa.
Em relação ao comunismo não existir mais...na semana passada Dilma, toda de vermelho, e Lula estavam no congresso do Partidão em SP. Nunca se viu tantas leis e influências comunistas como hoje no Brasil. Os professores das universidades têm sim uma cartilha comunista. De uma lida no site www.olavodecarvalho.org

mosaicosocial disse...

Marcos, sei que está um pouco atrasada minha resposta. Confesso ter ficado meio abismada com esta coisa de cartilha comunista no Brasil...

Ainda que sejam de naturezas diferentes o populismo de Lula e o princípio que rege o comunismo, eu realmente achei que depois de tanta coisa que já aconteceu em todo o mundo, isso teria avançado para algo mais "moderno". Mas meu comentário não é sobre política ou apoios de Dilma para se eleger.

Concordo que todo e qualquer ambiente mereça seu código de conduta ou vestimenta, de alguma forma - mas a moça não atentou contra o pudor, não e continuo defendendo-a no sentido de que ela poderia ir de saia curta, sim. Ela não saiu sem calcinha, não a mostrou para as pessoas. Acho que o nosso povo é de um machismo secular apressadamente conclusivo, ainda antes de apurarem-se verdadeiramente os fatos - caso contrário, imagino, a própria Universidade não teria voltado atrás em sua decisão.

Que o ambiente universitário deva ser um local de respeito, concordo - e eu não pagaria para meu filho estudar lá, não. Faria uma escolha mais apurada de um local melhor, com certeza. E aí, não reinventarei a roda, mas passo a bola para o colega Flávio Gomes, que soube exprimir melhor o sentimento que eu, agora, enviando seu link, assino embaixo. http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2009/11/09/a-moca-a-saia-a-faculdade/

Abs,

Vany Laubé