sábado, 9 de janeiro de 2010

O eterno recriar das mídias sociais como resultado da tecnologia e da criatividade

Uma das coisas que mais me surpreende neste mundo das mídias sociais é a infindável capacidade de geração de coisas novas seja sobre tecnologia, arte etc, ou a junção de várias delas para gerar um novo olhar sob algo que já foi estrondosamente edificante em outro século, em outra era. Um ângulo antropológico, que acrescente graça, um colorido diferente, que une gerações e gostos diversos, perpetuando a música, fazendo-a ecoar e viralizar.

Como neste mundo, um post no twitter pode levar a um vídeo no Youtube, que, por sua vez, gera uma curiosidade que nos faz pesquisar em outros locais, eu encontrei este material, relativamente recente (de dezembro). Arte pura, magia, emoção. Brincadeira para crianças de todas as idades feita por adulto de verdade, seriamente comprometido com tempo, qualidade, todos os quesitos de direção e arte.

E como este blog tem agora de tudo um pouco, por que não, pensei? Entre um post e outro, segue um breve e delicioso recreio, do qual, tenho certeza, Fred Mercury teria orgulho e certamente entraria na roda dos muppets para curtir com eles esta Bohemian Rhapsody. Curta e, se quiser, deixe seu comentário.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O que foi 2009? Veja e comente

Um ano de muitas emoções, algumas muito boas, outras nem tanto - especialmente aqui no Brasil - que certamente não entraram neste vídeo por razões mais que óbvias. Uma delas (acho que não dá para esquecer), foi a campanha #forasarney, que não teve o grau de mortalidade eficaz para que o vírus, por mais que se espalhasse, tivesse o fim desejado - mas certamente foram 365 dias para se lembrar como o ano em que as mídias sociais definitivamente #bombaram!

E, como um vídeo tipo "milestones" (linha do tempo) é bem mais legal de se ver, faço dos "rabiscos", como ele mesmo postou em seu blog, parte de um resumo de 2009, pelo menos em linhas gerais mundiais, pelas mãos de Rob Cottingham, do Canadá. Divirta-se e comente:

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quatro princípios das mídias sociais que são coringa para todos os relacionamentos



Neste ano, muita coisa foi abordada neste blog. O objetivo inicial, ao ser criado, foi o de discutir o impacto das mídias sociais sobre o Jornalismo e a Comunicação Empresarial. Mas, ao longo do tempo acabou incluindo outros assuntos decorrentes, revelando joio e trigo deste mundo de relacionamentos 1.0, 2.0, 3.0 e como continua sendo importante o que chamo de zero.zero, ou seja o olho no olho, o pessoal, o cara a cara.

No tempo em que venho escrevendo, jornais fecharam suas portas em todo o mundo, profissionais optaram por outras formas de trabalho ou se adequaram para conviver com as novas ferramentas, plataformas, redes e comunidades por questão de sobrevivência. Por sua vez, os patrões - e não somente os da área de Comunicação - continuam correndo atrás de respostas claras para lucrar com este universo que, a cada dia, pela espantosa velocidade da tecnologia, apresenta novidades ainda mais desafiadoras. Aqui no Brasil, voltando ao Jornalismo, após a martelada sobre o diploma e a incógnita sobre a regulamentação da profissão, a década termina com a triste realidade da retórica de um discurso sobre liberdade de expressão que arrepia por todo o histórico de vida pública e política do seu porta-voz na 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

Infelizmente, o retrocesso é inversamente proporcional a todo um avanço alcançado em outras direções. Falar em "apoio incondicional à liberdade de imprensa" depois de meses em que o OESP foi literalmente impedido de tocar no assunto Sarney - apenas para citar um pedacinho do gelo da ponta do iceberg que significa a série de episódios que marcaram as duas etapas do governo Lula e seu relacionamento com a imprensa - é, no mínimo, uma incoerência perto do que ele fez ao elevar o Brasil à pauta mundial em vários segmentos outrora esquecidos. Okay, fim do parêntesis sobre Jornalismo e, de volta ao foco do tema do último post (é que este aqui tem um certo caráter de retrospectiva, ainda que superficial).

Enquanto a “nova ordem mundial” vai tomando forma numa “metamorfose ambulante” (parafraseando o inesquecível e também lembrado este ano Raul Seixas) em progressão algorítmica (sim, porque geométrica foi da minha época), em que as gerações Y, Z certamente trafegarão com mais malemolência que as anteriores, por questões de HD mental mesmo, acredito piamente em quatro princípios que, não importa a velocidade da informação ou a quantidade de memória que o cérebro possa armazenar, associar, raciocinar, criar e multiplicar, vão estar sempre “na ordem do dia”.

Estes princípios aprendi ao longo de 2009, observando o relacionamento entre as pessoas nas redes e comunidades, comparando com os de família e associando-os às várias leituras feitas no ano. São quatro dicas que valem para todas as mídias. São, na verdade, valores de uma mente de sucesso, e começam pelo relacionamento pessoal. Por que?

Porque antes de relacionar-se com o outro, você precisa aprender a se relacionar bem consigo mesmo. Depois, então, você pode seguir para as demais pessoas no ambiente real e em todas as instâncias envolvendo plataformas, ferramentas, redes e comunidades: Vamos lá?
1) Fale sempre de forma positiva, mantendo seu “eu ideal” em alta. Se você se mantiver na condição de constante aprendiz de forma divertida e falar positivamente, vai atrair o positivo (as palavras têm poder – Are baba!). E se você se mantém divertido em casa, com a família, os amigos e os colegas, a vida se torna divertida. Vale a pena experimentar.
2) Quer ter sucesso? Então, mantenha o pensamento na mudança que precisa realizar para isso. Tudo o que conseguimos depende apenas de nós – agora, se nos mantivermos fechados, como mudar para chegar onde queremos? Então, abra a cabeça para as mudanças, aceite-as, integre-as ao seu dia a dia e “vamos que vamos”.
3) Mude você: você não pode se dar bem com todo mundo, mas pode se esforçar para se dar bem com o maior número de pessoas. Se não aceita algo em alguém e a atitude desta pessoa não te agrada, ao invés de se desgastar tentando mudá-la, que tal mudar você?
4) Viva com paixão. Estamos aqui para ser felizes – buscamos a felicidade em cada momento da nossa existência (pelo menos acredito que seja para isso que estamos aqui, a não ser que haja masoquista por opção!). Então, coloque paixão no que sente, no que faz, no que diz, no que realiza e você verá que o sucesso na sua vida – em todos os aspectos e em todos os relacionamentos, plataformas, mídias, departamentos e escalas - virá como decorrência natural destas escolhas. Porque estes princípios nada mais são que escolhas de vida. De uma vida de valor.

Feliz 2010, com muito sucesso para você! Para nós! ;D

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dez verdades que refletem os impactos sem volta no Jornalismo Mundial



Jornalista aprende na prática. Então, foi lendo (e não somente em Português, mas principalmente em Inglês), baixando arquivos, vídeos, livros inteiros, entrevistas etc., ouvindo, vendo, trocando informações com pessoas mais experientes, entrevistando os “geeks” (que passaram a entender e falar deste mundo, defendendo suas ideias e dando conselhos a respeito), jornalistas - brasileiros e do exterior -, escritores, pessoal da área de pesquisa, “evangelistas” (outra categoria destes novos tempos de pessoas que, como diz o nome, literalmente visam a catequizar sobre determinada marca) e, principalmente, escrevendo, que venho me relacionando com este mundo das chamadas mídias sociais ou socialcast, em uma contraposição ao broadcast.

Grande parte do que vim aprendendo foi dividida entre podcasts (no meu caso, dicas de como usar ferramentas – e apenas para a Rádio Mega Brasil), textos aqui no blog ou mesmo em vídeos – que não gravo, mas desço de fontes que considero fidedignas para meus estudos – e, agora, estão compartilhados no You Tube. Haverá outra, em forma de livro – este todo meu – ainda em fase final de construção.

De qualquer forma, como desafio e tentando dar uma palha do que acredito ter aprendido no ano que chamei de sabático, busquei sintetizar, especialmente para os jornalistas, um pouco deste fantástico mundo. Ele envolve diferentes tipos de ambientes, plataformas, aplicativos, linguagens, gírias e “tribos”, interagindo e trocando informações e experiências como nunca antes. Depois de 11 meses imersa ou flutuando nesta imensa nuvem, ao qual, inclusive, me linkei de forma inexorável, quase como um vício, eu destacaria 10 verdades que refletem os impactos sem volta no jornalismo.


Pluralidade

Antes, porém de entrar nelas, queria ressaltar um dos fatores mais espetaculares desse mundo, aliás, uma das exigências intrínsecas à participação dele: sua pluralidade. Ela está na forma de se relacionar com e por meio das mídias sociais.

Além da diversidade de formas de relacionamento, há um caráter de simultaneidade muito louco que cria o que o jornalista Manoel Fernandes (em posts anteriores - aqui mesmo - já chamou de "atenção parcial continuada" e que eu chamaria de "meia-atenção" ou síndrome da leitura pela metade". Isso porque trata-se de uma leitura na diagonal, que, não raro, induz ao erro. (Esta parte do texto não entrou em nenhum dos demais até agora - ver nota ao final deste post) Mas, vamos lá, aos impactos que as mídias já causaram ao Jornalismo em todo o Mundo. Claro que aqui é um resumo bem básico - ou você acha que eu entregaria tudo num só post com um livro no forno?

As mídias sociais são inexoráveis. Não tem aquela de “não adianta bater, eu não deixo você entrar”, como refrão do jingle do comercial de Casas Pernambucanas. Por isso, os jornais impressos migraram seu conteúdo para a web e diariamente – twittam, se não por meio de seus portais, via seus colunistas, as manchetes e principais notícias para manter os leitores linkados aos seus conteúdos. O diretor editorial do Grupo Estado, Ricardo Gandour não se cansa de repetir a cada evento para o qual é convidado a palestrar: “Nosso conteúdo nunca foi tão lido, mas, ao mesmo tempo, nunca se pagou tão pouco pelo nosso conteúdo”.

Sem qualquer conotação política, a frase do diretor patronal é o sintoma mais cruel das mídias sociais sobre nossa atividade. Por que ao ver o jornalista Daniel Piza perguntar todos os dias, na Tevê – “qual o valor do conhecimento”, ele está, na verdade, colocando sua cara à tapa também, para questionar, subliminarmente, “quanto vale o meu trabalho” – e o de tantos colegas – que detêm conhecimento, discernimento e todos os outros requisitos para diariamente imprimir a qualidade de conteúdo que o Estadão (só para citar um veículo de comunicação impresso) traz diariamente aos seus leitores? E, como ele, os demais profissionais que sustentam a cadeia de um modelo de negócios que, até o surgimento das mídias sociais, era o que garantia grande parte dos empregos que já não existem mais...

Porque é fato 1: O jornalismo impresso perdeu e ainda não achou um novo modelo de negócio que conviva de forma amigável com as novas mídias. E mais – se achar, cada jornal encontrará o seu.

A pluralidade das mídias sociais acabou de vez com modelos semelhantes para os mesmos mercados. Somente no jornalismo impresso, por exemplo, as seguintes propostas ainda estão em discussão:
a. Há quem aposte no fim do papel e quem continue achando que haverá os que pagarão pelo papel por hábito.
b. Há quem espera que se pague pelo conteúdo completo de matérias cujo material à disposição na web seja apenas um chamariz.
c. Há outras opções...

Fato 2: Hoje, do Oiapoque ao Chuí, de Nova Iorque a Londres, passando por outras cidades de países mais longínquos, todas as Redações trabalham com menos da metade dos profissionais que costumavam contratar há cerca de 10 anos.
As habilidades dos colegas também devem ser outras e, mesmo aqui no Brasil, uma ampla discussão envolvendo a mudança da grade do currículo foi realizada. Ser multiprocessado é qualidade sine qua non para qualquer jornalista trabalhar. Em síntese, ele deve:
a. Saber dirigir (veículo de verdade, não necessariamente de comunicação!),
b. Escrever o melhor Português – porque erro é fator de unfollow e, num processo de seleção, de fator de escolha.
c. Fotografar - se não também filmar.
d. Fazer o texto para matérias impressas, além de blogs, podcasts etc.

Além disso, as Redações passaram a contar com a figura do repórter-cidadão – enviando material via You Tube, Twitter e outras plataformas – graças à crescente mobilidade e convergência digitais.

E não devemos nos esquecer dos blogueiros. Eles têm representado uma fatia cada vez mais importante e representativa no mundo das mídias sociais – e sem essa de achar que são concorrentes. Convidados para eventos criados especialmente para eles reverberam notícias e opiniões sobre as mais novas sensações tecnológicas, entre outros importantes fatos.

Furos jornalísticos tão importantes no passado não superam a relevância da credibilidade de conteúdo nas mídias sociais. Quantidade de seguidores nem sempre significa qualidade de conteúdo. E novos medidores de resultados surgem a cada dia para provar aos investidores em mídias sociais que isso é verdade. Nas mídias sociais, faltando credibilidade, sobrarão posts negativos, tweets tipo “mimimis” além de outros resultados que, para melhorar a marca, só com muito trabalho de PR (e aí, entramos na seara da Comunicação Empresarial, que merece, por si só um artigo!).

Não confunda nuvem com fumaça. As mídias sociais são mais um mundo onde se pode ser bem sucedido, mas não é para todos, não. O conselho de que “o que é bom para uns pode não ser para muitos outros”, vale para empreendedores e jornalistas. Como já abordei em vários podcasts, sem saber objetivo, público, mensagem etc., melhor pensar duas vezes antes de se aventurar com blogs corporativos, perfis em twitter e facebook e campanhas visando viralização. Ainda que um dos bordões dos defensores das novas mídias seja o de que “se você errar, dá para consertar rapidamente e de forma barata”. Vai correr o risco?

O material deste post foi criado em primeira mão para o blog Mídias Sociais e depois, resumido para o podcast da rádio Mega Brasil online.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O início do fim



Sem pânico! Este post não tem nada a ver com desgraceiras de fim de mundo anunciadas por eras de Aquário, civilização maia ou filmes hollywoodianos. Trata-se apenas do óbvio. O ano começa a acabar.

E, ao despontar, Dezembro tem ar de epílogo. Isso porque suas atenções se voltam para as celebrações das realizações do ano e as expectativas do que será 2010. Se para as empresas americanas isso já era fato desde Outubro, por causa do ano fiscal, obrigando as áreas de Marketing a criarem seus planos estratégicos para o ano seguinte já por volta daquele mês, aqui, pelo menos, a coisa é mais ou menos assim, de última hora, mesmo - coisa de brasileiro.

Vejamos a imprensa. Se não estiver quase toda embrenhada na elaboração acelerada de seus programas de retrospectiva - televisionados ou impressos - também está, por meio de algumas publicações, premiando os maiores e melhores nas várias categorias existentes e novas, estas últimas surgidas na esteira das mídias que aconteceram com a web 2.0 e que se consolidaram ao longo do ano.

Eu, em fase final de ano sabático, encontro-me naquela fase de edição de todo o material "downlodeado", lido, impresso, estudado, rabiscado, entrevistado, anotado, gravado e (ufa!) fotografado. Resumindo: numa crise total, ampla e irrestrita. Se pudesse hibernar, fechar-me em copas, tornando-me apenas escritora, seria o Paraíso. Mas, além de multiprocessada, sou #mulher,#donadecasa, #provedora,#maecomfilhos etc..

Assim, seja para o livro das mídias sociais - que poderia virar uma enciclopédia em fascículos (rs!), de tanta coisa que cada assunto permite discorrer -, quanto para o outro, o do meu lado Vany anormal, a verdadeira personagem, em carne e osso, que teve um dia um namorado Rui, com quem não viveu as peripécias da outra - a da série - mas, certamente, tem muito em comum em micos e situações dantescas e até inéditas - e que, pelo menos, se não virar livro, pode se transformar mesmo em roteiro para continuação da série imortalizada pela fantástica dupla Torres & Guimarães (quem sabe?), o fato é que ainda tenho um caminho árduo até que o parto de cada um seja feito como quero, e não a fórceps, como são capazes, ambos, de saírem, por cumprimento de prazo. Pior, com aquela sensação de que "ai gente, será que não dava ainda pra fazer um último copy antes do prelo?".

Neste caminho, que envolveu organizar toda a sorte de material apurado, decidi compartilhar o acervo de vídeos que me inspiraram em meus estudos e, claro, nas horas de recreio também. Quase ao apagar das luzes de 2009, surge mais um canal de mídia social meu: o You Tube. E agora queria convidar você para conhecê-lo. Mas por que?

Compartilhar é uma das palavras-chave das mídias sociais e por isso este convite ou, até, presente. Lá está uma importante parte das fontes nas quais bebi de uma água pura, criada por gente muito boa, que me abasteceu durante estes meses (grande parte do material em inglês!).

São materiais riquíssimos, que, complementados com a série de entrevistas, eventos, livros e outros tantos outros textos e trocas de informações, vão dar no que der e espero ter competência para passar tudo o que aprendi e apreendi. De qualquer forma, achei que seria bacana oferecer as video-aulas para quem se interessar!

A este endereço de You Tube incluem-se os demais. Se você ainda não tem, aqui vão:

PR 2.0 (o primeiro blog - a gente também nunca esquece)

Linked In - a rede social mais profissional - Em inglês

Facebook
Twitter (que pode ser visto aqui, ao lado!)
Plaxo - Começou como uma caderneta de endereços virtual e hoje está integrada graças à semântica das redes
last.fm - rede social de música
... (aqui estão outras sem número às quais acabamos nos inscrevendo por força de circunstâncias e dos estudos, não necessariamente por uso constante)
Mosaico Pró-comunicação (o site da empresa!)
(foto gentilmente cedida por Helton Kuhnen)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Convergência - você sabe em que pé ela está?

O tempo de criação entre um vídeo e outro está cada vez menor. E toda vez que o comentário sobre o assunto surge em roda de parentes ou amigos que não twittam, olham enviezado para as mídias sociais e vêem no computador um concorrente contumaz, eu fico me achando a marciana, como se eu falasse de OVNIs, tabelas periódicas atualizadas com elementos radioativos ou a "jornerdlista" da turma.

O fato é que a convergência está aí. As informações, bombando. O blog - que tem outros vídeos sobre a evolução das mídias sociais - somente neste ano - traz a mais nova versão das tecnologias que estão revolucionando o mundo, transformando-o nos conectados e naqueles que ficarão, para sempre à margem da loucura paralela que é o mundo virtual! Acompanhe e dê sua opinião ou deixe um recado sobre como você está em relação a este mundo!

Mídias sociais: a pororoca entre reacionários e revolucionários. O caso da aluna da Uniban e os anônimos defensores de Lula no blog do Noblat

Parafraseando o "colega de redes" e especialista em Marketing para Mídias Sociais, Nino Carvalho "quando passamos grande parte do tempo twittando, estamos trabalhando, sim". Provocamos reações ou estamos buscando respostas, retwittando informações e links de notícias importantes, acompanhando eventos, conversando com pessoas com as quais não teríamos a chance de "conhecer" se não fosse o twitter, fazendo pontes entre outras que querem se "falar" ou apenas... estamos observando! Isso eu faço o tempo todo - faz parte do processo final pelo qual meus estudos sobre as mídias sociais está passando agora. Observo as pessoas e seus comportamentos no twitter e em outras mídias também - até porque o twitter é ponte para várias outras.

Liberdade de expressão e responsabilidade sobre o conteúdo

Já abordei a liberdade de expressão várias vezes aqui neste espaço, mas nunca sob este ângulo: a tomada de consciência da possibilidade de interação por gente que antes não falava, não reclamava, não opinava, não reagia e que, de repente, está fazendo tudo isso, mas de uma forma muito estranha. Este divulgar, escrever, está virando um gritar e até "vomitar" como se toda esta carga de opinião estivesse, mesmo, contida por muito tempo. E isso tem ocorrido de uma forma tão avassaladora e descontrolada, que assusta.

Não se trata apenas daquelas dimensões hiperbólicas, superlativas, tsunâmicas, das quais falavam os autores do livro Groundswell não. É mais que isso - é um movimento local, brasileiro porque envolve o tão propalado acesso das classes C e D à internet - com a inclusão social promovida pelo governo Lula. Nada contra, diga-se de passagem, desde que se mantenha o respeito. E não é o que eu tenho visto, ouvido, acompanhado em eventos, noticiários e agora vídeos, blogs, twitter e outros locais da chamada mídia social.

Geisy x 2 mil alunos reacionários da Uniban

O caso da moça do vestido rosachoque justo da Uniban é emblemático. Tomou proporções acima de qualquer expectativa. E a onda começou com os próprios alunos, quem diria. Numa atitude reacionária, dentro da faculdade, eles começaram a atacá-la. De lá para filmes de celulares postados no YouTube e logo retransmitidos em Orkut, Facebook e Tweeter, foi um espirro.

A mídia tradicional acompanhou o desenrolar a semana toda, até que a aluna acabou expulsa da universidade, gerando nova onda de protestos, desta vez da sociedade civil. Agora, jornalistas, artistas, professores, advogados profissionais liberais, todos unidos ou sozinhos - passaram a opinar sobre a reação desenfreada dos alunos, a decisão claramente machista da universidade e sobre o direito de defesa da vítima, a moça. No dia seguinte a sua expulsão, até artigo de repúdio à decisão da universidade já circulava na Internet com mais de 2 mil assinaturas, quando eu mesma linkei o documento para referendar meu desagravo, lá pelas 15h, já usando minha fita rosachoque em meus apelidos no Twitter e no Facebook.

Manifestos a favor e contra vinham de todos os lados. O clima que se formou foi o de uma guerra civil midiática. E um cidadão, que chamou os alunos de revolucionários, aproveitou o episódio para atacar os professores que incitam os alunos ao comunismo (!?), bem na data em que se comemora os 20 anos de queda do Muro de Berlim! Está tudo aqui, neste vídeo, também postado no Youtube.



Sobre este caso, o que fica? A gente ainda não sabe - a Uniban, que hoje mesmo teve outro caso divulgado no BlueBus, parece estar voltando atrás na decisão da expulsão.

A moça, por sua vez, teve sua auto-estima abalada. Quem a viu em sua primeira entrevista no Fantástico, firme em seu direito de vestir o que bem lhe caísse no gosto, e ontem, de preto até o pescoço, assumindo certa dose de responsabilidade sobre o ocorrido, deve ter tido pena dela.

Minha opinião é a de que ela não foi pelada, não atentou contra o pudor, não foi sequer de biquini. Foi com uma roupa colada, sim. Imprópria? Talvez. Mas, e daí? E o que falar dos homens que se coçam na frente de todos ajeitando o "bráulio" sabe-se lá por que motivos não mais de uma vez? Ou que literalmente abrem suas braguilhas e fazem da rua mictório público em qualquer hora, do dia ou da noite, para se aliviar? Que falso moralismo é esse? Homem pode pôr o dito cujo para fora, mas mulher não pode vestir nada colado? Gente, Marilyn Monroe foi mito e isso nos anos 50, 60... e estamos no século XXI!


Sobre sermos chamados de "eles" por Lula

Muda a cena - entra o artigo que li da Danuza Leão no Blog do Noblat, sobre sua decepção acerca do primeiro governo Lula, de como ela votou nele (ela, eu, todo mundo e o Zaqueu e aí...se arrependeu!) e o artigo, bem ao estilo Danuza-de-sempre, não tinha nada demais, estava muito bem escrito e retratava, com bastante fidelidade, o que havia acontecido com o nosso Presidente e como ele passou a tratar a imprensa que começou a censurar e as pessoas que deixaram de segui-lo, e bla bla bla. Eis que o que me chama a atenção é a quantidade de comentários sobre ele (artigo!) - 145. Curiosa, me pus a lê-los. Credo, o que era aquilo! Quem se dispuser a fazê-lo vai se horrorizar - é de ficar chapado/a, como eu fiquei e transmiti o recado esta manhã ao jornalista, via twitter. As pessoas se xingam, trocam verdadeiras ameaças. Aquele espaço virou mesmo um palanque político quando, duvido, tenha sido esta a intenção, pelo menos da Danuza ao escrevê-lo - já não sei a do Noblat, de divulgá-lo em seu blog.

O fato é que esta coisa de o poder da comunicação estar cada vez mais na mão das pessoas tem - como toda moeda - os dois lados da questão: as reações sejam revolucionárias ou reacionárias, se encontram e formam a pororoca nas mídias sociais interativas! E tornam-se estratosféricas, barulhentas, sem controle. No que isso vai dar, especialmente se estamos às vésperas de ano eleitoral? Eu não sei.

O que eu sei é que nas mídias tradicionais e mesmo nos blogs, como os de Noblat, artigos e matérias têm assinaturas, rostos. As pessoas assinam suas matérias, responsabilizam-se pelos seus conteúdos. Agora, e quanto aos que comentam? Muito do que eu li são ataques originários de apelidos como "Liga da Justiça", "A Bem da Verdade"... por que estas pessoas não se mostram, não aparecem, continuam no obscurantismo?

A democracia no Brasil tem muito o que crescer. O bullying está por toda parte. E a retórica está no auge. Se todas as pessoas têm realmente têm o que dizer e "na maior moral", por que se escondem atrás de um pseudônimo?

O Brasil tem que mostrar a cara! Usar as mídias sociais, sim, mas se for para comentar, falar de peito aberto, com nome, sobrenome, CPF e fotografia também. "Sem medo de ser feliz" - ou não é esse o bordão que Lula usou para chegar lá?