No último dia 7 de abril, data em que o Brasil comemorou o dia do Jornalista, um artigo do Nieman Journalism Lab sobre o o 15º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ), que aconteceu no Texas, realizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, me chamou a atenção. A reportagem baseou-se na apresentação feita pelo editor executivo do The Washington Post, Marty Baron, um dos mais importantes jornalistas dos Estados Unidos, tendo já estado à frente do The Boston Globe e do The Miami Herald. Ele falou sobre a compra do Post pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, trazer um novo senso de otimismo sobre o futuro do jornal e, quem sabe, do jornalismo em geral - e esse otimismo eu compartilho aqui com vocês. A palestra foi bem extensa e o artigo também traz em detalhes o que Baron disse. Mas, como um resumo, o próprio jornalista reduziu-a em alguns pontos-chave. Numa tradução livre, torno-os claros aqui, numa tentativa de trazer alguma luz para colegas de Redação e donos de jornais que, aqui no Brasil, ainda lutam por dias melhores em relação à tsunami causada pela web 2.0 e suas nefastas consequências... 1. No geral, o jornalismo tem sobrevivido. Ainda estamos aqui. 2 . Os novos proprietários de jornais estão trazendo novo capital necessário e uma série de ideias diferentes; eles estão repensando modelos de negócio. 3. É importante olhar para o desabrochar de novas organizações jornalísticas.
4. Novas formas de contar histórias surgiram, e elas provaram ser particularmente eficazes no processo de fazer os veículos conectarem-se com os leitores. 5. As pressões sobre a nossa indústria nos obrigaram a prestar uma atenção enorme aos nossos clientes - leitores, telespectadores , ouvintes. 6. As condições atuais do nosso setor estão abrindo um vasto leque de novas oportunidades. 7 . Agora estamos vendo uma nova geração de jornalistas com diferentes e mais completas habilidades entrar em nosso campo. Isso é extremamente encorajador. 8 . Talvez o mais importante: No meio de toda a agitação na nossa área, em meio à ansiedade persistente e generalizada entre os jornalistas , nós estamos fazendo um trabalho forte e importante. Estamos continuando a cumprir a missão jornalística.
Sem ser Polyana, mas um otimista insatisfeito, como ele mesmo se definiu ao reforçar estes pontos, Marty Baron disse que sabe que o jornalismo enfrenta enormes desafios pela frente, mas que não há outra alternativa que não seja o ser otimista. Afinal, as oportunidades são enormes e é preciso aproveitá-las, todas. "Eu também escolho ser otimista, porque apenas assim eu posso vislumbrar um caminho para o sucesso. Só com o otimismo eu posso ter fé que a nossa importante missão jornalística será sustentada. É essa a convicção que me leva a trabalhar todos os dias. A apresentação completa do editor do the Washington Post pode ser acompanhada em inglês, no site do Nieman Lab, sob o título Optimism is the only option: The Washington Post’s Marty Baron on the state of the news media. Este texto foi apresentado originalmente no programa Ponto de Encontro, que desde março deste ano venho apresentando na Rádio Mega Brasil online. Se você não conseguiu me acompanhar pela grade de programação, faça download aqui dos programas apresentados.
Parafraseando o "colega de redes" e especialista em Marketing para Mídias Sociais, Nino Carvalho "quando passamos grande parte do tempo twittando, estamos trabalhando, sim". Provocamos reações ou estamos buscando respostas, retwittando informações e links de notícias importantes, acompanhando eventos, conversando com pessoas com as quais não teríamos a chance de "conhecer" se não fosse o twitter, fazendo pontes entre outras que querem se "falar" ou apenas... estamos observando! Isso eu faço o tempo todo - faz parte do processo final pelo qual meus estudos sobre as mídias sociais está passando agora. Observo as pessoas e seus comportamentos no twitter e em outras mídias também - até porque o twitter é ponte para várias outras.
Liberdade de expressão e responsabilidade sobre o conteúdo
Já abordei a liberdade de expressão várias vezes aqui neste espaço, mas nunca sob este ângulo: a tomada de consciência da possibilidade de interação por gente que antes não falava, não reclamava, não opinava, não reagia e que, de repente, está fazendo tudo isso, mas de uma forma muito estranha. Este divulgar, escrever, está virando um gritar e até "vomitar" como se toda esta carga de opinião estivesse, mesmo, contida por muito tempo. E isso tem ocorrido de uma forma tão avassaladora e descontrolada, que assusta.
Não se trata apenas daquelas dimensões hiperbólicas, superlativas, tsunâmicas, das quais falavam os autores do livro Groundswell não. É mais que isso - é um movimento local, brasileiro porque envolve o tão propalado acesso das classes C e D à internet - com a inclusão social promovida pelo governo Lula. Nada contra, diga-se de passagem, desde que se mantenha o respeito. E não é o que eu tenho visto, ouvido, acompanhado em eventos, noticiários e agora vídeos, blogs, twitter e outros locais da chamada mídia social.
Geisy x 2 mil alunos reacionários da Uniban
O caso da moça do vestido rosachoque justo da Uniban é emblemático. Tomou proporções acima de qualquer expectativa. E a onda começou com os próprios alunos, quem diria. Numa atitude reacionária, dentro da faculdade, eles começaram a atacá-la. De lá para filmes de celulares postados no YouTube e logo retransmitidos em Orkut, Facebook e Tweeter, foi um espirro.
A mídia tradicional acompanhou o desenrolar a semana toda, até que a aluna acabou expulsa da universidade, gerando nova onda de protestos, desta vez da sociedade civil. Agora, jornalistas, artistas, professores, advogados profissionais liberais, todos unidos ou sozinhos - passaram a opinar sobre a reação desenfreada dos alunos, a decisão claramente machista da universidade e sobre o direito de defesa da vítima, a moça. No dia seguinte a sua expulsão, até artigo de repúdio à decisão da universidade já circulava na Internet com mais de 2 mil assinaturas, quando eu mesma linkei o documento para referendar meu desagravo, lá pelas 15h, já usando minha fita rosachoque em meus apelidos no Twitter e no Facebook.
Manifestos a favor e contra vinham de todos os lados. O clima que se formou foi o de uma guerra civil midiática. E um cidadão, que chamou os alunos de revolucionários, aproveitou o episódio para atacar os professores que incitam os alunos ao comunismo (!?), bem na data em que se comemora os 20 anos de queda do Muro de Berlim! Está tudo aqui, neste vídeo, também postado no Youtube.
Sobre este caso, o que fica? A gente ainda não sabe - a Uniban, que hoje mesmo teve outro caso divulgado no BlueBus, parece estar voltando atrás na decisão da expulsão.
A moça, por sua vez, teve sua auto-estima abalada. Quem a viu em sua primeira entrevista no Fantástico, firme em seu direito de vestir o que bem lhe caísse no gosto, e ontem, de preto até o pescoço, assumindo certa dose de responsabilidade sobre o ocorrido, deve ter tido pena dela.
Minha opinião é a de que ela não foi pelada, não atentou contra o pudor, não foi sequer de biquini. Foi com uma roupa colada, sim. Imprópria? Talvez. Mas, e daí? E o que falar dos homens que se coçam na frente de todos ajeitando o "bráulio" sabe-se lá por que motivos não mais de uma vez? Ou que literalmente abrem suas braguilhas e fazem da rua mictório público em qualquer hora, do dia ou da noite, para se aliviar? Que falso moralismo é esse? Homem pode pôr o dito cujo para fora, mas mulher não pode vestir nada colado? Gente, Marilyn Monroe foi mito e isso nos anos 50, 60... e estamos no século XXI!
Sobre sermos chamados de "eles" por Lula
Muda a cena - entra o artigo que li da Danuza Leão no Blog do Noblat, sobre sua decepção acerca do primeiro governo Lula, de como ela votou nele (ela, eu, todo mundo e o Zaqueu e aí...se arrependeu!) e o artigo, bem ao estilo Danuza-de-sempre, não tinha nada demais, estava muito bem escrito e retratava, com bastante fidelidade, o que havia acontecido com o nosso Presidente e como ele passou a tratar a imprensa que começou a censurar e as pessoas que deixaram de segui-lo, e bla bla bla. Eis que o que me chama a atenção é a quantidade de comentários sobre ele (artigo!) - 145. Curiosa, me pus a lê-los. Credo, o que era aquilo! Quem se dispuser a fazê-lo vai se horrorizar - é de ficar chapado/a, como eu fiquei e transmiti o recado esta manhã ao jornalista, via twitter. As pessoas se xingam, trocam verdadeiras ameaças. Aquele espaço virou mesmo um palanque político quando, duvido, tenha sido esta a intenção, pelo menos da Danuza ao escrevê-lo - já não sei a do Noblat, de divulgá-lo em seu blog.
O fato é que esta coisa de o poder da comunicação estar cada vez mais na mão das pessoas tem - como toda moeda - os dois lados da questão: as reações sejam revolucionárias ou reacionárias, se encontram e formam a pororoca nas mídias sociais interativas! E tornam-se estratosféricas, barulhentas, sem controle. No que isso vai dar, especialmente se estamos às vésperas de ano eleitoral? Eu não sei.
O que eu sei é que nas mídias tradicionais e mesmo nos blogs, como os de Noblat, artigos e matérias têm assinaturas, rostos. As pessoas assinam suas matérias, responsabilizam-se pelos seus conteúdos. Agora, e quanto aos que comentam? Muito do que eu li são ataques originários de apelidos como "Liga da Justiça", "A Bem da Verdade"... por que estas pessoas não se mostram, não aparecem, continuam no obscurantismo?
A democracia no Brasil tem muito o que crescer. O bullying está por toda parte. E a retórica está no auge. Se todas as pessoas têm realmente têm o que dizer e "na maior moral", por que se escondem atrás de um pseudônimo?
O Brasil tem que mostrar a cara! Usar as mídias sociais, sim, mas se for para comentar, falar de peito aberto, com nome, sobrenome, CPF e fotografia também. "Sem medo de ser feliz" - ou não é esse o bordão que Lula usou para chegar lá?
Enquanto meu lado “adivinha” não me faz sonhar com a sequência exata das dezenas vencedoras daquele superprêmio acumulado da Mega-Sena, eu vou praticando meus exercícios de futurologia de outras formas.
Foi eu escrever sobre a ferramenta de buscas do Twitter, no post da “Message in a Bottle” e pimba, na mesma semana o Google e a empresa Twitter anunciaram sua parceria baseada na integração do que? Dela, a mesma ferramenta. Com o acordo, o mundo vai finalmente entender algumas das estranhas músicas cantadas pelo passarinho azul que tanto movem as pessoas que investem seu tempo em frases de-todo-tipo e para-todo-tipo-de-público com as siglas mais estranhas, antecipadas por sinais de jogo-da-velha (as hashtags) e outras gírias criadas especialmente para quem é “twitteiro”.
Jargões e siglas de usuário da plataforma à parte, o fato é que os próprios sócios que a criaram – entre eles um que esteve aqui na semana passada, o Biz Stone – assumiram total espanto sobre o sucesso estrondoso que o pio vem obtendo em apenas três anos de existência (e disseram que mesmo o nome Twitter lhes parecia ridículo, a princípio). Mas, passada a fase do oba-oba agora é a hora de mostrar qual é a nota mais alta que o pio deste pássaro alcança, que altura seu vôo atinge, enfim, todas as metáforas cabíveis. Biz Stone mencionou algo como estar trabalhando para fazer a ferramenta gerar renda e que existem empresas dispostas a pagar para receber uma análise de performance de resultados.
Mas, concentrando apenas na parceria com o Google, a gente pode prever o quanto ela será muito boa para o Twitter – sim, mais para o Twitter que para o Google. Ao publicar os posts de twitteiros sobre um assunto procurado por um indivíduo em sua página de buscas, o Google complementa sua pesquisa, ok. Mas... só isso. A partir daí, todo o mérito do que virá a mais com isso será dos twitteiros que postarem seus pios em tempo real, confere? O que o Google será, na verdade, é um grande facilitador ao democratizar ainda mais o uso do Twitter, e, claro, amplificar o que dizem sobre marcas e pessoas neste universo até então "paralelo" - especialmente em locais nos quais a ferramenta ainda é desconhecida ou... vista de soslaio, como acontece em alguns setores da economia, ou em faixas etárias bem específicas.
O Brasil neste contexto
Pensemos na realidade brasileira. Quem twitta aqui são estudantes ou pessoas de nichos – tecnologia, mais especificamente, jornalistas, blogueiros, artistas, os políticos, agora movidos pelo incentivo das proximidades das eleições, e... curiosos.
Quando se fala em empresários, são contados nos dedos – porque, inclusive, raros são os que realmente curtem tecnologia e, se twittam, o fazem – em sua maior parte – como o Mano Menezes. Se não é via filha ou assessora, é por meio da agência, web-partner, evangelista ou web-qualquer-coisa. Afinal, a cada dia cria-se um novo codinome para um cargo cheio de bossa de alguém com background sabe-se lá de que formação, que vai estruturar toda a estratégia e cuidar do conteúdo das mídias sociais pelo tal executivo. (Eu já vi de tudo - gerente de sistemas, uma turma legal e auto-didata superesforçada mas sem qualquer canudo que justifique um background de Comunicação, Marketing, RP ou alguma relação com estas cadeiras e que escreve "para mim fazer", " a nível de", "enquanto empresário" e coloca crase antes de verbo... enfim, de tudo um pouco - e fecha, parêntesis.
Tudo em função de uma verdade que não muda no mundo dos negócios, muito pelo contrário, é cada vez mais vital: “Tempo é dinheiro”. Imagina se o próprio empresário vai ficar diante de um TweetDeck ou algum aplicativo para twittar sobre sua empresa/marca etc.. No Brasil, o Google não mudará muito porque já é unanimidade entre os pesquisadores. Representa, segundo pesquisa feita pela Serasa Experian Hitwise, 95% das pesquisas feitas na internet, conforme notícia divulgada esta semana e twittada pelo @mosaicosocial. Acho que todos se lembram quando o jornalista Paulo Henrique Amorim o chamou de oráculo, não?
Tempo real = vida pulsante = notícia ao vivo
Agora, imagine começarem a pipocar no meio destas pesquisas os pios twittados no site de microblog. Será “uma loucura”. Os usuários do Google terão acesso a situações em tempo real sobre os temas pesquisados e isso pode gerar vários cenários.
Como eterna otimista, acredito em uma mudança de comportamento para o bem. Numa forma de pesquisar na Internet, que tornará as pesquisas muito mais interativas e criativas do que são hoje. Pode até acabar com o famoso Control chups/control cusps de trabalhos inteiros a partir do momento em que, por exemplo, um estudante se deparar com um jornalista ou pesquisador, ou mesmo artista twittando sobre algo mais novo e começar a trocar figurinhas com aquela figura “em carne e osso”. Sonho? Poesia? Baixou a Polliana?
Não sei. Acredito na interatividade da internet. Não era este o objetivo da Tevê Digital que tanto se propalou por aí e que na verdade, não rolou – ainda? Os posts de twitteiros podem ainda tornar trabalhos escolares discussões atuais sobre o que está acontecendo agora, no minuto em que a pesquisa estiver em andamento – e por que não – em sala de aula, com a participação dos twitteiros? Super!
Estou dando o exemplo da pesquisa escolar porque sou #jornalista e #maecomfilhos (como vários leitores daqui que me seguem no Twitter já me viram escrever!). Mas há uma infinidade de outras variantes para estas buscas, se voltarmos alguns parágrafos acima e relermos o perfil do twitteiro, só no Brasil – de nichos.
O que cabe discutir é que este acordo Google/Twitter vai muito além do exemplozinho pueril sobre condições do tempo numa estação de esqui sugerido pelo Google para apresentar sua proposta ao ‘honolável público’. Pode fazer com que pessoas comuns tenham acesso imediato aos horrores do Irã no momento em que balas perdidas na multidão pacífica estejam pipocando em pescoços inocentes ou helicópteros policiais abatidos por armamento bélico pesado nas mãos de traficantes em morros do Rio de Janeiro. Ou, por que não, revelar que uma determinada cura de uma rara doença acaba de ser descoberta?
Novidades antes na mão de muito poucos passarão a ser instantaneamente conhecidas por muitos em pouquíssimo tempo, criando uma velocidade e disseminação sem precedentes – sobre pessoas, coisas, empresas, marcas, tudo, absolutamente tudo. A verdadeira tsunami sobre a mídia tradicional. Sem dúvida, uma parceria que traz benefícios para as duas empresas, mas sobretudo, ainda mais aos usuários, garantindo velocidade e acesso às informações que circulam no Twitter e na internet. Ao ler sobre este acordo, estas perspectivas de notícias te passaram pela cabeça? (foto: http://proavirtualg11.pbworks.com/f/1165355432/imagem7.JPG)
Uma das razões do Twitter ser um poderoso concorrente no âmbito das mídias sociais reside no fato dele reconhecidamente ter uma ferramenta de busca extremamente eficaz. O Facebook se rói de inveja. Pode ter mais usuários, ter até criado uma versão lite para aumentar sua capacidade de adeptos, buscando integrar a turma do Orkut para sua plataforma, mas, não adianta. Está aquém do que mantém os sócios da plataforma do pássaro azul ser avaliado em US$ 1 bilhão e literalmente bancado, mesmo sem trazer para casa o outro ROI - o Retorno sobre O Investimento.
O Twitter se mantém na preferência porque é muito mais do que um meio de troca de mensagens, quizzes engraçadinhos ou de jogadas ao ar de sentimentos obtusos entre colegas, amigos, desconhecidos ou pseudo-intelectuais, dentre outras ações a ele atribuídas diariamente por geeks – como eu, não vou negar – que curtem a plataforma e a utilizam das mais diversas formas. Pode ser jornalismo de serviço, teaser de campanha ou diversão apenas, como recentemente admitiu o jornalista William Bonner, que em muito pouco tempo se tornou um fenômeno do espaço com suas interativas para escolher a cor da gravata com a qual ele apresentará o JN da noite.
Graças ao seu poder de ferramenta de busca, o Twitter pode pautar a mídia tradicional e criar histórias como esta, que aconteceu comigo e foi mote do podcast semanal que tenho desde Abril, com exclusividade, na Rádio Mega Brasil online, às 2as feiras (13h30), com reprises às 3ª.s (11h30) e 4as- feiras (21h30).
Redirecionamento profissional
Redirecionamento profissional? Que responsabilidade! Mas foi exatamente este o feedback que recebi de um colega uns 20 anos mais jovem que eu depois de uma ajuda dada a partir de um twitte seu, um SOS to the world, encontrado, assim, como uma "Message in a bottle".
Primeiro parêntesis: ‘cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...’
Cada um encontra na vida a sua forma de marcar sua existência. Eu achei a minha. Em parte, isso envolve certa dose de gentileza (sem modéstia alguma, de verdade!). Ora, ela tem a ver com um estender a mão a alguma pessoa – o que, não raro, é mal interpretado e me faz pagar altos preços.
O que eu sei é que eu não vejo nada demais em ajudar as pessoas e esta característica é genética, mamãe era assim, minha irmã gêmea também, acabou formando-se enfermeira – quem sabe aí não resida o fato de eu ter escolhido o Jornalismo e abandonado a Química Industrial e, nas mídias sociais, este viés de jornalista de servição, vez por outra twittando sobre que ruas evitar quando uma tempestade cai sobre São Paulo, que já me engoliu um carro, quase comigo dentro?
SOS to the world
Parêntesis à parte, – estava eu lendo sobre jornalismo no tal espaço de busca do Twitter, onde vou de vez em quando buscar outros assuntos... Era meado de Agosto, uma tarde. De repente, uma frase solta me chama particular atenção. “Alguém sabe onde encontro um bom curso de pós-graduação de jornalismo fora do Brasil?” Coincidência, justamente quando eu acabara de terminar um extenso trabalho de pesquisa a respeito disso e não mais usaria as informações colhidas em noites e mais noites em claro pulando de links em links na Europa e nos Estados Unidos?
Outro parêntesis: Nada acontece por acaso
Se existe algo no que eu realmente acredito é que religião não é necessariamente o seguir de uma relação de dogmas - mas uma energia maior que existe sobre a Humanidade – que cria uma carga positiva quando estamos atrás de alguma coisa que faz com que todo o cosmos conspire a favor. As coisas acontecem ou se fazem acontecer.
Alguém esteve à procura de uma informação e resolveu se ajudar ou tentar ver “qual era a das mídias sociais” ao jogar a esmo, “no mar da tsunami que se tornou a web 2.0” sua “message in a bottle”, parafraseando Sting e sua banda The Police, não? Ou apenas como faziam os náufragos de antigamente, sozinhos na ilha diante da imensidão do mar, a espera de um... milagre. A diferença era a de que, desta vez, fui eu quem achou a garrafa.
Louco? Bizarro? Sinistro? Esta é a maravilha da vida e o melhor da humanidade! Ou como outras pessoas pensam - Aquele Lá de Cima falando ou agindo por meio das pessoas, simplesmente e que moveu-as para a web 2.0, conforme tentaram dizer os autores do Ground Swell ao explicar a vontade das pessoas se acharem e buscarem alternativas de comunicação para resolver questões para as quais não tinham respostas.
Virtualmente, o Twitter fez o trajeto da mensagem da garrafa deste jornalista e serviu a sua causa. Do meu lado, ao deparar-me com ela, pensei apenas em colocar todo o trabalho de noites investidas em algo que não mais me serviria à disposição de alguém que pudesse torná-lo útil. Apesar de não conhecê-lo, ele não seria a única pessoa a quem eventualmente ajudaria, mas a primeira que o faria assim, via mídias sociais... por que não? E logo em seguida veio outro... mas aí é outra história. Afinal, não é essa, de alguma forma, a ação por trás das mídias sociais? (foto: http://www.crestahouse-cornwall.co.uk/images/message-in-bottle.jpg)
As últimas duas semanas têm sido de muita absorção de novos conteúdos, todos eles ligados à crescente intromissão das mídias sociais em todos os aspectos que permeiam a vida do ser humano. No último post, o assunto foi o efeito devastador desta onda gigante no meio jornalístico, com o fim da Gazeta Mercantil, aqui em São Paulo. O de hoje traz um de meus - e de tantos outros - gurus da tecnologia, "Sir" Ethevaldo Siqueira, alertando as empresas a abrirem os olhos para este tsunami sob a pena de não mais sobreviver - assim, nua e cruamente. A dica é uma contribuição de Renato Raposo, publicitário, jornalista e amigo, que por seguir o blog, sugeriu este podcast para os leitores deste espaço.
Quem ouvir ao podcast de sua entrevista a outro ícone do jornalismo, Heródoto Barbeiro, na CBN, vai constatar que, mesmo aqui, as empresas jornalísticas não foram esquecidas. Em outro podcast no site da CBN, Ethevaldo Siqueira chega a falar que, como modelo de negócios, os Portais de Conteúdo, na era da Web 2.0, estão investindo em compra de direitos de transmissão de grandes eventos esportivos, porque as Tevês vão perder gradativa e inexoravelmente mais lugar para as transmissões via web, com a também crescente transmissão de banda larga que o Brasil começa a experimentar.
Sustentabilidade
Na semana em que o Meio Ambiente foi destaque no mundo inteiro, o link foram novamente as mídias sociais e a sustentabilidade do planeta. Como convidada do Portal Nós da Comunicação, participei da primeira iniciativa do pessoal de Marketing em juntar estes assuntos e o resultado foi fantástico. Uma das matérias já foi ao ar, intitulada Novas Tecnologias, velocidade e poder no centro do debate do Unomarketing, que convido os seguidores do blog a lerem porque a visão de outro tecnicista - aliás um dos mais respeitados do Brasil, Abel Reis - é de uma lucidez incrível, digna de roteiro de filme. Amanhã, o Portal sai com a outra matéria, que faz o apanhado geral dos oito painéis de altíssima qualidade de conteúdos e de casos práticos apresentados pelos palestrantes convidados.
Nota da editora
Este post foi editado - por problemas de revisão - graças à revisão da superamiga e irmã de fé, Paula Barifouse. Mas, nesta manhã do dia 19 de junho, depois de várias situações "saia-justas" e, finalmente, a pedido do primo Vitor Rolf Laubé, uma solução alternativa foi tomada para que o podcast contendo o podcast passasse a entrar apenas a partir do desejo dos leitores e não automaticamente - como imposição(?) da CBN, ao colocar à disposição desta forma na receita embbeded aos interessados em colocar a matéria em seus blogs e sites.
A matéria ainda pode ser ouvida. Basta que o leitor agora clique no link. Temos Heródoto e Ehevaldo na maior conta pelas suas contribuições jornalísticas, mas, convenhamos, entrar com o áudio automaticamente estava, realmente, tornando-se um problema sério - não por culpa deles ou aqui do Mosaico Social - mas, já resolvida a questão, pedimos também desculpas pelo inconveniente, que não mais se repetirá. Obrigada a todos os que colaboaram com este post.
Hoje termina o primeiro trimestre de 2009. O saldo? As mídias sociais estão literalmente bombando; todos os dias há seminários, workshops, oficinas, fóruns e congressos sobre as mídias sociais. São promovidos por entidades, empresas, mas, especialmente, por veículos de comunicação. Só este mês, devem ter ocorrido uns três – em São Paulo, só dos que eu tenho conhecimento, fora os que vêm pela frente. O site/blog/portal mundorp.com.br possui vasto material de divulgação. Há pouco mais de duas semanas, foi o pessoal da Converge Comunicações, editora da TI Inside, Tela Viva, entre outras revistas especializadas em mídias e tecnologias realizar o Web Expo Forum 2009 (http://www.webexpoforum.com.br), que o mosaico social cobriu e ainda deve discutir, sob outro prisma, a partir de amanhã. E ontem, foi a vez da revista INFO (http://info.abril.com.br/seminariosinfo/midias-sociais/cobertura/) realizar seu seminário, cuja cobertura está sob o comando do colega Max Gonzalez.
Maior valorização que qualquer ativo financeiro
Nunca se falou tanto dessas mídias, porque o assunto realmente está na ordem do dia. A proporção de importância é tanta que, passados apenas quatro meses, um curso de Master em Jornalismo Digital, cujo programa sofreu poucas modificações, mas que, ao invés de ser feito em um único mês diretamente, acaba de ser diluído pelas últimas semanas durante quatro meses ao longo de um semestre, passou a custar mais que o dobro. Isso mesmo; sofreu uma valorização maior que qualquer outro ativo de mercado – muito mais de 100% em quatro meses.
Este é o verdadeiro poder das mídias sociais, caso alguns empresários ainda não tenham atentado para o que elas representam no início de 2009. Em setembro de 2007, o assunto ainda era quase um tabu, com apenas duas agências anunciando novidades em suas palestras em alguns poucos eventos. O tal Vincent Ferrari, que se tornou celebridade ao gravar sua conversa de 20 minutos com o responsável do callcenter da AOL ainda era um desconhecido. E, ao tentar trazer a novidade à mesa de meus clientes, eu era tida como a jornalista que estava “tendo alucinações”, diante de uma realidade ainda muito distante do Brasil.
Mas, hoje, passado pouco mais de um ano, eu digo: professores, diretores, estudantes, senhores do Governo, prezados stakeholders: se os senhores não abrirem os olhos para este movimento avassalador, hoje e agora, daqui a pouco vem a Web 3.0 e será tarde demais.
Porque é o que está acontecendo hoje lá fora. A discussão da web 3.0, de como aplicativos agregados a programas existentes poderão otimizar sozinhos escolhas e ações a partir de perfis de usuários e, com isso, mudar ainda mais o relacionamento dentro da web. O papo da tsunami, sobre o qual a turma que criou a www mencionou em seu Manifesto Cluetrain não é nenhuma viagem de “Lucy no Céu de Diamantes”, não. A economia de agora é a de nichos; o consumidor é único e quer ser ouvido. Um faz a diferença, sim, e a opinião de cada um importa.
O saldo...
No mais, ouvi no rádio um instituto prever que o PIB brasileiro deve cair “um bocadinho” mesmo este ano, independente do otimismo que ronda o Palácio do Planalto; que, quem tiver sistemas piratas não deve abrir seus computadores amanhã, porque pode ser um desastre, já que hackers adoram criar pegadinhas no dia 1º. De Abril, dia da Mentira, o mesmo escolhido (por que será, eu me faço esta pergunta dia após dia) pelo STF para julgar a resolução acerca da validade do diploma do jornalista e sobre a regulamentação da profissão; e uma ex-estagiária me mandou e-mail dizendo que esta vida de trabalhar por jobs é muito complicada, porque, a um mês de acabar seu contrato, ela, já está desesperada, sem saber como pagar contas a partir de Maio. Então, eu pergunto: O saldo? Não tenho a mínima idéia. E você, tem?