Adoro assistir às apresentações do/no TED. Para quem ainda não as descobriu, elas valem por aula inteira - sobre os mais diversos temas - da tecnologia à depressão, passando por... felicidade. Vale para quem é professor, quem é pai, quem quer ter um novo ângulo para pensar sobre temas os mais loucos.
Nesses tempos de Páscoa, esse, do Brother David Steindl-Rast me pareceu bastante oportuno. Estamos correndo atrás da felicidade como cães atrás do próprio rabo e nem percebemos que ela pode estar a um passo dos nossos narizes. Confira e reflita sobre a sua felicidade. (em inglês)
Corra atrás da sua felicidade
Agora, se o que te faz feliz é participar de um TED, #olhovivo, porque a turma está vindo para o Brasil em outubro deste ano, mais especificamente entre 5 e 10 de outubro. É o TED Global South, que vai acontecer em Copacabana, no Rio de Janeiro. Não é para qualquer bolso, porque o passe custa US$ 6 mil, mas se você acha que tem algo a dizer e quer interagir com outras pessoas que estejam pensando fora da caixa, da mesa, da cadeira, da cabeça... a hora é essa. E boa sorte. Aplicações aqui.
Que o mundo gira e a fila anda todo mundo sabe. Nesta carruagem da vida, desempenhamos vários papéis, entre eles o de profissionais. Com novos títulos e trabalhos surgindo em meio à demanda criada pelas novas tecnologias, o mundo começa a “rankear” as profissões, mas não apenas pelo lado quantitativo – como as que têm mais profissionais ou que promovem mais status e/ou remuneram mais. Parafraseando Titãs, “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro, diversão e arte”.
Hoje, o que importa é o aspecto qualitativo da relação homem/trabalho. Daí saber quais as que trazem mais felicidade, as mais estressantes e as mais odiadas – como fatores decisivos para manter um profissional motivado e feliz é um diferencial cada vez mais buscado e divulgado mundo afora. Mas, o que se pode concluir ao juntar todas as listas? Eu saí devanyeando (surprise, surprise!). E você, que conclusões ou pensamentos vai tirar do que segue?
As mais felizes
Existe certa obviedade ao concluir que trabalhos altruístas e criativos são os que propiciam maior felicidade ao ser humano. Há controvérsias. Ainda que isso tenha sido o que mostrou uma pesquisa realizada pela Universidade de Chicago, publicada pela Forbes, ao final do ano passado, acredito que toda sorte de localização deva ser considerada. Porque não adianta você ser altruísta faminto. Esta relação só existe onde estes profissionais são bem remuderados pelos serviços que realizam. Ninguém pode ser feliz sendo bombeiro, mas devendo o aluguel, não?
Clérigos
Bombeiros
Fisioterapeutas
Escritores
Professores de educação especial
Professores
Artistas
Psicólogos
Vendedores de serviços financeiros
Engenheiros de operação
Observação: reparou que nem enfermeiros ou médicos figuraram entre as mais felizes, apesar de muitos médicos se auto-remunerarem muito bem? Por outro lado, fisioterapeutas e psicólogos parecem estar felizes... okay, então!
As mais odiadas
Entre as profissões mais odiadas estão a de uma lista veiculada pela CNBC ainda em agosto – e bastante noticiada aqui e acolá, ao final do ano. Minha leitura disso é a de que em quase seis meses, não houve empresa que aprofundasse o tema apresentando qualquer contraponto.
Desta vez, a pesquisa foi realizada pela CareerBliss, que traz, entre as dez mais odiadas, algumas das profissões mais valorizadas, de altíssimo grau de responsabilidade e bem pagas.
Diretor de tecnologia da informação
Diretor de vendas e marketing
Gerente de produto
Desenvolvedor web sênior
Especialista técnico
Técnico em eletrônica
Secretário judicial
Analista de suporte técnico
Operador de CNC
Gerente de marketing
Segundo a pesquisa, a maioria das respostas negativas citou falta de espaço para crescer e de posicionamento da alta direção como fatores mais importantes de sua infelicidade.
Entendido, novamente, mas nada disso serve realmente para que a gente possa fazer um estudo mais aprofundado. O que acontece, por exemplo, quando inserimos o componente de estresse nas listas ou mesmo fora delas? Como fica a felicidade e o ranking? Podemos ser felizes, no geral, no que escolhemos para fazer e garantir nossa sobrevivência. Mas, diariamente, podemos odiar estar em um determinado trabalho porque ele é extremamente estressante. E agora, José?
Não encontrei nenhum estudo brasileiro que pudesse avaliar estas “métricas” juntas. Aliás, estudo brasileiro mesmo, encontrei apenas (sem uma pesquisa mais aprofundada) sobre as profissões que as pessoas mais odeiam não por quem está nelas, mas porque avaliaram as outras.
As mais estressantes
A CareerCast, que anualmente pesquisa as profissões mais estressantes com base em aspectos como viagens, potencial de crescimento, trabalhar em público, prazos apertados, insalubridade e alguns outros, revelou as posições mais estressantes tendo como cenário os Estados Unidos:
Soldado militar
Bombeiro
Comandante (avião)
General militar
Policial
Coordenador de evento
Executivo de Relações Públicas (que, nos Estados Unidos, inclui a turma que faz Assessoria de Imprensa)
CEO
Jornalista fotográfico
Motorista de taxi
A realidade na qual a pesquisa foi realizada é bastante diferente de uma em CNTPS. No Brasil, por exemplo, não tivemos um enorme contingente de militares sendo enviados para Iraque e outras fronteiras. Acredito que as profissões ligadas ao alistamento militar sequer seriam citadas, penso.
Em contrapartida, nem gerente ou diretor de marketing entraram, ainda tendo sido “substituídos” por duas profissões pertencentes ao mesmo departamento: a de RP e a de coordenador de eventos. E aqui, o Diretor de TI nem entrou - quem acabou com o estresse foi o CEO, mesmo. E o que dizer do repórter fotográfico? Será que seu trabalho é mais estressante ainda que o do repórter? Imagino que a categoria correta deveria ser jornalistas profissionais, ou que ambos tivessem que ser listados quase que na mesma posição. Pelo menos, é o que deveria, pelo que se pode constatar do recentíssimo estudo divulgado pela entidade Repórteres sem Fronteira sobre a liberdade de imprensa estar diretamente ligada ao grau de democracia dos países em que atua. De novo, só posso considerar que as profissões mais amadas, odiadas, estressantes e seja lá que adjetivo tiverem, devam ser estudadas e apresentadas sob uma ótica mais local. Por fim, surpreendeu-me a classe médica não ter entrado nesta relação. Me parece óbvio, mas, ou não entrevistaram muitos médicos ou... vai entender.
Num momento em que o País se apresenta como um dos emergentes mais bem sucedidos no cenário econômico mundial valia a pena levantar as listas locais daqui também e repensar modelos, remunerações, colocações. Fica a provocação... acho mesmo que o Brasil merecia mais atenção quanto a psique de seus funcionários. Será que somos, profissionalmente, como já se falou de forma geral, um país realmente feliz?
Parafraseando o "colega de redes" e especialista em Marketing para Mídias Sociais, Nino Carvalho "quando passamos grande parte do tempo twittando, estamos trabalhando, sim". Provocamos reações ou estamos buscando respostas, retwittando informações e links de notícias importantes, acompanhando eventos, conversando com pessoas com as quais não teríamos a chance de "conhecer" se não fosse o twitter, fazendo pontes entre outras que querem se "falar" ou apenas... estamos observando! Isso eu faço o tempo todo - faz parte do processo final pelo qual meus estudos sobre as mídias sociais está passando agora. Observo as pessoas e seus comportamentos no twitter e em outras mídias também - até porque o twitter é ponte para várias outras.
Liberdade de expressão e responsabilidade sobre o conteúdo
Já abordei a liberdade de expressão várias vezes aqui neste espaço, mas nunca sob este ângulo: a tomada de consciência da possibilidade de interação por gente que antes não falava, não reclamava, não opinava, não reagia e que, de repente, está fazendo tudo isso, mas de uma forma muito estranha. Este divulgar, escrever, está virando um gritar e até "vomitar" como se toda esta carga de opinião estivesse, mesmo, contida por muito tempo. E isso tem ocorrido de uma forma tão avassaladora e descontrolada, que assusta.
Não se trata apenas daquelas dimensões hiperbólicas, superlativas, tsunâmicas, das quais falavam os autores do livro Groundswell não. É mais que isso - é um movimento local, brasileiro porque envolve o tão propalado acesso das classes C e D à internet - com a inclusão social promovida pelo governo Lula. Nada contra, diga-se de passagem, desde que se mantenha o respeito. E não é o que eu tenho visto, ouvido, acompanhado em eventos, noticiários e agora vídeos, blogs, twitter e outros locais da chamada mídia social.
Geisy x 2 mil alunos reacionários da Uniban
O caso da moça do vestido rosachoque justo da Uniban é emblemático. Tomou proporções acima de qualquer expectativa. E a onda começou com os próprios alunos, quem diria. Numa atitude reacionária, dentro da faculdade, eles começaram a atacá-la. De lá para filmes de celulares postados no YouTube e logo retransmitidos em Orkut, Facebook e Tweeter, foi um espirro.
A mídia tradicional acompanhou o desenrolar a semana toda, até que a aluna acabou expulsa da universidade, gerando nova onda de protestos, desta vez da sociedade civil. Agora, jornalistas, artistas, professores, advogados profissionais liberais, todos unidos ou sozinhos - passaram a opinar sobre a reação desenfreada dos alunos, a decisão claramente machista da universidade e sobre o direito de defesa da vítima, a moça. No dia seguinte a sua expulsão, até artigo de repúdio à decisão da universidade já circulava na Internet com mais de 2 mil assinaturas, quando eu mesma linkei o documento para referendar meu desagravo, lá pelas 15h, já usando minha fita rosachoque em meus apelidos no Twitter e no Facebook.
Manifestos a favor e contra vinham de todos os lados. O clima que se formou foi o de uma guerra civil midiática. E um cidadão, que chamou os alunos de revolucionários, aproveitou o episódio para atacar os professores que incitam os alunos ao comunismo (!?), bem na data em que se comemora os 20 anos de queda do Muro de Berlim! Está tudo aqui, neste vídeo, também postado no Youtube.
Sobre este caso, o que fica? A gente ainda não sabe - a Uniban, que hoje mesmo teve outro caso divulgado no BlueBus, parece estar voltando atrás na decisão da expulsão.
A moça, por sua vez, teve sua auto-estima abalada. Quem a viu em sua primeira entrevista no Fantástico, firme em seu direito de vestir o que bem lhe caísse no gosto, e ontem, de preto até o pescoço, assumindo certa dose de responsabilidade sobre o ocorrido, deve ter tido pena dela.
Minha opinião é a de que ela não foi pelada, não atentou contra o pudor, não foi sequer de biquini. Foi com uma roupa colada, sim. Imprópria? Talvez. Mas, e daí? E o que falar dos homens que se coçam na frente de todos ajeitando o "bráulio" sabe-se lá por que motivos não mais de uma vez? Ou que literalmente abrem suas braguilhas e fazem da rua mictório público em qualquer hora, do dia ou da noite, para se aliviar? Que falso moralismo é esse? Homem pode pôr o dito cujo para fora, mas mulher não pode vestir nada colado? Gente, Marilyn Monroe foi mito e isso nos anos 50, 60... e estamos no século XXI!
Sobre sermos chamados de "eles" por Lula
Muda a cena - entra o artigo que li da Danuza Leão no Blog do Noblat, sobre sua decepção acerca do primeiro governo Lula, de como ela votou nele (ela, eu, todo mundo e o Zaqueu e aí...se arrependeu!) e o artigo, bem ao estilo Danuza-de-sempre, não tinha nada demais, estava muito bem escrito e retratava, com bastante fidelidade, o que havia acontecido com o nosso Presidente e como ele passou a tratar a imprensa que começou a censurar e as pessoas que deixaram de segui-lo, e bla bla bla. Eis que o que me chama a atenção é a quantidade de comentários sobre ele (artigo!) - 145. Curiosa, me pus a lê-los. Credo, o que era aquilo! Quem se dispuser a fazê-lo vai se horrorizar - é de ficar chapado/a, como eu fiquei e transmiti o recado esta manhã ao jornalista, via twitter. As pessoas se xingam, trocam verdadeiras ameaças. Aquele espaço virou mesmo um palanque político quando, duvido, tenha sido esta a intenção, pelo menos da Danuza ao escrevê-lo - já não sei a do Noblat, de divulgá-lo em seu blog.
O fato é que esta coisa de o poder da comunicação estar cada vez mais na mão das pessoas tem - como toda moeda - os dois lados da questão: as reações sejam revolucionárias ou reacionárias, se encontram e formam a pororoca nas mídias sociais interativas! E tornam-se estratosféricas, barulhentas, sem controle. No que isso vai dar, especialmente se estamos às vésperas de ano eleitoral? Eu não sei.
O que eu sei é que nas mídias tradicionais e mesmo nos blogs, como os de Noblat, artigos e matérias têm assinaturas, rostos. As pessoas assinam suas matérias, responsabilizam-se pelos seus conteúdos. Agora, e quanto aos que comentam? Muito do que eu li são ataques originários de apelidos como "Liga da Justiça", "A Bem da Verdade"... por que estas pessoas não se mostram, não aparecem, continuam no obscurantismo?
A democracia no Brasil tem muito o que crescer. O bullying está por toda parte. E a retórica está no auge. Se todas as pessoas têm realmente têm o que dizer e "na maior moral", por que se escondem atrás de um pseudônimo?
O Brasil tem que mostrar a cara! Usar as mídias sociais, sim, mas se for para comentar, falar de peito aberto, com nome, sobrenome, CPF e fotografia também. "Sem medo de ser feliz" - ou não é esse o bordão que Lula usou para chegar lá?
Durante os últimos dias 15 e 16 de maio, a Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP) realizou, em seu auditório, em São Paulo, seu I Encontro de Cursos de Jornalismo da Região Metropolitana de São Paulo.
O evento resultou de uma série de fatores convergentes. Um deles, a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. As discussões sobre o papel do Jornalismo na sociedade, levantadas pelos debates sobre o diploma, motivaram também a sua realização. Por fim, o desejo de um representativo conjunto de entidades de discutir "Cidadania e a formação do Jornalista" para oferecer subsídios à organização curricular das escolas e debater sobre a necessidade do diploma para essa área profissional.
Gostaria de repetir o que o professor e mediador de um dos painéis do evento, Franklin Valverde, da Estácio-UniRadial, divulgou em seu blog ondalatina. Vale a pena ir ao blog porque ele traz em detalhes a quantidade de entidades e profissionais envolvidos neste evento. É bom para se ter uma idéia do quanto o assunto está tendo eco entre jornalistas, estudantes de Jornalismo e entidades as mais representativas da categoria, a despeito da controversa decisão tomada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. Afinal, se retoricamente a martelada do STF sepultou o último resquício do “lado mais obscuro da história do Brasil”, também acabou com direitos assegurados de toda uma categoria de exercer sua profissão como legítima mediadora da sociedade brasileira.
“A cidadania é um conceito e uma prática construída e conquistada diariamente. O Jornalismo é agente dessa construção na medida em que veicula ações relativas à conquista de direitos; defende as bandeiras relativas às liberdades e garantias individuais e coletivas e denuncia as formas de dominação que colocam em risco as conquistas sociais. A visão do Jornalismo como direito fundamental do cidadão se confunde com a história de lutas contra a opressão e os privilégios mantidos por castas contrárias à democracia e aos direitos humanos. Concomitante à defesa dos direitos cabe ao jornalista, consciente de suas responsabilidades, apontar os deveres e obrigações do cidadão para que o coletivo tenha justa e plena consciência da construção de uma sociedade nacional, fraterna, igualitária e plena de liberdade.” Franklin Valverde – professor Estácio-UniRadial
Os trabalhos aconteceram em várias direções, que o Mosaico Social vai tentar abordar em partes, graças à participação da estudante de Jornalismo Mariana Carvalho Alves, da Uni Rio Branco, que tive o prazer de conhecer durante o Fórum sobre Jornalismo e Democracia realizado pela Revista Imprensa, no início do mês. Ela se dispôs a cobri-lo para o blog e, por isso, merece todos os créditos pela reportagem.
Como mensagens, algumas frases de efeito que valem - neste primeiro e longo post - para uma reflexão, não somente aos estudantes, mas para todos os que exercem o jornalismo diariamente ou que querem fazê-lo, com ou sem diploma.
“Todo o jornalista é, sobretudo, um autor de seu próprio texto. E ele deve informar porque a falta de informação leva à exploração”. Paulo Cannabrava Jr.– Apijor
"Fico indignado com a falta de ação de formadores e formandos na área, já que associações entre estes são raras e grande parte do que temos hoje é apenas cópia do que se fez ao longo dos anos. É por isso que falta inovação adequada para o progresso.” José Coelho – Área de Pesquisa e Editoração da ECA/USP
“A ética e a cidadania são de fundamental importância para a profissão, e a sociedade tem o direito de receber notícias de qualidade. Cabe às entidades educadoras e os aprendizes da área trazer esse olhar crítico de volta ao Jornalismo”. Eugênio Bucci, professor de Ética, Jornalismo Online e Livro-Reportagem da ECA/USP
“Apesar da necessária dimensão política para que haja uma transparência na produção de notícias, eu questiono: será que o jornalista trata seus leitores como mercado ou como mercadoria?” Dennis de Oliveira, professor de Laboratório de Iniciação ao Jornalismo da ECA/USP
Reportagem: Mariana Carvalho Alves. Texto de Vany Laubé
A resposta veio rápida. Desde o último dia 5 de maio, na sequência do evento sobre liberdade de imprensa e democracia, realizado em São Paulo, do qual a blogueira cubana Yoani Sanchez participou por meio de uma ligação telefônica por estar impedida de viajar, seus conterrâneos estão proibidos de usar os cibercafés de hotéis da ilha agora comendada por Raul Castro, irmão do ditador Fidel Castro.
A notícia que reproduzo abaixo mostra imagens da própria blogueira. Sem falar, ela teria dito à reportagem que a proibição seria uma ação direta dos Ministérios do Turismo e das Comunicações.
Yoani Sanchez ficou mundialmente conhecida ao lançar seu blog Geração Y, como um desabafo de uma geração que cresceu sob a égide de uma sociedade que teve garantidos pelo Estado educação, saúde, transporte público, entre outros serviços, mas sem qualquer direito individual, acesso a bens de consumo ou escolha de ir e vir.
Seu blog é um exemplo clássico do poder de evangelização e viralização das novas tecnologias, segundo a "bíblia" The Ground Swell, uma vez que representa o anseio do público de manifestar seu direito de expressão, fazendo sua própria revolução contra o status quo, usando as facilidades tecnológicas à disposição e o ambiente da Internet, propício para esta ação.
Quem resolver dar um pulo no Geração Y vai ver outro vídeo, gravado pela própria Yoani, em 9 de maio, em que comprova a manutenção das medidas depois de eventual "desmentido". Ela é a pessoa que estaria filmando e fingindo ler o jornal local, enquanto um colega busca "entrevistar" a funcionária pública sobre a restrição. Em pleno século XXI, com tudo o que temos à disposição, parafraseando o jornalista e âncora Boris Casoy... "é um verdadeiro absurdo!"
Realizado apenas quatro dias depois da revogação da Lei de Imprensa, o II Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, que a Revista Imprensa promoveu ontem em São Paulo, deixou expor a ferida aberta de milhares de jornalistas afetados não somente pelas mudanças causadas pela quebra de paradigma das tecnologias que têm facilitado a colaboração midiática em todo o mundo. Polêmica, a decisão do STF de revogar a Lei de Imprensa em sua totalidade mostrou as opiniões díspares entre próprios pares, mas não somente entre jornalistas e sim, juízes e advogados, revelando o quão difícil é mesmo a questão e tem sido conseguir a adesão da classe para uma definição quanto ao seu futuro político e social no contexto profissional junto à sociedade.
Claro! A questão toda passa por meandros filosóficos e ideológicos em que, dependendo do interesse, os discursos retóricos inflamam-se para um lado ou outro da moeda. Um deles envolve a ganância de patrões endividados, querendo resolver como evitar que cada variação da moeda estrangeira seja um problema para pagar salários e manter suas contas, ou deputados donos de concessões de rádios e tevês, que não querem ver seus escândalos estampados em suas próprias retransmissoras, portanto, sem querer ter em seus quadros de funcionários jornalistas pensantes e questionadores. Do outro, há a tentativa frustrada de quem também tenta uma solução para regular o mercado para que os colegas tenham um lugar ao sol, desempenhando seu papel de mediador da sociedade ao apurar os vários lados dos fatos e garantir o mínimo de transparência em ações de governantes ou empresas, de instituições e pessoas, prestando um serviço aos leitores. Isso só para apontar talvez um dos vários pontos envolvidos na questão, que tem outros, muitos outros.
Dicotomia patente
O que importa é que isso ficou patente para quem participou durante todo o evento ontem. Pela manhã, por exemplo, Dr. Martim Fonseca, representando a OAB/SP, abriu sua fala comparando a profissão do advogado ao jornalista “pela necessidade de exercê-la havendo um Estado de Direito” e disse que apesar de os advogados terem cuidado de suas leis, deixaram lacunas e problemas, como os que causaram o desfecho do STF. Para ele “o novo código civil brasileiro não responde aos clamores do exercício do jornalismo e suas especificidades em relação ao exercício de sua profissão. Por isso mesmo, a OAB não podia concordar com o havia sido feito na sexta-feira”. Mas, algumas horas depois, lá pelas 15h, seu colega carioca, Dr. Gustavo Binemboim teceu os mais altos elogios ao STF, por justamente extinguir um dos últimos “entulhos da ditadura”.
Alguém discorda de algum deles? Na verdade, nenhum dos dois está errado; cada qual teve um ponto a defender. A questão é que dentro da Lei de Imprensa, pela qual a categoria jornalística lutou por tantos anos, e instaurada no meio de um dos piores momentos da nossa história, havia vários dispositivos que garantiam direitos hoje transformados em pó. Novas leis e regulamentações serão necessárias e, no Brasil que conhecemos, levar-se-ão sabe-se lá quantos anos a mais para acontecer. Ou, ainda, antes disso, como questionou o representante da Abert – Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão, Evandro Magalhães, “e sobre o que está já regulamentado e o Estado não faz nada para fazer prevalecer?”, referindo-se não somente ao atraso tecnológico das rádios em relação à potência, mas à imensa quantidade de rádios pirata sem licença para operar, e à deturpação das empresas privadas de TV utilizarem uma frequência específica de canais...
Queremos crer, como disse o diretor da Revista e do Portal Imprensa, Sinval Itacarambi de Leão, ao defender a liberdade de imprensa, que a realidade democrática brasileira seja mesmo “polifônica” para buscar a melhor imprensa, agora também representada pelos blogueiros.
Sustentabilidade
Seja como for, para o editor de conteúdo do Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, expressamente contra a Lei de Imprensa, a questão da sua liberdade deve passar pela ótica da sustentabilidade. “O empreendimento jornalístico deve buscar a sustentabilidade à medida que a crença deste todo coincida com a crença da maioria das partes que se interagem”. Como nunca na história da humanidade estes envolvidos todos estiveram diante de uma “desintermediação” de informações como a que a internet tem proporcionado, da possibilidade instantânea e infinita de acesso e postagem de mensagens na internet, Gandour defende que a liberdade de imprensa seja cuidada em torno de uma imprensa como instituição e livre. E, parafraseando o escritor Gay Talese, complementou: “Uma Redação ainda é o menor número de mentirosos por metro quadrado do mundo e a melhor empreitada pela busca da verdade de que se tem notícia.”
Jean Paul Sartre
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Guto Camargo, representando a FENAJ, tentou, mas quem realmente alinhavou a melhor expressão da liberdade de imprensa foi o professor Eugênio Bucci, professor da ECA/USP, convidado para a Conferência de encerramento do evento.
Explicou que os jornalistas precisam ter independência social para produzirem conteúdo com garantias para investigar eficazmente os assuntos, baseados no conhecimento das técnicas e no deontologismo que aprenderam nos cursos de jornalismo. Disse ainda que os colegas de profissão devem desenvolver seus trabalhos com credibilidade e liberdade, mas que esta liberdade de imprensa vai além de qualquer dispositivo legal – que ela deve ser encarada como valor de vida – e citou Jean Paul Sartre ao mencionar que o ser humano está “condenado a existir para sempre além dos seus casos”, ou seja, “que não somos livres para deixarmos de ser livres”.
Disse Bucci. “O jornalista precisa ser livre para ser o que é e garantir a liberdade da imprensa que, por sua vez, será a garantia da democracia de um povo, do cidadão, de uma sociedade inteira”. E fechou: “O dever da liberdade vem antes do dever da verdade”. Ou seja, só se encontra a verdade quando se pratica a liberdade interior (é quando os fatos se revelam por si!). Precisa de mais?
Hoje, o Mosaico Social participa do II Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, que se realiza em São Paulo e tem por objetivo retomar as discussões sobre a importância da liberdade para a consolidação de uma imprensa e uma sociedade em que a cidadania seja um valor pleno e acessível a todos.
Esta manhã, o evento – que, ao longo da última semana, gerou três solicitações de confirmação por causa da imensa procura, especialmente por alunos de faculdades de Jornalismo - teve – depois da abertura de praxe, que valerá um post mais tarde, um momento bastante marcante: justamente a falta de liberdade que não permitiu a presença, mas não de uma jornalista e sim, da blogueira cubana Yoani Sánchez, de integrar-se ao evento como convidada, para falar do sucesso de sua iniciativa.
As razões são óbvias e têm a ver com a falta de liberdade imposta aos cidadãos cubanos que vivem sob o regime ditatorial castrista. Cidadã do século XXI e cansada de esperar pelo tal “mundo melhor” prometido a seus pais pela revolução realizada por Fidel Castro, Yoani – que insiste em se apresentar como blogueira - encontrou no potencial tecnológico das novas mídias uma válvula de escape para denunciar, questionar e buscar apoio para mostrar ao mundo que há toda uma geração querendo ter acesso a tudo o que somente Cuba parece não ter. O Geração Y passou a fazer sucesso além mar e ela chamou a atenção do mundo e do governo cubano.
Para quem acredita que Cuba, de uns tempos para cá, vem se mostrando mais afável ao mundo, ela esclareceu que mesmo as “mudanças” prometidas pelo Governo Raul Castro são consideradas maquiagens ideológicas, coisa para “americano” (leia-se Obama) ver. “Para se ter uma idéia, o preço de um celular que será institucionalizado deve ser algo em torno a três vezes o salário médio de um trabalhador”, diz ela, ficando praticamente elas por elas em relação ao que já acontece hoje dentro do mercado informal.
Chamada para entrevistas na Espanha e em outros lugares, como aqui, Yoaní não somente foi proibida, como vem sofrendo vigilância do governo cubano desde então. Para manter o blog funcionando, ela grava os posts em pen-drives e tem recorrido a amigos de fora do país e toda uma nova rede de pessoas amigas que vêm conquistando e ajudando-a mais e mais,difundindo seu trabalho, bem como o de outros blogueiros cubanos.
Aos jornalistas brasileiros com quem conversou por telefone, ela pediu que passemos a integrar esta rede, mostrando a situação para fazer com que o governo acabe com a ação agressiva direta que os blogueiros vêm sofrendo, e permitindo que o mundo acorde e cobre uma posição mais eficaz sobre a liberdade de expressão em Cuba.
O Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia acontece hoje, até às 18h, no edifício da FIESP, em São Paulo. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo é uma das apoiadoras do evento junto com Rede Globo e OAB/SP. A promoção do evento é assinada pela Revista Imprensa.
Sugiro a visita ao blog do colega carioca Ivson Alves, que me reencontrou recentemente no LinkedIn e que é blogueiro ainda muito antes do termo tornar-se fashion. Vem a calhar seu post de hoje como suíte do convite feito ao evento que a Revista Imprensa, com apoio da ABI e Rede Globo (sic) realizam sobre Liberdade de Imprensa e democracia.