Se no primeiro dia do I Encontro de Cursos de Jornalismo da Região Metropolitana de São Paulo o Jornalismo foi abordado sob uma ótica mais abstrata, no segundo as questões práticas tomaram conta da agenda. A qualidade de ensino, o currículo e até a criação de um curso de técnicas de comunicação foram tratados detalhadamente.
A Associação Brasileira de Escolas de Comunicação– Abecom foi quem abriu os trabalhos com uma reunião entre diretores e coordenadores dos cursos para discutir uma nova diretriz curricular e pensar em uma mobilização para tal ato, dependendo do resultado da audiência pública do MEC, no dia 18 de maio, realizado na OAB São Paulo. Neste dia, essas diretrizes foram discutidas na presença de várias entidades e representantes da categoria, conforme matéria do Portal Comunique-se.
Alunos: sujeitos de sua própria cidadania
A esta reunião, seguiu-se uma cobrança feita pelos professores aos alunos que, dentro dos campi, devem começar a agir como em sociedade. A mensagem foi a de que eles devem tomar as rédeas do curso, e, como cidadãos, solicitar que cada faculdade apresente um currículo com mais afinidade com a sociedade local, representando seus objetivos e anseios, formando os alicerces da cidadania que cada aluno exercerá lá fora depois de formado.
Enade – sempre dá para melhorar
Daí para falar de Qualidade de Ensino foi um pulo. E o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes –Enade, que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior-Sinaes entrou na pauta do dia. A mesa defendeu a existência de sistemas de avaliação próprios na formação dos futuros jornalistas. Apesar de não ser ideal, o Enade foi defendido como instrumento de avaliação sério porque não deixa de cumprir seu papel de julgar a performance dos cursos, mas de forma geral, para a sociedade. Para o grupo, a conclusão foi a de que toda a avaliação deve servir para o crescimento do ser, e não encarada apenas como uma ação burocrática, mas sempre há espaço para ser melhorado.
Educomunicação
E, como o que é bom se deixa por último, a USP anunciou a criação de um novo curso: o de Educomunicação. Como o próprio nome diz, junta as técnicas da Comunicação com as da Educação, numa interdisciplinaridade entre as áreas, focando na formação do ser. O projeto está passando por aprovação da reitoria da USP, mas segundo os criadores, professores Odair Citelli e José Coelho Sobrinho, ambos da USP, no próximo vestibular da Fuvest, ou no máximo até o vestibular de 2011, ele já deverá estar nas opções para Graduação.
Com uma discussão estendida sobre o novo curso e seus impactos na Educação e na Comunicação, o Encontro foi finalizado com a idéia de continuar discussões em outros locais, com mais assuntos a serem agregados, mas sempre dentro de Universidades para que o vínculo entre alunos, mestres, jornalistas e o sonho de mudar os novos parâmetros do Jornalismo nunca se percam. Reportagem: Mariana Carvalho Alves, com texto de Vany Laubé
Jornalismo, mídia social e comunicação corporativa convergente, passando por mosaico (mesmo!) e outras artes e causas...
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos + Fim da Lei de Imprensa + questão do diploma intensificam debates sobre Jornalismo em SP

Durante os últimos dias 15 e 16 de maio, a Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP) realizou, em seu auditório, em São Paulo, seu I Encontro de Cursos de Jornalismo da Região Metropolitana de São Paulo.
O evento resultou de uma série de fatores convergentes. Um deles, a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. As discussões sobre o papel do Jornalismo na sociedade, levantadas pelos debates sobre o diploma, motivaram também a sua realização. Por fim, o desejo de um representativo conjunto de entidades de discutir "Cidadania e a formação do Jornalista" para oferecer subsídios à organização curricular das escolas e debater sobre a necessidade do diploma para essa área profissional.
Gostaria de repetir o que o professor e mediador de um dos painéis do evento, Franklin Valverde, da Estácio-UniRadial, divulgou em seu blog ondalatina. Vale a pena ir ao blog porque ele traz em detalhes a quantidade de entidades e profissionais envolvidos neste evento. É bom para se ter uma idéia do quanto o assunto está tendo eco entre jornalistas, estudantes de Jornalismo e entidades as mais representativas da categoria, a despeito da controversa decisão tomada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. Afinal, se retoricamente a martelada do STF sepultou o último resquício do “lado mais obscuro da história do Brasil”, também acabou com direitos assegurados de toda uma categoria de exercer sua profissão como legítima mediadora da sociedade brasileira.
“A cidadania é um conceito e uma prática construída e conquistada diariamente. O Jornalismo é agente dessa construção na medida em que veicula ações relativas à conquista de direitos; defende as bandeiras relativas às liberdades e garantias individuais e coletivas e denuncia as formas de dominação que colocam em risco as conquistas sociais. A visão do Jornalismo como direito fundamental do cidadão se confunde com a história de lutas contra a opressão e os privilégios mantidos por castas contrárias à democracia e aos direitos humanos. Concomitante à defesa dos direitos cabe ao jornalista, consciente de suas responsabilidades, apontar os deveres e obrigações do cidadão para que o coletivo tenha justa e plena consciência da construção de uma sociedade nacional, fraterna, igualitária e plena de liberdade.” Franklin Valverde – professor Estácio-UniRadial
Os trabalhos aconteceram em várias direções, que o Mosaico Social vai tentar abordar em partes, graças à participação da estudante de Jornalismo Mariana Carvalho Alves, da Uni Rio Branco, que tive o prazer de conhecer durante o Fórum sobre Jornalismo e Democracia realizado pela Revista Imprensa, no início do mês. Ela se dispôs a cobri-lo para o blog e, por isso, merece todos os créditos pela reportagem.
Como mensagens, algumas frases de efeito que valem - neste primeiro e longo post - para uma reflexão, não somente aos estudantes, mas para todos os que exercem o jornalismo diariamente ou que querem fazê-lo, com ou sem diploma.
“Todo o jornalista é, sobretudo, um autor de seu próprio texto. E ele deve informar porque a falta de informação leva à exploração”. Paulo Cannabrava Jr.– Apijor
"Fico indignado com a falta de ação de formadores e formandos na área, já que associações entre estes são raras e grande parte do que temos hoje é apenas cópia do que se fez ao longo dos anos. É por isso que falta inovação adequada para o progresso.” José Coelho – Área de Pesquisa e Editoração da ECA/USP
“A ética e a cidadania são de fundamental importância para a profissão, e a sociedade tem o direito de receber notícias de qualidade. Cabe às entidades educadoras e os aprendizes da área trazer esse olhar crítico de volta ao Jornalismo”. Eugênio Bucci, professor de Ética, Jornalismo Online e Livro-Reportagem da ECA/USP
“Apesar da necessária dimensão política para que haja uma transparência na produção de notícias, eu questiono: será que o jornalista trata seus leitores como mercado ou como mercadoria?” Dennis de Oliveira, professor de Laboratório de Iniciação ao Jornalismo da ECA/USP
Reportagem: Mariana Carvalho Alves. Texto de Vany Laubé
terça-feira, 5 de maio de 2009
Com o fim da Lei de Imprensa pelo STF: nada resolvido e tudo adiado. E a liberdade de imprensa? Só existirá como dever em si mesmo
Realizado apenas quatro dias depois da revogação da Lei de Imprensa, o II Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, que a Revista Imprensa promoveu ontem em São Paulo, deixou expor a ferida aberta de milhares de jornalistas afetados não somente pelas mudanças causadas pela quebra de paradigma das tecnologias que têm facilitado a colaboração midiática em todo o mundo. Polêmica, a decisão do STF de revogar a Lei de Imprensa em sua totalidade mostrou as opiniões díspares entre próprios pares, mas não somente entre jornalistas e sim, juízes e advogados, revelando o quão difícil é mesmo a questão e tem sido conseguir a adesão da classe para uma definição quanto ao seu futuro político e social no contexto profissional junto à sociedade.
Claro! A questão toda passa por meandros filosóficos e ideológicos em que, dependendo do interesse, os discursos retóricos inflamam-se para um lado ou outro da moeda. Um deles envolve a ganância de patrões endividados, querendo resolver como evitar que cada variação da moeda estrangeira seja um problema para pagar salários e manter suas contas, ou deputados donos de concessões de rádios e tevês, que não querem ver seus escândalos estampados em suas próprias retransmissoras, portanto, sem querer ter em seus quadros de funcionários jornalistas pensantes e questionadores. Do outro, há a tentativa frustrada de quem também tenta uma solução para regular o mercado para que os colegas tenham um lugar ao sol, desempenhando seu papel de mediador da sociedade ao apurar os vários lados dos fatos e garantir o mínimo de transparência em ações de governantes ou empresas, de instituições e pessoas, prestando um serviço aos leitores. Isso só para apontar talvez um dos vários pontos envolvidos na questão, que tem outros, muitos outros.
Dicotomia patente
O que importa é que isso ficou patente para quem participou durante todo o evento ontem. Pela manhã, por exemplo, Dr. Martim Fonseca, representando a OAB/SP, abriu sua fala comparando a profissão do advogado ao jornalista “pela necessidade de exercê-la havendo um Estado de Direito” e disse que apesar de os advogados terem cuidado de suas leis, deixaram lacunas e problemas, como os que causaram o desfecho do STF. Para ele “o novo código civil brasileiro não responde aos clamores do exercício do jornalismo e suas especificidades em relação ao exercício de sua profissão. Por isso mesmo, a OAB não podia concordar com o havia sido feito na sexta-feira”. Mas, algumas horas depois, lá pelas 15h, seu colega carioca, Dr. Gustavo Binemboim teceu os mais altos elogios ao STF, por justamente extinguir um dos últimos “entulhos da ditadura”.
Alguém discorda de algum deles? Na verdade, nenhum dos dois está errado; cada qual teve um ponto a defender. A questão é que dentro da Lei de Imprensa, pela qual a categoria jornalística lutou por tantos anos, e instaurada no meio de um dos piores momentos da nossa história, havia vários dispositivos que garantiam direitos hoje transformados em pó. Novas leis e regulamentações serão necessárias e, no Brasil que conhecemos, levar-se-ão sabe-se lá quantos anos a mais para acontecer. Ou, ainda, antes disso, como questionou o representante da Abert – Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão, Evandro Magalhães, “e sobre o que está já regulamentado e o Estado não faz nada para fazer prevalecer?”, referindo-se não somente ao atraso tecnológico das rádios em relação à potência, mas à imensa quantidade de rádios pirata sem licença para operar, e à deturpação das empresas privadas de TV utilizarem uma frequência específica de canais...
Queremos crer, como disse o diretor da Revista e do Portal Imprensa, Sinval Itacarambi de Leão, ao defender a liberdade de imprensa, que a realidade democrática brasileira seja mesmo “polifônica” para buscar a melhor imprensa, agora também representada pelos blogueiros.
Sustentabilidade
Seja como for, para o editor de conteúdo do Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, expressamente contra a Lei de Imprensa, a questão da sua liberdade deve passar pela ótica da sustentabilidade. “O empreendimento jornalístico deve buscar a sustentabilidade à medida que a crença deste todo coincida com a crença da maioria das partes que se interagem”. Como nunca na história da humanidade estes envolvidos todos estiveram diante de uma “desintermediação” de informações como a que a internet tem proporcionado, da possibilidade instantânea e infinita de acesso e postagem de mensagens na internet, Gandour defende que a liberdade de imprensa seja cuidada em torno de uma imprensa como instituição e livre. E, parafraseando o escritor Gay Talese, complementou: “Uma Redação ainda é o menor número de mentirosos por metro quadrado do mundo e a melhor empreitada pela busca da verdade de que se tem notícia.”
Jean Paul Sartre
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Guto Camargo, representando a FENAJ, tentou, mas quem realmente alinhavou a melhor expressão da liberdade de imprensa foi o professor Eugênio Bucci, professor da ECA/USP, convidado para a Conferência de encerramento do evento.
Explicou que os jornalistas precisam ter independência social para produzirem conteúdo com garantias para investigar eficazmente os assuntos, baseados no conhecimento das técnicas e no deontologismo que aprenderam nos cursos de jornalismo. Disse ainda que os colegas de profissão devem desenvolver seus trabalhos com credibilidade e liberdade, mas que esta liberdade de imprensa vai além de qualquer dispositivo legal – que ela deve ser encarada como valor de vida – e citou Jean Paul Sartre ao mencionar que o ser humano está “condenado a existir para sempre além dos seus casos”, ou seja, “que não somos livres para deixarmos de ser livres”.
Disse Bucci. “O jornalista precisa ser livre para ser o que é e garantir a liberdade da imprensa que, por sua vez, será a garantia da democracia de um povo, do cidadão, de uma sociedade inteira”. E fechou: “O dever da liberdade vem antes do dever da verdade”. Ou seja, só se encontra a verdade quando se pratica a liberdade interior (é quando os fatos se revelam por si!). Precisa de mais?
Claro! A questão toda passa por meandros filosóficos e ideológicos em que, dependendo do interesse, os discursos retóricos inflamam-se para um lado ou outro da moeda. Um deles envolve a ganância de patrões endividados, querendo resolver como evitar que cada variação da moeda estrangeira seja um problema para pagar salários e manter suas contas, ou deputados donos de concessões de rádios e tevês, que não querem ver seus escândalos estampados em suas próprias retransmissoras, portanto, sem querer ter em seus quadros de funcionários jornalistas pensantes e questionadores. Do outro, há a tentativa frustrada de quem também tenta uma solução para regular o mercado para que os colegas tenham um lugar ao sol, desempenhando seu papel de mediador da sociedade ao apurar os vários lados dos fatos e garantir o mínimo de transparência em ações de governantes ou empresas, de instituições e pessoas, prestando um serviço aos leitores. Isso só para apontar talvez um dos vários pontos envolvidos na questão, que tem outros, muitos outros.
Dicotomia patente
O que importa é que isso ficou patente para quem participou durante todo o evento ontem. Pela manhã, por exemplo, Dr. Martim Fonseca, representando a OAB/SP, abriu sua fala comparando a profissão do advogado ao jornalista “pela necessidade de exercê-la havendo um Estado de Direito” e disse que apesar de os advogados terem cuidado de suas leis, deixaram lacunas e problemas, como os que causaram o desfecho do STF. Para ele “o novo código civil brasileiro não responde aos clamores do exercício do jornalismo e suas especificidades em relação ao exercício de sua profissão. Por isso mesmo, a OAB não podia concordar com o havia sido feito na sexta-feira”. Mas, algumas horas depois, lá pelas 15h, seu colega carioca, Dr. Gustavo Binemboim teceu os mais altos elogios ao STF, por justamente extinguir um dos últimos “entulhos da ditadura”.
Alguém discorda de algum deles? Na verdade, nenhum dos dois está errado; cada qual teve um ponto a defender. A questão é que dentro da Lei de Imprensa, pela qual a categoria jornalística lutou por tantos anos, e instaurada no meio de um dos piores momentos da nossa história, havia vários dispositivos que garantiam direitos hoje transformados em pó. Novas leis e regulamentações serão necessárias e, no Brasil que conhecemos, levar-se-ão sabe-se lá quantos anos a mais para acontecer. Ou, ainda, antes disso, como questionou o representante da Abert – Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão, Evandro Magalhães, “e sobre o que está já regulamentado e o Estado não faz nada para fazer prevalecer?”, referindo-se não somente ao atraso tecnológico das rádios em relação à potência, mas à imensa quantidade de rádios pirata sem licença para operar, e à deturpação das empresas privadas de TV utilizarem uma frequência específica de canais...
Queremos crer, como disse o diretor da Revista e do Portal Imprensa, Sinval Itacarambi de Leão, ao defender a liberdade de imprensa, que a realidade democrática brasileira seja mesmo “polifônica” para buscar a melhor imprensa, agora também representada pelos blogueiros.
Sustentabilidade
Seja como for, para o editor de conteúdo do Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, expressamente contra a Lei de Imprensa, a questão da sua liberdade deve passar pela ótica da sustentabilidade. “O empreendimento jornalístico deve buscar a sustentabilidade à medida que a crença deste todo coincida com a crença da maioria das partes que se interagem”. Como nunca na história da humanidade estes envolvidos todos estiveram diante de uma “desintermediação” de informações como a que a internet tem proporcionado, da possibilidade instantânea e infinita de acesso e postagem de mensagens na internet, Gandour defende que a liberdade de imprensa seja cuidada em torno de uma imprensa como instituição e livre. E, parafraseando o escritor Gay Talese, complementou: “Uma Redação ainda é o menor número de mentirosos por metro quadrado do mundo e a melhor empreitada pela busca da verdade de que se tem notícia.”
Jean Paul Sartre
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Guto Camargo, representando a FENAJ, tentou, mas quem realmente alinhavou a melhor expressão da liberdade de imprensa foi o professor Eugênio Bucci, professor da ECA/USP, convidado para a Conferência de encerramento do evento.
Explicou que os jornalistas precisam ter independência social para produzirem conteúdo com garantias para investigar eficazmente os assuntos, baseados no conhecimento das técnicas e no deontologismo que aprenderam nos cursos de jornalismo. Disse ainda que os colegas de profissão devem desenvolver seus trabalhos com credibilidade e liberdade, mas que esta liberdade de imprensa vai além de qualquer dispositivo legal – que ela deve ser encarada como valor de vida – e citou Jean Paul Sartre ao mencionar que o ser humano está “condenado a existir para sempre além dos seus casos”, ou seja, “que não somos livres para deixarmos de ser livres”.
Disse Bucci. “O jornalista precisa ser livre para ser o que é e garantir a liberdade da imprensa que, por sua vez, será a garantia da democracia de um povo, do cidadão, de uma sociedade inteira”. E fechou: “O dever da liberdade vem antes do dever da verdade”. Ou seja, só se encontra a verdade quando se pratica a liberdade interior (é quando os fatos se revelam por si!). Precisa de mais?
quinta-feira, 26 de março de 2009
Ciclo Comunicar Educação movimenta semana no portal Nós da Comunicação

Durante toda esta semana, o portal Nós da Comunicação (www.nosdacomunicacao.com) está se dedicando ao Ciclo Comunicar Educação. O objetivo é esmiuçar as iniciativas educacionais e o impacto no cotidiano do profissional de comunicação e nas empresas.
O assunto tem tudo a ver com o processo de discussão pelo qual passa o Curso Superior de Jornalismo em todo o Brasil. Mas há outros motivos pelos quais ele foi escolhido, e quem explica é Vanessa Aguiar, diretora executiva do portal. "O Brasil é hoje o segundo país do mundo em quantidade de faculdades de comunicação. Falar da Educação desses profissionais que todos os anos ingressam no mercado, bem como da atualização constante de quem já está colocado, é o grande objetivo deste Ciclo Comunicar, que também vai enfocar um outro e fundamental aspecto: o papel da comunicação na Educação formal e informal”.
Chat com Caio Tulio Costa
Uma experiência fantástica deste Ciclo foi o chat, na última terça-feira, com o jornalista e consultor Caio Túlio Costa, ex-ombdusman da Folha de S. Paulo e diretor dos portais UOL e IG. Ele conversou sobre ‘ética, jornalismo e nova mídia’, temas do livro de sua autoria e publicado pela Jorge Zahar Editor.
Costa, por exemplo, defende curso técnico de pós-gradução, de dois anos para qualquer cidadão que se pretenda jornalista, seja ele de qualquer área - exatas ou humanas. Afinal, ele vem de uma geração de talentos jornalísticos que não passaram pelas faculdades. Vale a pena conferir o que rolou do papo, diretamente de Nova Iorque, assessorado pelo jornalista Caio Blinder, segundo o próprio Costa fez questão de frisar, em http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=401&tipo=A
Colaboração ao MEC vira artigo
Agora, ficará imortalizada minha defesa ao diploma e ao ambiente universitário como local onde se aprende mais do que simples técnicas para escrever bem. Pois a internet e as novas mídias permitem viralizar e perpetuar o que se escreve e minha contribuição, repassada a amigos e jornalistas, visando mobilizá-los a individualmente colaborar com a consulta também, gerou o convite para editá-la e transformá-la em artigo. Está lá, em http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=106&tipo=G
Quem somos "Nós da Comunicação"
Lançado em 2008, o portal de comunicação corporativa "Nós da Comunicação" é um espaço de acesso ao conhecimento estruturado, onde mais do que espectador o usuário "é um construtor, multiplicando tendências, reflexões, teoria, prática, relacionamento, carreira, produtos e serviços que facilitam a vida profissional e corporativa". A idéia do portal é de compartilhar conhecimento de forma transdisciplinar, com visão holística e pensamento sistêmico. Publicado pela Casa do Cliente 360o, ele tem um Conselho Consultivo formado por mais de 20 pessoas, cinco diretores e mais outras quase 30 pessoas envolvidas em sua concepção, arquitetura e conteúdo, colaboração, consultoria jurídica etc.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Web Expo Forum 2009: Paulo Henrique Amorim diz que imprensa escrita está com os dias contados

Consagrado por seus trabalhos em tevê e há algum tempo atuando na internet, o blogueiro Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada (http://conversafiadaorfanato.blogspot.com) roubou a cena no painel Web 2.0 Transformando o negócio da comunicação – que abriu os trabalhos do Web Expo Forum 2009 (www.webexpoforum.com.br) no dia 18 de março, em São Paulo. Apesar de o tema focar as estratégias dos portais em gerar receitas com conteúdo, jornalismo cidadão, blogs, etc., Amorim foi mais a fundo. Para ele, é hora de nos preocuparmos com o meio ambiente e, por isso, “o jornalismo impresso está com os dias contados”.
Amorim, que mantém seu portal com investimentos e informações próprios, disse que os furos de reportagem correspondem a 10% de seu conteúdo; os demais 90% são compostos por opiniões - dele e dos internautas. Em resumo, qualquer renda vinda deste tipo de mídia ainda não é suficiente para bancar a própria mídia. Para ele, somente a publicidade pode manter um espaço jornalístico independente no ar.
Gil Torquato, diretor corporativo e de Relações Institucionais de UOL, não entrou neste mérito. Preferindo comparar o mundo com o qual cresceu, cheio de rigidez e censura, e o que os jovens têm hoje à mão, com ferramentas gratuitas e todo um mundo digital sem censura alguma, “seja para o bem ou para o mal”, a ser explorado, trouxe cases de sucesso do Uol – que claramente geram receitas.
Quando foi a vez da professora, escritora e consultora em mídia social Pollyana Ferrari falar, a mudança do profissional do jornalismo e como ele deve entender essa nova rede foi abordada. Pesquisadora do Ministério da Educação e Cultura e, no momento, integrante do grupo que cria diretrizes para o novo Curso Superior de Jornalismo, Pollyana destacou a crítica dos internautas, muitos deles estudantes ainda, inseridos em diversas plataformas de mídia social, escrevendo e opinando o tempo todo. Segundo a consultora, é preciso que o Governo comece a se preocupar com essa nova tendência, representante de uma possibilidade de interagir com o eleitor de forma mais direta.
Por fim, Renata de Freitas, diretora de Informação da Agência Estado, falou da experiência de se ter na Redação duas gerações de profissionais: uma recém-formada, que já inicia com a utilização de diversas plataformas, e uma veterana, que está mudando o seu conceito de fazer o jornalismo tradicional agora. A percepção é a de que existe espaço para todos, contanto que haja predisposição ao novo. No debate, um consenso: de que é necessário saber atrair cada vez mais internautas para tentar manter um site ou blog por meio de propagandas, e que o jornalismo cidadão deva ser cada vez mais explorado, sem perder o foco da informação precisa e de qualidade. (Reportagem de Liliane Rodrigues, foto - divulgação)
Consulta pública sobre o Curso Superior de Jornalismo - a minha vez

Eu já enviei minha participação ao e-mail que o MEC colocou à disposição da população - até o dia 30 de março, para opinar sobre perfil e as habilidades que um jornalista deve ter para rever a grade do Curso Superior de Jornalismo. E você?
Pode não dar em nada, mas, pelo menos, a consciência do dever cumprido estará em paz. Pura sobrevivência profissional, porque eu não fiz Jornalismo por "falta de opção" - eu fiz oito meses de Química na Federal do Rio e larguei por opção ao Jornalismo e não quero ver esse diploma ir para o ralo - por mais problemas que possamos enfrentar. As tecnologias - que venham - a gente aprende - mas perder o diploma por falta de mobilização INDIVIDUAL, de cada um, não. Por isso também o blog.
Segue minha opinião – aberta a críticas, elogios, mas, sobretudo, para mostrar que eu divulgo, até cobro, mas eu também me exponho. Podemos ter jornalistas-cidadãos atuando lado a lado, como nossas avós podem continuar receitando chá de boldo para dor de fígado de vez em quando - e isso não acabará com médicos - o buraco é bem mais em outro lugar.
Pode até ser que este esforço seja em vão e voltemos a ter o Pasquim renascendo das cinzas - quem sabe - fazendo renascer a imprensa independente, já que cada vez mais temos a impressão de ler a mesma coisa em todos os lugares?
O e-mail é uma ação individual. Acredito na mudança que as novas tecnologias estão trazendo, sim. Por isso este esforço. Poliana? Voltaire? Se o ser humano não tivesse a esperança de um mundo melhor, não faria filhos nem investiria em situações de crise para encontrar soluções. Então, aqui vai, de novo – e não pela última vez: consulta.jornalismo@mec.gov.br
Num país que ainda tem graves deficiências educacionais, somente jornalistas com formação superior podem ter condições de exercer a profissão com base intelectual necessária mediar seus cidadãos e fazer os corretos questionamentos, com pluralidade e ética, entregando matérias com qualidade e o mínimo de isenção que se pretende numa sociedade que se apresenta como moderna e democrática.
É na Faculdade que se aprende um universo de conhecimentos que vai além de simples técnicas de escrever bem. Aprende-se a Antropologia, Sociologia, Psicologia da Comunicação, Semiótica, cadeiras generalistas e específicas da área – e aprende-se, sobretudo a pensar e a discutir os vários aspectos da Ética – ao longo da História da Humanidade – por meio da Pesquisa Acadêmica e sob a ótica de grandes pensadores da História.
Como médicos, engenheiros, arquitetos, advogados e tantos outros profissionais, que, para exercerem suas atividades precisam do conhecimento acadêmico, os jornalistas também necessitam desta experiência. Assim é como penso que deva ser o Jornalismo - no mundo e no Brasil, e, no caso do Brasil, inclusive, para ajudar, com seu trabalho, a diminuir o índice de analfabetismo, entre outros absurdos vigentes em pleno século XXI.
Perfil
O perfil do jornalista deve contemplar a curiosidade como fonte do saber, um caráter questionador não apenas para argumentar, mas, sobretudo, para encontrar todas as respostas cabíveis a uma situação que lhe será cobrada numa história a mais completa possível, abrangente em termos de fontes, sem a menor chance de erros ou brechas que permitam deslizes de qualquer espécie.
Um jornalista também deve ser um leitor voraz, e não apenas de um só tipo de mídia. Generalista, deve ser capaz de saber discorrer minimamente sobre vários assuntos. Mais do que isso, à medida que vai se especializando, deve se tornar capaz de absorver as várias leituras (ou entendimentos) sob um mesmo assunto, podendo avaliar as suas diferenças semânticas, retóricas e políticas.
Idem no que concerne aos tipos de tecnologia ao seu dispor, o jornalista deve se aperfeiçoar sempre, buscando interagir com as novidades. Se a Universidade não tem como dispor, dentro dela, de aparatos que permitem acompanhar essa evolução, deve ter no estágio este acompanhamento monitorado, permitindo a integração entre o campus – local de absorção acadêmica e de pesquisa, e a prática exercida dentro das Redações e outras esferas de atuação jornalística.
Falar línguas deve ser uma prerrogativa de todo o profissional, não importa de que área seja. Se o português deve ser mister para este profissional, o Inglês deve ser a segunda língua do jornalista mundial e, no caso do jornalista brasileiro, dentro do contexto que o País exerce no continente sul-americano, eu indicaria o Espanhol como sendo uma terceira língua necessária dentro da formação do jornalista pluralista em sua formação.
Para se falar em Formação Superior, além das cadeiras de Antropologia, Sociologia, Psicologia da Comunicação, Ética e as de técnica jornalística, todas consagradas de nossos cursos, eu incluiria ainda as mídias sociais e sua evolução, alguma cadeira advocatícia que possa tornar claro ao jornalista seu papel social e a responsabilidade que irá exercer lá fora ao escrever suas matérias, ao como desempenhar este papel em prol de uma sociedade democrática que irá cobrar por esta mediação a ele concedida e, por fim, cadeiras de empreendedorismo, vendas, como montar e manter um negócio. Afinal, como atualmente já se pratica o “Pjotismo”, eu acredito que devamos aproveitar esse estrabismo trabalhista criado pelo empresariado, seja dos meios de comunicação ou das empresas de Comunicação Empresarial, para ensinar os jornalistas a serem mais bem preparados neste segmento também. Quem sabe eles sejam empreendedores de si próprios, assumindo para si sua primeira e mais importante tarefa – de exercer sua atividade de trabalho como própria e independente - realmente? Vany Laubé, Jornalista - MTb - 15.594/RJ
segunda-feira, 16 de março de 2009
Porque eu defendo o diploma

A partir de hoje, o mosaico social vai abrir espaço para alguns defensores da causa pró-diploma explicarem, em poucas palavras, porque vale a pena cuidar pela manutenção do curso superior de jornalismo e da regulamentação da profissão. Abaixo, a defesa de um colega muito especial, porque, além de professor, ele é um defensor contumaz do estágio! Multifacetado, também é poeta, escritor e gourmet de mão cheia, especialmente de churrascos. (Foto de Sonia Mele)
"Os cursos de Jornalismo são tão importantes quanto os de Medicina, Engenharia ou qualquer outro curso superior. Muitas pessoas dizem que para ser jornalista basta saber escrever, pensando que só ser alfabetizado é o suficiente. Fica a pergunta: será que quem acha isso do Jornalismo faria uma delicada cirurgia com um curandeiro ou moraria em um edifício projetado por um mestre de obras? Duvido. É na universidade que todas as áreas do conhecimento humano são sistematizadas, passando por estudos aprofundados que contribuem para o seu desenvolvimento e aprimoramento, além de formar os novos profissionais sob a ótica da ética.
As grades dos cursos de Jornalismo devem contemplar disciplinas que ofereçam uma ampla formação humanista, possibilitem o desenvolvimento do espírito crítico e habilitem os novos jornalistas a atuarem de maneira consciente em todas as mídias. Isso sem esquecer das novas tecnologias que, hoje, desempenham um papel fundamental no Jornalismo.
Já o Sindicato dos Jornalistas pode e deve se tornar no instrumento unificador da categoria, valorizando os profissionais e defendendo o nosso espaço de atuação que muitas vezes é usurpado por pessoas que muito pouco ou nada tem a ver com a profissão." Franklin Valverde
Bacharel em Comunicação Social pela PUC-SP, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, edita a revista virtual www.ondalatina.com.br , dedicada a cultura & etc. Atualmente é um dos editores do K - Jornal de Crítica, tendo já trabalhado no Jornal da Tarde, Folha da Tarde, Veja São Paulo, Brasil 2000 FM, O Estado de S. Paulo, além de ter colaborado com inúmeras publicações. Foi editor das revistas Churrasco & Churrascarias e Viva Gourmet. Como poeta, atua na área da poesia experimental, tanto visual como sonora, além de realizar poemas-objeto. Participa de exposições de poesia visual no Brasil e no exterior. Por fim, foi professor e coordenador do curso de Comunicação Social, habilitações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda, da Universidade São Marcos.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Formação em Jornalismo debatida em público
“Alunos, professores, pesquisadores, profissionais e representantes dos diversos segmentos da sociedade civil poderão participar, até o dia 30 de março, da consulta pública para a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de jornalismo.” Começa assim o release da Assessoria de Imprensa da Sesu, do Ministério da Educação para divulgar o “debate democrático” que se pretende para rever o conteúdo do curso superior de Jornalismo. Pode conferir em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12165
O grifo é meu porque é sobre ele que quero postar. E não se trata de corporativismo, longe disso. A prova é o convite para a Liliane dividir este espaço, aliando suas vantagens competitivas ao blog. Mas, verdade seja dita; se qualquer cidadão brasileiro pode opinar sobre quem deve ser e quais as habilidades que o profissional de Jornalismo deve ter para exercer a profissão, eu pergunto: - Será que, neste caso, a voz do povo brasileiro é a voz de Deus?
Com o índice de analfabetismo que temos, será que qualquer cidadão pode mesmo participar da consulta aberta dando sugestões sobre:
1) As competências que um profissional precisa construir ao longo de sua formação universitária em termos de conhecimento, habilidades, atitudes e valores para se tornar um jornalista ou
2) O perfil desejável que este profissional deve ter diante das transformações políticas, culturais, sociais e tecnológicas contemporâneas para exercer a profissão?
Depois da consulta, aceita pela internet, pretende-se que as entidades representativas desses segmentos da sociedade civil sejam ouvidas em audiências públicas presenciais. (Chamem os estagiários!?!)
O que eu penso é o seguinte: se a consulta é aberta, que seja o momento de a divulgarmos entre profissionais sérios, sejam de Comunicação ou outra área , e fazer campanha para que cidadãos esclarecidos possam representar estes diversos segmentos mencionados acima. Sem corporativismo, mas com discernimento, responsabilidade e, sobretudo, tanto respeito quanto o dispensado a médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, professores etc. Então, anote: o e-mail para envio das sugestões é consulta.jornalismo@mec.gov.br. E a data, 30 de março, é cabalística, por sinal. Falei?
O grifo é meu porque é sobre ele que quero postar. E não se trata de corporativismo, longe disso. A prova é o convite para a Liliane dividir este espaço, aliando suas vantagens competitivas ao blog. Mas, verdade seja dita; se qualquer cidadão brasileiro pode opinar sobre quem deve ser e quais as habilidades que o profissional de Jornalismo deve ter para exercer a profissão, eu pergunto: - Será que, neste caso, a voz do povo brasileiro é a voz de Deus?
Com o índice de analfabetismo que temos, será que qualquer cidadão pode mesmo participar da consulta aberta dando sugestões sobre:
1) As competências que um profissional precisa construir ao longo de sua formação universitária em termos de conhecimento, habilidades, atitudes e valores para se tornar um jornalista ou
2) O perfil desejável que este profissional deve ter diante das transformações políticas, culturais, sociais e tecnológicas contemporâneas para exercer a profissão?
Depois da consulta, aceita pela internet, pretende-se que as entidades representativas desses segmentos da sociedade civil sejam ouvidas em audiências públicas presenciais. (Chamem os estagiários!?!)
O que eu penso é o seguinte: se a consulta é aberta, que seja o momento de a divulgarmos entre profissionais sérios, sejam de Comunicação ou outra área , e fazer campanha para que cidadãos esclarecidos possam representar estes diversos segmentos mencionados acima. Sem corporativismo, mas com discernimento, responsabilidade e, sobretudo, tanto respeito quanto o dispensado a médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, professores etc. Então, anote: o e-mail para envio das sugestões é consulta.jornalismo@mec.gov.br. E a data, 30 de março, é cabalística, por sinal. Falei?
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