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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Justiça permanece cega, o samba do Jornalismo continua doido. O resultado? Grupo de Acesso!



A Justiça se não é cega, usa antolhos e, neste contexto, as mídias sociais são realmente incríveis. Porque nos abre uma infinidade de possibilidades antes nunca pensadas. Mesmo para gerar este post, elas me provaram isso.

Uma das coisas que mais me fascina neste universo virtual sem "fundo" é a capacidade de a gente encontrar informações complementares e ainda mais ricas para qualquer tipo de conteúdo; pode ser um post, um workshop, um vídeo, um trabalho escolar, uma vídeo-aula, tudo isso junto ou apenas ... uma foto.

Pois bem: estava atrás de uma imagem que pudesse impactar este post. E me deparei com o blog que a publicou. Para dar o devido crédito - ossos do ofício - li o texto ao qual ela estava atrelada e achei-o interessante a ponto de procurar saber quem era seu autor. Em seu perfil, ele explica os motivos pelos quais se mantém sob codinome.

Como as mídias sociais têm este poder inexorável de agregar e até porque havia um pedido, diante da similaridade dos conteúdos resolvi fazer do crédito da foto o próprio vídeo que divulga o blog. Quem tiver o interesse de assisti-lo vai perceber o quanto ele é simples e bem feito. Em nada panfletário, é cabível a cada um de nós, mas nem jornalista, nem profissional de comunicação; apenas cidadão.



Somos todos vítimas desta Justiça cega, trôpega, falha. Uns individualmente, outros coletivamente. Do mesmo lado, políticos inescrupulosos e empresários gananciosos. Do outro, nós, a maioria - que à época das mídias tradicionais era manipulada, dirigida para resultados já ensaiados ou escolhidos. Algo como aquela matéria pronta para a qual o repórter sai da Redação para a rua apenas para conseguir a fonte que apenas ratifique toda uma tese de uma conspiração que vire capa da semana.

Quem não viveu "aquela época", pode ter uma ideia com as edições da rede aberta do #BBB - aquela que você não paga. Não vou falar nada - faça você mesmo a experiência de ver um programa editado e trocar um "dedinho de prosa" com quem paga o programa... e "sinta a diferença".

Antes que alguém me acuse de incitar meus parcos leitores sobre "teorias da conspiração" de passado ou presente, sejamos otimistas, como reza a nova era - na qual, diga-se de passagem, eu creio - da qual comungo.

Vamos procurar crer que no aniversário de 50 anos de Brasília, seu primeiro político foi preso (e ainda, durante o Carnaval) não apenas para mostrar que neste Governo isso acontece, mas que isso agora será realmente Lei, que a Justiça vai começar a ver, e não apenas olhar. Quem sabe, de verdade, a gente vai, finalmente, poder usar nossa opinião e nossa palavra, por meio das novas mídias, seja nos blogs ou no YouTube, para viralizar, criar uma movimentação para fazer valer nossos direitos...

Constrangimento de Norte a Sul

Vamos acreditar que a Justiça vai rever sua própria revogação, via STF, da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão, ou vai evitar situações que soam no mínimo contraditórias, que estão acontecendo do Oiapoque ao Chuí... conforme publicou hoje o semanário Jornalistas&Cia em sua 731a. edição:

Semana passada, por exemplo, a Justiça do Trabalho de Porto Alegre concedeu liminar em Mandado de Segurança obrigando o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul a aceitar a filiação de duas pessoas não formadas em Jornalismo e a emitir suas respectivas carteiras. A direção do Sindicato classificou o fato como uma interferência indevida nas relações de trabalho, uma vez que, pela própria decisão do Supremo, não é necessária a emissão de carteira para o exercício da profissão, nem o registro. “Seria o mesmo que a Justiça obrigar a todo o jornalista com atuação no Estado a se sindicalizar, o que fere o livre direito estabelecido em Constituição”, disse o presidente do Sindicato, José Maria Rodrigues Nunes. A entidade vai recorrer da decisão.

Já em Curitiba, o candidato que passou em primeiro lugar num concurso público para o cargo de assessor de imprensa da UFPR foi impedido de tomar posse por
não ter o diploma de curso de Jornalismo. Quando foi avisado pela universidade de que não seria empossado no cargo, ele entrou com mandado de segurança, com
base na decisão do STF que extinguiu a obrigatoriedade do diploma,mas a juíza da 4ª Vara Federal negou liminar sob a alegação de que o edital do concurso exigia o
diploma específico. Também cabe recurso.

Em São Paulo, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas decidiu defender publicamente a adoção de novas regras de sindicalização e divulgou um manifesto em que reafirma lutar pela aprovação da PEC que restabelece o diploma de Jornalismo, mas ressalta que
“a função básica de um sindicato é a defesa das condições de trabalho de uma categoria profissional diante da exploração patronal. (...) Concluímos que cabe ao Sindicato organizar toda a categoria profissional tal como ela é neste momento,
trabalhando pela filiação de todos os profissionais, diplomados ou não-diplomados, que efetivamente exerçam a profissão de jornalista, unificando a categoria em defesa
dos direitos, contra a precarização e o abuso das empresas”. Para isso, a entidade deverá estabelecer quais os documentos necessários para comprovar o “exercício profissional habitual e remunerado” e exigir do Ministério do Trabalho e Emprego
clareza em seus critérios para concessão de registro profissional.

Fica aqui o pedido para que Justiça seja feita! De outro modo, o samba do jornalismo só tende a ficar mais doido. Neste e nos demais carnavais que virão. Se já está difícil manter o rebolado, haja ginga se nem nas altas esferas os cartolas se entendem! Quesito organização - Zero, nota zero!

domingo, 23 de agosto de 2009

DDD: Desculpas, diário de bordo e dica do pio do pássaro azul


Faz muito tempo que eu não posto, o que eu sempre achei lamentável para um blog jornalístico. Por este motivo, começo este post pedindo desculpas a cada leitor e prometendo voltar a fazê-lo com a periodicidade que o faça ser mantido entre seus textos de interesse. E, neste mea culpa ligeirinho, justifico que ainda que o silêncio possa denotar desleixo ou abandono, posso afiançar que se tratou do contrário -- se ficar clara a dedicação às mídias sociais sempre quando eu não estou exercendo as demais atividades rotineiras de (mico)empresária, mãe e dona de casa às quais somou-se agora a de mãe-também-estudante à qual fui -- como tantas outras pessoas -- forçada pela overdose (pelo menos é minha opinião) de preocupação com a gripe A.

Assim, além de adiantar mais de um mês de aulas do podcast, que semanalmente vão ao ar pela rádio Mega Brasil online, e que, esta sim, roubou a festa do blog no que diz respeito às aulas práticas sobre o tweeter, ou, como rebatizei o manual prático - o ABC do pio do pássaro azul, resolvi me meter em mais outras iniciativas tão cativantes quanto time-consuming.

Jornalismo em primeiro lugar

Uma delas diz respeito ao jornalismo, claro, a razão de ser, sempre. Vanyzinha Dom Quixote de Calcultá Laubé tenta, sempre que podem e pedem, ajudar alguns jovens muito desestimulados com a falta de oportunidade que assola o mercado. Não são poucos os que me chegam, regularmente, devo dizer. E tenho o ímpeto de fazê-los não desistir da profissão, mesmo com tantos "nãos" que ouvem depois de passarem por sabatinas, testes de reportagens gratuitas para provarem competência, um mês de cobertura de férias para também tentarem uma vaga, até que, findo o período, o que lhes resta é mesmo voltar a batalhar pela próxima oportunidade.

No meio tempo quando todos lemos, via Twitter, que no Pará estão já contratando para exercer a profissão pessoas com o segundo grau completo etc., imagine, até eu quero cortar os pulsos, a língua, o diploma do Gilmar Mendes - não o meu, claro, que, como já advoguei em outros portais e mesmo aqui no blog - guardo com um carinho especial, com ou sem valor jurídico-mercadológico. Também repassei todo um levantamento que fiz a um outro rapaz meio perdido com cursos de pós-graduação no exterior - e esta foi uma experiência muito gratificante. Aliás, todas acabam sendo, de uma forma ou de outra, porque, da mesma forma que existem as bolhas de sucesso, também ocorrem estes momentos de incerteza. Se esmorecemos, entregamos o que temos de melhor a quem talvez não mereça - pela simples incapacidade de exercer com pluralidade, insenção e a paixão pela busca da verdade, sem se vender, mas pela justa causa de lutar pelos anseios da sociedade, o jornalismo de fato.

As redes sociais

A outra iniciativa à qual me envolvi tem a ver com as mídias sociais, claro. Recebi de uma grande amiga jornalista do Rio, Cristina Miguez, um e-mail que me apresentou a uma nova rede -- muito voltada a professores, mas que está aberta a qualquer brasileiro interessado em participar da discussão que levará à formulação e construção democrática (espero!) de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e instituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado. É o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Em menos de um mês já integro os grupos Jornalismo Colaborativo na web, Cultura Digital em Rede, Comunicação Digital, Apoios e Patrocínios e Pela implantação do reconhecimento de voz PtBr (ufa!).

Gostaria de dividir com todos o meu post. Ele faz um link entre os primeiro e último grupo - porque acredito que uma coisa se junta à outra e se não entrarem numa mesma pauta de discussões, correremos o risco de ter aí, mais um problema sério como foi o do diploma de jornalismo. Vários grupos estaques discutindo pequenas partes de um todo - que, precisa virar de cara, o Mosaico Social de que tanto precisamos, especialmente em sociedades como a nossa, em que as estruturas de algumas instituições estão tão pouco fortes em função da intromissão do Estado. Gostaria muito que, caso você leia meu post, faça um comentário, ou passe a integrar os grupos também: temos uma oportunidade nas mãos como nunca! Vale a pena, pelo menos, conhecer a rede. Que tal?

A dica do pio - continuação da aula:

Se você não está acompanhando as minhas aulas via podcast, a boa nova é a de que - se você percebeu a mudança do leiaute do blog - em breve, cada uma delas estará disponível aqui para uma revisão. O que acho fundamental, porém, é que este local abrigue as abreviaturas que ajudam a mutiplicar os 140 caracteres do twitter. A aula a seguir ainda demorará a ir ao ar, mas, conforme eu já gravei, as abreviaturas estariam no ar, antes, para quem lê o blog.

Aproveite: As abreviaturas a seguir integram um manual em inglês do colega de twitter que mora na Califórnia, o Tom Duong. Somos amigos lá, porque nos seguimos mutuamente. A ele, meu agradecimento e, claro, o devido crédito, fundamental em todas as ocasiões.
RT = Retweet. É quando você (=vc) lê um pio, gosta e quer repeti-lo. Vc escreve RT dá um espaço e escreve @username do twitter de quem deu aquele pio.
Há duas maneiras de RT. Vc pode simplesmente dar o RT espaço @mosaicosocial e repetir a frase ou pode repetir a frase mudada, porque não vai dar o espaço todo, por exemplo, e aí vc diminui um pouco, a seu estilo e, entre parêntesis, coloca via @mosaicosocial.
Caso o retwitte já tenha uma outra fonte, basta colocar apenas um RT e manter os dois endereços de TT, para que ambos saibam que vc usou as devidas fontes.
PRT = Partial Retweet / Please Retweet – eu entendo mais como please retweet – mas não costumo usar, não.
DM = vem de Direct Message ou mensagem direta – você só consegue enviar se for entre amigos – ou seja, pessoas que se seguem mutuamente. O próprio twitter te avisa a respeito.
@rroba = Quando você manda um reply ou uma mensagem iniciando-se com um sinal de arroba, saiba – toda a twittosfera terá acesso a ela. Portanto, não é um MSN – pode até ter cara de um, mas ficará lá para todos os que te seguem – mesmo que vc não os siga de volta - participarem desta conversinha.
BR = Best Regards = saudações
LOL = Laugh(ing) Out Loud = rindo alto
BTW = By They Way = à propósito
Plz or Pls = Please = por favor
FYI = For Your Information = para conhecimento
FB = Facebook
J/K = Just Kidding = estava brincando
LMK = Let Me Know = me avisa
PPL or Peeps = People = gente
TTYL = Talk To You Later = falo c/ vc depois
TTYS = Talk To You Soon = falo com vc já já
OMG = Oh My God / Oh My Gosh = Ai meu Deus
Ur = Your = seu/sua
U = You = vc
RE = Reply = resposta = retorno
TY or TU = Thank You; aqui no Brasil, a gente usa mesmo o Tks – e eu uso muito, quando ainda mando um beijo junto, o Tkx, porque beijo em linguagem de sinais em inglês é X.
YW = You’re Welcome


Uma dica além de usar todas destas abreviaturas, é a de que você use e abuse dos velhos ensinamentos da taquigrafia. Um explo, o não com um n com sinal de til em cima (= ñ) para a palavra não. Com isso, vc ganha mais dois caracteres. Pode usar o p com uma barra lateral para a palavra por ou para (= p/), pode usar uma barra para referir-se ao sufixo mente (explo: justa/)e duas para o sufixo dade. Enfim, há uma varie// de possibili//s para se usar ao twittar nas línguas todas. Até o próximo post.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

E agora, José? Estude, estude e estude o jornalismo! Hoje, manhã e sempre

Acabo de ver, depois de instada pelo convite de seu endereço no Twitter, a entrevista da jornalista Míriam Leitão com dois diretores: um da Escola de Comunicação Social da ESPM do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Messeder. O outro, do Grupo Estado, Ricardo Gandour.


Ao postar a entrevista na íntegra, o Mosaico Social compra sua idéia na totalidade de seu conteúdo e complementa:

O ponto mais importante, que faz o link com o post do último dia 3 de julho, é a questão do papel de mediador do jornalista. Sim, a verdadeira vocação do jornalista é a provocação. Somos jornalistas porque fazemos perguntas – e não há perguntas que não possam ser feitas, apenas respostas que precisam ser aprimoradas. Eu sei disso, porque trabalhei dos dois lados do balcão – como quem pergunta e como quem está do lado da empresa, respondendo – como RP.

O jornalista pergunta, questiona, instiga, “põe o microfone na cara” para apurar falsidades, encontrar as “meias-verdades” (bonito eufemismo, não?) fraudes, o lado secreto do Senado ou tudo o que o Lula ainda não sabe e talvez nunca venha a 'querer' saber, as falcatruas ensaiadas por debaixo de panos pretos, coloridos listrados ou lisos. E perguntar é ser chato, inconveniente, implicante, xereta, provocativo. Mas é, principalmente, procurar descobrir por você, leitor, pela sociedade, o que deve ser esclarecido para garantir que as instituições funcionem corretamente, que seu voto valha depois que seu X tiver sido confirmado nas urnas – e você tiver se esquecido em quem votou.

Ao jornalista cabe uma missão que os blogueiros (pelo menos até agora!) não têm: de investigar, ir a fundo numa matéria. Isso não somente implica apanhar ou ser empurrado diante das câmeras no Senado, como foi o Gentili, do CQC, mas no mundo todo, morrer literalmente no front, no exercício da profissão. A Abraji - Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos, à qual sou associada, vai divulgar esta semana, entre 9 e 11 de julho, em seu 4o. Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, números aterradores. Cabem a nós, jornalistas, os peões do jogo de xadrez, buscar os elementos para contar os vários lados de uma mesma história que, então, lida por você, leitor, permitirá uma ampla visão para ajudá-lo a tomar sua decisão, partido etc..

Foi o que - em tese - aprendi e tento repassar quixotescamente a quem questiona o fim do #diploma no Twitter.Esta matéria brilhante da jornalista Míriam Leitão é importante porque fala o que eu procurei falar a quem queria largar a faculdade no dia da divulgação do fim do diploma: estude, estude, estude - e faça a diferença!

O fim do coelho de Alice nas Redações

Quanto às empresas jornalísticas terem seus mestres nas Redações, quero me candidatar! Estou pronta para me sentar em roda com os novos profissionais e ensinar-lhes pacientemente o que for necessário para eles juntarem teoria e prática e tornarem-se o profissional multitarefa necessário para lidar com todas as mídias! Mas sem a pressa do coelho maluco de Alice no País das Maravilhas! Há que se ter tempo para isso.



Na minha época, não fui recorrer ao mestre Zuenir Ventura, porque tinha alguém mais perto. Já era no Jornal do Brasil, quando aquele editava a Revista de Domingo, literalmente ao lado da minha Redação - a da INFO. Meu guru foi Paulo R. da Costa Vianna, hoje dirigindo uma empresa de tecnologia, depois de anos no caderno Inforática e etc.., ao lado de Cora Ronai e Cristina De Luca, nO Globo. Ele foi meu “copidesque”; não precisava falar de lide ou pirâmide invertida, porque já venho de uma geração pós-canudo e, diga-se de passagem, tive o privilégio de recebê-lo da então melhor e mais bem equipada escola particular da época, a PUC-Rio (não é só ex-mackenzista que tem orgulho de onde vem, não, e a comunidade dos ex-alunos da PUC-Rio só faz aumentar no LinkedIn. Jana, pode comemorar!).

De qualquer forma, faço questão de mencionar sua importância no processo de lapidação do meu texto enquanto eu estava foca na revista INFO, e no quanto isso faz a diferença na carreira de uma pessoa. E como isso faz falta pela ausência de tempo dos chefes de Redação hoje nas empresas jornalísticas. Está aí uma oportunidade fantástica para estas, de não somente reverem seus métodos de cursos internos e estágios nas Redações, mas, sobretudo (casacão – lembra-se, Paulo?) aproveitar muita mão de obra boa entre os “mais experientes”!
(Imagem: http://fotocache02.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//e0/44/dd/3919336_SASfT.jpeg)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Fica tudo exatamente como era...


O diploma de Jornalismo, finalmente, caiu. Hoje, por 8 x 1 votos, o Supremo Tribunal Federal decidiu que para o exercício da profissão de jornalista não é mais necessário ser Bacharel em Comunicação Social. O twitter parecia conversa de maricota a partir das 18h, quando as primeiras matérias começaram a pipocar na Internet. E o nível de desinformação, confusão, tristeza de uns, desalento e confusão de conceitos era claro na maioria das mensagens.

Será que nada será como antes?

Nada mudou, na prática, só que as coisas ficarão, digamos, mais escancaradas.
Quem era empregado e está hoje mais para empregador - porque, na qualidade de diretor tem mais cacoetes de "dono" do que de "trabalhador", ou quem não é da área, mas está se dando bem com as mídias sociais, levanta a máxima de que o leitor é quem tem que decidir sobre o Jornalismo - que o poder está na mão da sociedade e não do Estado e que isso está, inclusive, na Constituição - liberdade de imprensa e tudo o mais. Errado? Não! Parte da celeuma que levou a este desfecho é baseada neste argumento.

Por outro lado, existe a turma que rala nas Redações e está cansada de ver apadrinhados sem diploma - os filhos dos amigos dos donos de jornais - assumindo colunas, editorias, cargos de repórteres especiais e outros tantos. A gente só nunca denunciou por dois motivos. Um deles, porque não teria para onde correr. Afinal, como bloguei outro dia, como jornalistas, a categoria - ao contrário dos advogados a quem nos comparam sempre - não foi adestrada a ser empresária de si própria - isso é coisa para poucos e não a maioria que, na verdade, acabou adotando o modelito & associados, por conta de uma terceirização forçada sobre a qual acredito já ter falado aqui também e que tem um viés mais de sobrevivência do que de lucrar sobre o business. O outro motivo tem a ver com o primeiro - apesar dos sindicatos e da FENAJ ou outros grupos, nunca houve coesão suficiente ou majoritária, ao contrário do que sempre ocorreu entre os metalúrgicos, por exemplo, para que conseguíssemos ser ouvidos e fazer valer nossos direitos como categoria.

A gente pode ser intelectual ou metido a sê-lo, pode ter uma série de qualidades, como ter interesse por vários assuntos, ter cultura geral pela curiosidade de estar up-to-date com tudo que está na ordem do dia nos mais variados segmentos, mas como defeitos temos uma porção deles também. Um dos mais mortais, na minha opinião, é esta maldita soberba (característica que não é minha, diga-se de passagem, mas que nos é imputada quase como marca registrada - ao ponto de quem não segue o padrão ter questionada sua formação pela ausência da "doença"). Pois esta tal soberba que nos transforma em seres que se amam ou odeiam nos isolam uns dos outros. Geram fofocas e "imagens corporativas" que nem existem, confundindo timidez com empáfia e fazendo com que esta imagem se perpetue entre os coleguinhas e literalmente acabe com oportunidades de trabalho. Eu vi isso acontecer com vários colegas.

Por várias coisas e também isso fomos, ao longo dos útimos anos, perdendo espaço. Já perdemos para os RPs o exercício da Assessoria de Imprensa, que, quando me formei, era atividade reconhecidamente realizada por jornalista. Se nem estágio era aceito desde aquela época, e ainda hoje tem problemas porque a categoria se sente ameaçada dentro das Redações, imagina... com o fim da regulamentação da profissão, pode até ser que acabem os sindicatos, mas, como diria o economista Mestre e Doutor pela Unicamp e presidente do IPEA, Marcio Pochmann, sobretudo, vai acabar é a Grande Imprensa. Afinal, ela é formada não pelos jornais dos Estados do Sudeste e Capitais que conhecemos, mas sim, pelo conjunto de todos os jornais de todos os sindicatos, que precisavam - até hoje - de um jornalista responsável assinando-os.

Concubinato profissional

Eu não vou esmorecer especialmente porque meu diploma tem mais 20 anos. O que vale para mim é mais a experiência de vida diária e de mercado do que o que já se vai longe do que rolou no "banco escolar". Mas acho que tenho como exemplo a dar e missão não deixar os jovens esmorecerem e fazê-los entender que o diploma, tal qual um contrato de casamento, não deve ser um fim em si, mas um começo.

Da mesma forma que comungo minha vida pessoal, vou levar, a partir de hoje a minha relação com a profissão e manter, com isso, uma coerência existencial. Para mim, o Jornalismo será como o meu casamento. Deve estar no coração, ser movido pela paixão e não baseado num papel, mas na competência de se levar a relação no dia a dia com criatividade, responsabilidade, respeito, lealdade, o espírito de justiça e a constante busca da verdade.

É o que e penso e o que busco ao assinar como jornalista, meu cartão de visita ou toda vez que me questionam sobre minha atividade profissional. Nunca, mesmo estando assessora de imprensa ou Gerente de Práticas de Tecnologias - fosse o nome pomposo que fosse - eu assinei algo diferente de apenas jornalista. E não importa se meu diplominha está no meu portfólio ali, imortalizado, quem sabe um dia até emoldurado, porque foi com muito orgulho que troquei uma UFRJ, pela PUC/Rio, que saí da área de Química Industrial para me lançar na Comunicação Social, seguindo minha real vocação. Não foi a toa e nem terá sido. E não será pela decisão de hoje que vou esmorecer ou deixar que meus colegas o façam, mas provar que não precisamos de papel para provar que quem é bom, mesmo, de verdade, não precisa de papel - pode estudar, ir para a faculdade, sim, como os publicitários ou os chefes de cozinha vão, a exemplo de uma comparação feita pelo ministro Gilmar Mendes na tarde de hoje. Ambos também não precisam de regulamentação especial para exercerem suas profissões e estão aí, felizes. É isso.

Enfim, nada mudou e se mudar, será para melhor. Mesmo vazio, o lado do copo que tem ar, está cheio... de ar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos + Fim da Lei de Imprensa + questão do diploma intensificam debates sobre Jornalismo em SP




Durante os últimos dias 15 e 16 de maio, a Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP) realizou, em seu auditório, em São Paulo, seu I Encontro de Cursos de Jornalismo da Região Metropolitana de São Paulo.

O evento resultou de uma série de fatores convergentes. Um deles, a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. As discussões sobre o papel do Jornalismo na sociedade, levantadas pelos debates sobre o diploma, motivaram também a sua realização. Por fim, o desejo de um representativo conjunto de entidades de discutir "Cidadania e a formação do Jornalista" para oferecer subsídios à organização curricular das escolas e debater sobre a necessidade do diploma para essa área profissional.

Gostaria de repetir o que o professor e mediador de um dos painéis do evento, Franklin Valverde, da Estácio-UniRadial, divulgou em seu blog ondalatina. Vale a pena ir ao blog porque ele traz em detalhes a quantidade de entidades e profissionais envolvidos neste evento. É bom para se ter uma idéia do quanto o assunto está tendo eco entre jornalistas, estudantes de Jornalismo e entidades as mais representativas da categoria, a despeito da controversa decisão tomada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. Afinal, se retoricamente a martelada do STF sepultou o último resquício do “lado mais obscuro da história do Brasil”, também acabou com direitos assegurados de toda uma categoria de exercer sua profissão como legítima mediadora da sociedade brasileira.
“A cidadania é um conceito e uma prática construída e conquistada diariamente. O Jornalismo é agente dessa construção na medida em que veicula ações relativas à conquista de direitos; defende as bandeiras relativas às liberdades e garantias individuais e coletivas e denuncia as formas de dominação que colocam em risco as conquistas sociais. A visão do Jornalismo como direito fundamental do cidadão se confunde com a história de lutas contra a opressão e os privilégios mantidos por castas contrárias à democracia e aos direitos humanos. Concomitante à defesa dos direitos cabe ao jornalista, consciente de suas responsabilidades, apontar os deveres e obrigações do cidadão para que o coletivo tenha justa e plena consciência da construção de uma sociedade nacional, fraterna, igualitária e plena de liberdade.” Franklin Valverde – professor Estácio-UniRadial

Os trabalhos aconteceram em várias direções, que o Mosaico Social vai tentar abordar em partes, graças à participação da estudante de Jornalismo Mariana Carvalho Alves, da Uni Rio Branco, que tive o prazer de conhecer durante o Fórum sobre Jornalismo e Democracia realizado pela Revista Imprensa, no início do mês. Ela se dispôs a cobri-lo para o blog e, por isso, merece todos os créditos pela reportagem.

Como mensagens, algumas frases de efeito que valem - neste primeiro e longo post - para uma reflexão, não somente aos estudantes, mas para todos os que exercem o jornalismo diariamente ou que querem fazê-lo, com ou sem diploma.
“Todo o jornalista é, sobretudo, um autor de seu próprio texto. E ele deve informar porque a falta de informação leva à exploração”. Paulo Cannabrava Jr.– Apijor

"Fico indignado com a falta de ação de formadores e formandos na área, já que associações entre estes são raras e grande parte do que temos hoje é apenas cópia do que se fez ao longo dos anos. É por isso que falta inovação adequada para o progresso.” José Coelho – Área de Pesquisa e Editoração da ECA/USP

“A ética e a cidadania são de fundamental importância para a profissão, e a sociedade tem o direito de receber notícias de qualidade. Cabe às entidades educadoras e os aprendizes da área trazer esse olhar crítico de volta ao Jornalismo”. Eugênio Bucci, professor de Ética, Jornalismo Online e Livro-Reportagem da ECA/USP

“Apesar da necessária dimensão política para que haja uma transparência na produção de notícias, eu questiono: será que o jornalista trata seus leitores como mercado ou como mercadoria?” Dennis de Oliveira, professor de Laboratório de Iniciação ao Jornalismo da ECA/USP

Reportagem: Mariana Carvalho Alves. Texto de Vany Laubé

sexta-feira, 27 de março de 2009

Parece mentira...

Mas não é. A data escolhida pelo Supremo Tribunal Federal para julgar o recurso que questiona a validade do diploma de Jornalismo e, consequentemente, a regulamentação da profissão, é... dia 1 de Abril. É mole?

A boa notícia é que uma pesquisa publicada pelo Instituto Sensus, em 2008, revelou que a população apóia a luta dos jornalistas. 74,3% dos brasileiros são a favor de que para exercer a profissão, todo jornalista deve ser diplomado. Em Jornalismo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Porque eu defendo o diploma - por José Trindade Célis



Mais um colega abre a alma e diz o porquê da defesa ao diploma de Jornalismo. É José Trindade Célis, que conheço de coberturas que fiz dos Encontros Estaduais de Jornalistas em Assessorias de Comunicação, promovidos pela Comissão de Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo. Desde então, temos sempre mantido contato, nos encontrando cá e lá em eventos de tecnologia, sempre buscando não nos perder no meio da correria do dia a dia - o meio virtual ajuda muito. Como ele ainda não se rendeu aos blogs, coloca à disposição seu e-mail para contato: gallarin@uol.com.br

Primeira razão: sou jornalista formado por vocação, paixão, necessidade e outras coisinhas menores, mas de grande valor. Meu diploma foi conquistado com muito suor, luta e trabalho, porque venho de família humilde. Desta forma vejo esta discussão sobre diploma ser estéril por outro ângulo: quantas universidades, faculdades particulares existem no País? Por que seus donos, proprietários não fecham definitivamente as suas portas para a cadeira de jornalismo na grade curricular dos seus cursos de comunicação social? Quantos professores, funcionários, estão envolvidos na questão? Por que não demitem todos? Porque investem milhões de reais na divulgação de cursos de jornalismo? Por que tanto trabalho, horas perdidas pelo do MEC na preparação de leis normativas para a legalização, funcionamento da profissão de jornalista? Por que o Ministério do Trabalho também tem trabalho em legislar, fiscalizar essa profissão? Por que a imprensa em geral vive dando ênfase à questão da validade ou não, se existe uma legislação federal que a regulamenta?

Você sabe por que ninguém me responde estas questões? Porque - com raras exceções - a totalidade da imprensa que luta contra a validação do diploma tem grandes interesses econômicos; não querem pagar salários dignos de uma bela profissão; atrasam de propósito os pagamentos, salários; não querem pagar encargos sociais (FGTS, INSS) impostos federais, estaduais, municipais também e, sobretudo, não são profissionais do ramo. Vivem ladeados por profissionais bajuladores, gananciosos, traidores que não querem perder suas "boquinhas" dai defendem a extinção sumária do diploma. Penúltima razão: por que a carreira de Relações Públicas (assim como engenheiros, médicos e outros) pode ter registro legal e Conselho Federal e a categoria dos jornalistas não pode? Agora a última razão: por que as empresas somente aceitam jornalistas PJ – pessoa jurídica? Porque pagam remunerações irrisórias para os PJ?

Por essas e outras tenho a honra de dizer: sou jornalista formado (Casper) e legalmente! Por isso defendo a manutenção da obrigatoriedade do diploma! José Trindade Célis – MTB- SP 18.518 – MS- 14.024

quinta-feira, 19 de março de 2009

Consulta pública sobre o Curso Superior de Jornalismo - a minha vez


Eu já enviei minha participação ao e-mail que o MEC colocou à disposição da população - até o dia 30 de março, para opinar sobre perfil e as habilidades que um jornalista deve ter para rever a grade do Curso Superior de Jornalismo. E você?

Pode não dar em nada, mas, pelo menos, a consciência do dever cumprido estará em paz. Pura sobrevivência profissional, porque eu não fiz Jornalismo por "falta de opção" - eu fiz oito meses de Química na Federal do Rio e larguei por opção ao Jornalismo e não quero ver esse diploma ir para o ralo - por mais problemas que possamos enfrentar. As tecnologias - que venham - a gente aprende - mas perder o diploma por falta de mobilização INDIVIDUAL, de cada um, não. Por isso também o blog.

Segue minha opinião – aberta a críticas, elogios, mas, sobretudo, para mostrar que eu divulgo, até cobro, mas eu também me exponho. Podemos ter jornalistas-cidadãos atuando lado a lado, como nossas avós podem continuar receitando chá de boldo para dor de fígado de vez em quando - e isso não acabará com médicos - o buraco é bem mais em outro lugar.

Pode até ser que este esforço seja em vão e voltemos a ter o Pasquim renascendo das cinzas - quem sabe - fazendo renascer a imprensa independente, já que cada vez mais temos a impressão de ler a mesma coisa em todos os lugares?

O e-mail é uma ação individual. Acredito na mudança que as novas tecnologias estão trazendo, sim. Por isso este esforço. Poliana? Voltaire? Se o ser humano não tivesse a esperança de um mundo melhor, não faria filhos nem investiria em situações de crise para encontrar soluções. Então, aqui vai, de novo – e não pela última vez: consulta.jornalismo@mec.gov.br

Num país que ainda tem graves deficiências educacionais, somente jornalistas com formação superior podem ter condições de exercer a profissão com base intelectual necessária mediar seus cidadãos e fazer os corretos questionamentos, com pluralidade e ética, entregando matérias com qualidade e o mínimo de isenção que se pretende numa sociedade que se apresenta como moderna e democrática.

É na Faculdade que se aprende um universo de conhecimentos que vai além de simples técnicas de escrever bem. Aprende-se a Antropologia, Sociologia, Psicologia da Comunicação, Semiótica, cadeiras generalistas e específicas da área – e aprende-se, sobretudo a pensar e a discutir os vários aspectos da Ética – ao longo da História da Humanidade – por meio da Pesquisa Acadêmica e sob a ótica de grandes pensadores da História.

Como médicos, engenheiros, arquitetos, advogados e tantos outros profissionais, que, para exercerem suas atividades precisam do conhecimento acadêmico, os jornalistas também necessitam desta experiência. Assim é como penso que deva ser o Jornalismo - no mundo e no Brasil, e, no caso do Brasil, inclusive, para ajudar, com seu trabalho, a diminuir o índice de analfabetismo, entre outros absurdos vigentes em pleno século XXI.

Perfil
O perfil do jornalista deve contemplar a curiosidade como fonte do saber, um caráter questionador não apenas para argumentar, mas, sobretudo, para encontrar todas as respostas cabíveis a uma situação que lhe será cobrada numa história a mais completa possível, abrangente em termos de fontes, sem a menor chance de erros ou brechas que permitam deslizes de qualquer espécie.

Um jornalista também deve ser um leitor voraz, e não apenas de um só tipo de mídia. Generalista, deve ser capaz de saber discorrer minimamente sobre vários assuntos. Mais do que isso, à medida que vai se especializando, deve se tornar capaz de absorver as várias leituras (ou entendimentos) sob um mesmo assunto, podendo avaliar as suas diferenças semânticas, retóricas e políticas.

Idem no que concerne aos tipos de tecnologia ao seu dispor, o jornalista deve se aperfeiçoar sempre, buscando interagir com as novidades. Se a Universidade não tem como dispor, dentro dela, de aparatos que permitem acompanhar essa evolução, deve ter no estágio este acompanhamento monitorado, permitindo a integração entre o campus – local de absorção acadêmica e de pesquisa, e a prática exercida dentro das Redações e outras esferas de atuação jornalística.

Falar línguas deve ser uma prerrogativa de todo o profissional, não importa de que área seja. Se o português deve ser mister para este profissional, o Inglês deve ser a segunda língua do jornalista mundial e, no caso do jornalista brasileiro, dentro do contexto que o País exerce no continente sul-americano, eu indicaria o Espanhol como sendo uma terceira língua necessária dentro da formação do jornalista pluralista em sua formação.

Para se falar em Formação Superior, além das cadeiras de Antropologia, Sociologia, Psicologia da Comunicação, Ética e as de técnica jornalística, todas consagradas de nossos cursos, eu incluiria ainda as mídias sociais e sua evolução, alguma cadeira advocatícia que possa tornar claro ao jornalista seu papel social e a responsabilidade que irá exercer lá fora ao escrever suas matérias, ao como desempenhar este papel em prol de uma sociedade democrática que irá cobrar por esta mediação a ele concedida e, por fim, cadeiras de empreendedorismo, vendas, como montar e manter um negócio. Afinal, como atualmente já se pratica o “Pjotismo”, eu acredito que devamos aproveitar esse estrabismo trabalhista criado pelo empresariado, seja dos meios de comunicação ou das empresas de Comunicação Empresarial, para ensinar os jornalistas a serem mais bem preparados neste segmento também. Quem sabe eles sejam empreendedores de si próprios, assumindo para si sua primeira e mais importante tarefa – de exercer sua atividade de trabalho como própria e independente - realmente? Vany Laubé, Jornalista - MTb - 15.594/RJ

segunda-feira, 16 de março de 2009

Porque eu defendo o diploma


A partir de hoje, o mosaico social vai abrir espaço para alguns defensores da causa pró-diploma explicarem, em poucas palavras, porque vale a pena cuidar pela manutenção do curso superior de jornalismo e da regulamentação da profissão. Abaixo, a defesa de um colega muito especial, porque, além de professor, ele é um defensor contumaz do estágio! Multifacetado, também é poeta, escritor e gourmet de mão cheia, especialmente de churrascos. (Foto de Sonia Mele)

"Os cursos de Jornalismo são tão importantes quanto os de Medicina, Engenharia ou qualquer outro curso superior. Muitas pessoas dizem que para ser jornalista basta saber escrever, pensando que só ser alfabetizado é o suficiente. Fica a pergunta: será que quem acha isso do Jornalismo faria uma delicada cirurgia com um curandeiro ou moraria em um edifício projetado por um mestre de obras? Duvido. É na universidade que todas as áreas do conhecimento humano são sistematizadas, passando por estudos aprofundados que contribuem para o seu desenvolvimento e aprimoramento, além de formar os novos profissionais sob a ótica da ética.
As grades dos cursos de Jornalismo devem contemplar disciplinas que ofereçam uma ampla formação humanista, possibilitem o desenvolvimento do espírito crítico e habilitem os novos jornalistas a atuarem de maneira consciente em todas as mídias. Isso sem esquecer das novas tecnologias que, hoje, desempenham um papel fundamental no Jornalismo.
Já o Sindicato dos Jornalistas pode e deve se tornar no instrumento unificador da categoria, valorizando os profissionais e defendendo o nosso espaço de atuação que muitas vezes é usurpado por pessoas que muito pouco ou nada tem a ver com a profissão." Franklin Valverde

Bacharel em Comunicação Social pela PUC-SP, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, edita a revista virtual www.ondalatina.com.br , dedicada a cultura & etc. Atualmente é um dos editores do K - Jornal de Crítica, tendo já trabalhado no Jornal da Tarde, Folha da Tarde, Veja São Paulo, Brasil 2000 FM, O Estado de S. Paulo, além de ter colaborado com inúmeras publicações. Foi editor das revistas Churrasco & Churrascarias e Viva Gourmet. Como poeta, atua na área da poesia experimental, tanto visual como sonora, além de realizar poemas-objeto. Participa de exposições de poesia visual no Brasil e no exterior. Por fim, foi professor e coordenador do curso de Comunicação Social, habilitações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda, da Universidade São Marcos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Formação em Jornalismo debatida em público

“Alunos, professores, pesquisadores, profissionais e representantes dos diversos segmentos da sociedade civil poderão participar, até o dia 30 de março, da consulta pública para a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de jornalismo.” Começa assim o release da Assessoria de Imprensa da Sesu, do Ministério da Educação para divulgar o “debate democrático” que se pretende para rever o conteúdo do curso superior de Jornalismo. Pode conferir em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12165

O grifo é meu porque é sobre ele que quero postar. E não se trata de corporativismo, longe disso. A prova é o convite para a Liliane dividir este espaço, aliando suas vantagens competitivas ao blog. Mas, verdade seja dita; se qualquer cidadão brasileiro pode opinar sobre quem deve ser e quais as habilidades que o profissional de Jornalismo deve ter para exercer a profissão, eu pergunto: - Será que, neste caso, a voz do povo brasileiro é a voz de Deus?

Com o índice de analfabetismo que temos, será que qualquer cidadão pode mesmo participar da consulta aberta dando sugestões sobre:

1) As competências que um profissional precisa construir ao longo de sua formação universitária em termos de conhecimento, habilidades, atitudes e valores para se tornar um jornalista ou
2) O perfil desejável que este profissional deve ter diante das transformações políticas, culturais, sociais e tecnológicas contemporâneas para exercer a profissão?

Depois da consulta, aceita pela internet, pretende-se que as entidades representativas desses segmentos da sociedade civil sejam ouvidas em audiências públicas presenciais. (Chamem os estagiários!?!)

O que eu penso é o seguinte: se a consulta é aberta, que seja o momento de a divulgarmos entre profissionais sérios, sejam de Comunicação ou outra área , e fazer campanha para que cidadãos esclarecidos possam representar estes diversos segmentos mencionados acima. Sem corporativismo, mas com discernimento, responsabilidade e, sobretudo, tanto respeito quanto o dispensado a médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, professores etc. Então, anote: o e-mail para envio das sugestões é consulta.jornalismo@mec.gov.br. E a data, 30 de março, é cabalística, por sinal. Falei?