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terça-feira, 15 de abril de 2014

#Jornalismo: a vez do otimismo


No último dia 7 de abril, data em que o Brasil comemorou o dia do Jornalista, um artigo do Nieman Journalism Lab sobre o  o 15º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ), que aconteceu no Texas, realizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, me chamou a atenção. A reportagem baseou-se na apresentação feita pelo editor executivo do The Washington Post, Marty Baron, um dos mais importantes jornalistas dos Estados Unidos, tendo já estado à frente do The Boston Globe e do The Miami Herald. Ele falou sobre a compra do Post pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, trazer um novo senso de otimismo sobre o futuro do jornal e, quem sabe, do jornalismo em geral - e esse otimismo eu compartilho aqui com vocês.

A palestra foi bem extensa e o artigo também traz em detalhes o que Baron disse. Mas, como um resumo, o próprio jornalista reduziu-a em alguns pontos-chave. Numa tradução livre, torno-os claros aqui, numa tentativa de trazer alguma luz para colegas de Redação e donos de jornais que, aqui no Brasil, ainda lutam por dias melhores em relação à tsunami causada pela web 2.0 e suas nefastas consequências...

1. No geral, o jornalismo tem sobrevivido. Ainda estamos aqui.

2 . Os novos proprietários de jornais estão trazendo novo capital necessário e uma série de ideias diferentes; eles estão repensando modelos de negócio.

3. É importante olhar para o desabrochar de novas organizações jornalísticas.


4. Novas formas de contar histórias surgiram, e elas provaram ser particularmente eficazes no processo de fazer os veículos conectarem-se com os leitores. 

5. As pressões sobre a nossa indústria nos obrigaram a prestar uma atenção enorme aos nossos clientes - leitores, telespectadores , ouvintes.

6. As condições atuais do nosso setor estão abrindo um vasto leque de novas oportunidades.

7 . Agora estamos vendo uma nova geração de jornalistas com diferentes e mais completas habilidades entrar em nosso campo. Isso é extremamente encorajador.

8 . Talvez o mais importante: No meio de toda a agitação na nossa área, em meio à ansiedade persistente e generalizada entre os jornalistas , nós estamos fazendo um trabalho forte e importante. Estamos continuando a cumprir a missão jornalística.

Sem ser Polyana, mas um otimista insatisfeito, como ele mesmo se definiu ao reforçar estes pontos, Marty Baron disse que sabe que o jornalismo enfrenta enormes desafios pela frente, mas que não há outra alternativa que não seja o ser  otimista. Afinal, as oportunidades são enormes e é preciso aproveitá-las, todas. "Eu também escolho ser otimista, porque apenas assim eu posso vislumbrar um caminho para o sucesso. Só com o otimismo eu posso ter fé que a nossa importante missão jornalística será sustentada. É essa a convicção que me leva a trabalhar todos os dias. 

A apresentação completa do editor do the Washington Post  pode ser acompanhada em inglês, no site do Nieman Lab, sob o título Optimism is the only option: The Washington Post’s Marty Baron on the state of the news media.  

Este texto foi apresentado originalmente no programa Ponto de Encontro, que desde março deste ano venho apresentando na Rádio Mega Brasil online. Se você não conseguiu me acompanhar pela grade de programação, faça download aqui dos programas apresentados. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Pew Research Center: 31% dos adultos nos EUA não lêem mais jornais

Acaba de sair a décima edição do relatório anual do Pew Research Center sobre o Estado da Imprensa norte-americana.  E ele não traz exatamente boas novas para jornalistas, de forma geral.

Além do fato de as redações de jornais norte-americanos terem hoje 30% menos profissionais do que em 2000 - porque a mídia  tem perdido cada vez mais anunciantes para espaços digitais, com crescimento da publicidade móvel e de redes como Google e Facebook- parece que entre os que ficaram, há um sentimento de inadequação e falta de preparo para cavar boas histórias ou simplesmente questionar os dados que lhe são passados.

O público, responde à altura. Da pesquisa de opinião que acompanha o relatório, 31% dos respondentes (adultos morando nos Estados Unidos) disseram  não buscam mais notícias na imprensa tradicional. O motivo? A mídia já não entrega mais as notícias e as informações com as quais cresceram acostumados a lerem. Com o uso da tecnologia digital e das mídias sociais crescendo e as redações ficando cada vez mais enxutas, outros players começam a ter sua produção de conteúdo mais valorizada.  Exemplo disso são as publicações criadas por marcas para suprir nichos de informação - como o caso da Kaiser Health News, da Kaiser Family Foundation. Suas matérias são tão bem escritas, que mesmo o Washington Post publica vários artigos tendo ela como fonte. Para as empresas de mídia, está cada vez mais complicado distinguir o que é informação de alta qualidade e interesse do público e o que é notícia agendada.

O relatório está recheado de informações, entre elas um especial sobre as mudanças nos telejornais, uma reportagem em vídeo sobre lições da cobertura eleitoral americana de 2012 e a pesquisa de opinião sobre como as pessoas buscam notícias. Para conhecê-lo integralmente, clique na imagem (em inglês).


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Prêmio Mulher Imprensa indica blog para finalista

Na divulgação da última prévia da votação para a 8a. edição do Troféu Impensa de contribuição ao jornalismo, dei-me conta de que ainda não havia divulgado justamente aqui a indicação do blog para concorrer na categoria de mídias sociais, limitando-me ao anúncio via podcast, outro espaço no qual semanalmente atuo discutindo sobre o fenômeno que mudou para sempre o perfil do nosso trabalho.


O "Troféu Mulher Imprensa", único prêmio do Brasil destinado a reconhecer o trabalho das mulheres nas redações brasileiras, é uma idealização da revista e do portal IMPRENSA, em parceria com a Maxpress. Até a tarde desta segunda-feira (06/02), a votação para esta 8a. edição já ultrapassava a marca dos 95 mil votos válidos, batendo o recorde de todas as edições realizadas, conforme matéria do portal. 


É uma honra ter sido incluída para concorrer entre as cinco jornalistas que mais se destacaram por seus trabalhos em mídias sociais no cenário jornalístico brasileiro, especialmente pelo caráter independente do trabalho que realizo desde 2009. Meu muito obrigada ao juri representativo da classe jornalística pela indicação e a todos os amigos, colegas e familiares que votaram em mim e que, até o dia 10, ainda podem fazê-lo (por aqui). 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Convite


Hoje, diante do computador, bateu branco, dúvida mesmo. O que trazer para o Boletim Mosaico Social desta semana?  Poderia reverberar os assuntos comentados aqui e acolá que fervilharam por toda a semana passada nas mídias online: a discussão de como a lei tem agido no ambiente social gerando jurisprudência, abordando o copyright e atuando sobre os novos criminosos de uma terra que pretende "dar a César o que é de César", entre outros temas. Poderia ainda discutir o impacto da decisão de algumas empresas de tecnologia sobre parar de fabricar tablets... tem informação que pode interessar a todo mundo.

Por outro lado, criar uma lista seria abrir várias possibilidades para os ouvintes. Mas fiquei na dúvida sobre escrever sobre os melhores sites de mídias socais ou jornalismo online... e há tantas outras coisas a quantificar depois de qualificar...      

A verdade é que hoje, para o primeiro podcast deste já segundo mês de 2012, percebi que, passadas mais de 120 apresentações do Boletim Mosaico Social é hora de dar um rumo mais focado ao seu conteúdo. 

Ainda que aberto o leque de temas, abordando desde como usar o twitter para um ou outro objetivo, conforme foi o foco inicial deste espaço, ou falando sobre a influência das mídias digitais e das novas tecnologias na especialização do jornalismo online, passando pelas novidades de mercado e tutoriais, com dicas de aplicativos para usar em medição de resultados de ações e relacionamentos em mídias sociais e bla bla bla, percebi que está mesmo na hora de departamentalizar, de organizar o conteúdo deste informativo semanal.

E, para estabelecer novos objetivos e metas para aumentar o relacionamento com os ouvintes, usei o espaço desta semana para dirigir a você um convite...

Se você tiver um assunto específico cujo conhecimento queira aprofundar, ou mesmo um tema para trocar experiências, escreva para mim e dê sua dica para o Boletim Mosaico Social.   

É isso, assim, objetivo e conciso. Conto com você! Obrigada.

domingo, 25 de setembro de 2011

SMW-SP: gostinho de quero+


Passada a semana em que aconteceu, simultaneamente, em importantes capitais, o Social Media Week deixou no ar um gostinho de quero +.  

Para mim e para algumas pessoas que cá e lá comentaram, o SMW-SP pecou. Mas, por que, se o Lucas Couto e demais curadores reuniram gente #tudodebom #salvesalve, como costumo me referir em rede ao que gosto muito?

Alguns pensamentos provocadores e ou percepções. 
  • A maioria de nossos especialistas não teve tempo para deslanchar em novidades, e, por isso, não saiu do lugar comum: o que mais se ouviu foi o Lucas dizer “estamos estourados de tempo”.  Mentira?
  • Poucos conseguiram realmente ensinar a quem se dispôs a ir pessoalmente a um local longe para aprender: foi raro ter um momento em que números decorrentes de respostas do dia a dia vivido por agências, empresas de monitoramento, clientes etc. foram apresentados. Há exceções, mas - reforço - raras.
  • O exercício de achismo - apenas para gerar reverberação no twitter - foi demasiado, especialmente nos debates.  
  • Enquanto isso, assuntos como geolocalização, o uso de infográficos, o jornalismo online e o jornalismo-cidadão comparados às mídias sociais, a revolução que os tablets têm causado no dia a dia de consumidores, agências, empresas, ou seja, outros e não menos importantes temas envolvendo a comunicação, em geral, passaram batido.
A crítica estende-se também a quem investiu no SMWSP. Será que faltou grana para, a exemplo do que se viu em Bogotá, na Colômbia, termos, pelo menos, alguém de fora? Eu acho que nem precisaríamos de alguém de fora, porque temos talento de sobra aqui, o problema foi tê-los no palco com tempo para passar mais que uma experiência de eu acho isso e aquilo, mas novidade ou de pensamento novos para outros reverem suas estratégias e/ou aprenderem a criá-las. 

O fato é que não sou somente eu que tem comentado o fato de que os eventos de mídias sociais aqui estão cada vez mais repetitivos, sem sair da caixa e, pior, tornando-se um ambiente de uma tribo. Se as mídias sociais são um ambiente em constante #beta, se o brasileiro é um dos povos mais criativos, tudo isso ficou a dever nesta edição do SMWSP.

O que houve? Acabaram as novidades? Somos menos empreendedores que americanos e europeus, e, por isso, não tivemos a mostrar de realmente novo? Mesmo sem uma atração internacional para fazer um contraponto – até porque não precisamos disso - não houve quem pudesse ser comparado aos performáticos Gil Giardelli e Graça Taguti, que literalmente fazem a diferença em qualquer evento.

Institutos de pesquisa colocam o Brasil numa posição de relevância quanto ao uso das mídias sociais. Mas já perceberam como? Na qualidade de usuários e ainda, barulhentos, sem força para realmente emplacar uma revolução, por exemplo, como fizeram os ingleses nos ataques de agosto, ou ainda antes o leste europeu em massa contra as ditaduras locais.

Somos mesmo - ao que parece - revolucionários de sofá. E mesmo eu incluo- me na categoria. Afinal poderia ter voltado lá e twittado diretamente do evento, como fiz no primeiro dia? Mas, não: acabei fazendo-o ainda mais, mas relaxada em minha poltrona, eventualmente mudando para o escritório. Desencantei-me com a sistemática, a forma de apresentar etc., e não me levantei do sofá para voltar no dia seguinte. Nem por isso deixei de interagir com seu conteúdo, retwittando o que achava importante, ainda brincando com uma ou outra figura, parabenizando os vencedores do prêmio Epic e provocando outros. Mas e daí?

Passados três anos do boom deste novo movimento no mundo dos negócios, e hoje, após a terceira edição do SMWSP, só posso lamentar nossa posição de colônia neste latifúndio. Ainda vamos gramar muito para mostrar a diferença que poderíamos. Pior, tenho certeza de que sobram cases brasileiros de sucesso que poderiam ser apresentados de forma mais brilhante, para ajudar a explicar e ensinar o que se deve ou não fazer para se dar bem nesse ambiente, e mais gente, de valor e diferente das "sempre as mesmas". Se as mídias sociais são a sociedade em dolby surround, onde estão nossos verdadeiros especialistas e suas maravilhosas ações para fazer a diferença e compartilhar conhecimentos? (Imagem: http://bit.ly/one5Hk)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nasce #GEN: para discutir o futuro do jornalismo - mas, não é assim #tudodetãobom ...

Jornalistas de todos os cargos e plataformas - TV, rádio, jornalismo impresso e online - vocês que fazem, pensam, respiram a profissão. Querem discutir o futuro do jornalismo mundial, perspectivas de notícias etc., com base no conceito de benefícios mútuos? Aqui, diz o vídeo!

Só tem um pequeno, minúsculo, realmente escondidinho detalhe. Quem é de país emergente, assim, como você e eu, tem tratamento "especial". Toda entusiasmada, li o press-release, twittei, assisti à apresentação em prezi toda animadinha, me achando. De lá, editei o blog - primeira versão deste post. Lá voltando, fui ao endereço do site, feliz da vida, quando... caí do cavalo.



Resultado? Nem os jornalistas são concisos, claros e objetivos. Não de primeira. Fica feio dizer logo de cara: Você, jornalista de país de primeiro mundo... venha discutir o jornalismo do futuro. E por que? Porque a gente não vai ter vez... finalmente... #caiuaficha

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Haiti é aqui



Desde as primeiras matérias envolvendo a tragédia das chuvas na serra fluminense, sabia ser questão de dias largar tudo em São Paulo - onde nasci e voltei a morar faz 12 anos - e partir para o Rio de Janeiro - minha terra do coração, onde fiz questão de ter meu filho.

Sentimento parecido já havia me atingido no ano passado, quando do terremoto no Haiti. Acontece que era outro País e, por exigir burocracia, custos e decisões alheias à minha vontade, não me foi possível ser voluntária como agora. Meu desejo de ir pessoalmente ajudar aquelas pessoas restringiu-se ao envio uma pequena verba via ONG Médicos sem Fronteiras, e do abraçar fervoroso da campanha de divulgação via twitter em prol de donativos ao País mais pobre das Américas, repetindo, quase como num coro uníssono, “O Haiti não é aqui!” Ledo engano.

Como joio e trigo das lavouras, o resgate e a ajuda aos sobreviventes da maior tragédia do Estado do Rio e do Brasil, tem de tudo um pouco. Exemplos de solidariedade viram manchetes nas Tevês, mídias impressa e sociais. Mas falta muita coisa: organização das instituições políticas, um bom plano de contingência e mesmo gente com autoridade para coordenar ou supervisionar as várias atividades que, aos olhos mais leigos, parecem sem eira nem beira.

Minha ansiedade em ver donativos chegarem aos necessitados logo se transformou em frustração. Não foram poucas as cenas que presenciei em apenas dois dias de trabalho como voluntária da Secretaria do Trabalho e Assistência Social e Cidadania de Itaipava - SECRAT, localizada no centro do município pertencente à prefeitura de Petrópolis, onde trabalhamos, meu filho e eu, desde o dia 21 de janeiro.

Antes de ir para o Rio, a partir do que vinha conversando com @bdugin, o estudante de jornalismo que se tornou celebridade no twitter pelo belo trabalho realizado em Nova Friburgo, imaginava ver carros saindo em comboio dos centros de apoio para levar pequenas caixas e sacos contendo roupas e material de limpeza e higiene pessoal aos necessitados. Mas o que vi foi exatamente o contrário. Uma Kombi estacionou no pátio do CIEP, ao lado da SECRAT, de onde todos os sacos contendo material de higiene pessoal estavam sendo retirados.

Sem entender nada, fiquei horrorizada com a forma com que o material foi tratado pelos homens do Exército responsáveis pela ação. Entre sete e dez militares – fizeram uma corrente para passar os sacos até que o último jogava-os sobre uma pilha. Com a força da queda, muitos dos sacos se rasgavam e sabonetes, desodorantes, papel higiênicos iam se perdendo no meio do monte que se formava no enorme galpão. Os recrutas? Nem aí com o resultado catastrófico daquela operação mal supervisionada. Avisei, apontei, gritei, e nada. Ainda parei um senhor vestindo uma camiseta “oficial” escrito Prefeitura, o que, em tese, poderia garantir alguma ascendência. Ele dirigiu-se até a metade do caminho, mas desistiu. Nem eu, nem ele, mas, então, quem? A quem cabe a autoridade numa situação desta? E o bom senso, onde foi parar?

À primeira vista, tudo leva a crer que há uma grande união, que as forças estaduais e municipais estão coesas para o bem comum. Como jornalista, é dever apoiar as iniciativas! Mas é no detalhe que o caos é gritante, pior, grotesco, revelando muito mais que inexperiência e ineficácia. Revela um descaso e um jogo de poder que também não podem ficar no vácuo.

Quem trafega pelas ruas de Itaipava vê guardas controlando o trânsito. Os caminhões da Prefeitura jogam água de tempos em tempos para limpar as ruas e evitar que o pó da terra que desceu com as chuvas, já seca pelo sol abrasador, suba e torne irrespirável o ar. Louvável, mas é o mínimo esperado. Agora, o que dizer da falta de uma planilha de controle de escalas de voluntários como no caso do meu filho e eu? De distribuição de tarefas por aptidão, por exemplo, já que houve um esforço de cadastramento, no qual nossa profissão foi consultada? E o que falar de todo um árduo processo de separação de roupas que, após o dia trabalhado, é totalmente desperdiçado? Isso mesmo! Durante o dia, apesar de aos montes, nenhum policial, guarda ou homem do Exército controla o fluxo das pessoas que sobem e descem as rampas para os andares onde estão os donativos “trabalhados” pelos voluntários.

Meninos e crianças em férias, mulheres sem trabalho ou apenas curiosos ficam zanzando pelos andares do CIEP, entrando nas salas para saber quem é a pessoa responsável, ainda não sei se para intimidar ou com qual finalidade. Ao final do dia, depois que saímos, estas pessoas literalmente abrem os sacos de roupas separadas por gênero, tipo etc. e então “escolhem” o que querem. Como verdadeiras “aves de rapina”, roubam o que separamos e espalham sobre o chão as peças que não lhes interessam. No dia seguinte, só nos resta recomeçar o que já tínhamos feito. Tudo porque além do que já escrevi, também não há chaves nas salas ou esquema de guarda da sala para onde são transferidos os sacos de roupas.

Por tudo isso, quando fui instada a assumir uma sala, neste segundo dia, fiz questão de entregar um relatório completo de quantos sacos fechamos de cada tipo de roupa etiquetada. Assim passei o turno. O que terá acontecido depois? Não tenho ideia, sinceramente. O máximo que posso me permitir é deitar no travesseiro, achando que fiz o meu melhor pelas pessoas que, um dia, podem vir a receber as minhas, as suas e as doações de tantas pessoas que, como eu, acreditam que o trabalho que fizemos tem um objetivo maior do que servir de plataforma política e esvaziar estoques de comidas por vencer e vencidas– apenas para melhorar o marketing de algumas marcas – de pessoas desonestas.

Infelizmente, não posso me responsabilizar por este trabalho porque sou uma parte muito pequena e sem poder de uma enorme cadeia. Fui proibida de seguir com meu carro para entregar pessoalmente minhas próprias doações aos necessitados, quiçá aquelas roupas, que procurei separar como se fosse dar a meu filho. Ser voluntária no Brasil só me deu uma certeza. O Haiti é, sim, aqui! (Foto de Kevin Carter, que ganhou o Pullitzer pela imagem e, por não ter aguentado o peso de tal "sucesso", aparentemente, matou-se após o feito, conforme a reportagem em inglês daqui.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Jornalismo nas redes sociais - erro x credibilidade. Repórter cidadão + (checagem)² / AI = credibilidade sem erro

Credibilidade: preciosa moeda de qualquer profissional, imagina para jornalista nos tempos das mídias sociais?

O ano é 1994. A internet ainda está em sua fase embrionária, com portais verticais, unilaterais. Mas o poder de uma informação jornalística é voraz. São os tempos do jornalismo como 4o. poder. Uma notícia inverídica de assédio sexual, publicada pela imprensa vira caso de Polícia, tona-se escândalo nacional, destrói as vidas dos dirigentes da Escola Base, em São Paulo. Mais de 10 anos depois, sem provas, os dirigentes ganham na Justiça o direito à indenização.

Muda o século. O ano agora é 2010. A Folha de S. Paulo, por meio de sua editora de Poder, Vera Magalhães, confia na informação de um médico do Hospital Sírio Libanês (que funciona, naquele momento, como repórter-cidadão, já que, desmentido pela assessoria de imprensa, provavelmente fonte oficial não era!) e divulga um petardo.




O desmentido foi dado na sequência, mas, em mídias sociais, minutos podem significar audiências enormes.

A lição de casa:

Eu não culpo a Vera e não queria estar em seu lugar. Antes, tinha apenas a parte física do jornal para cuidar; agora tem que lidar também com as mídias sociais - muito provavelmente; é o que acontece na maioria dos veículos de comunicação. Em tempos de redes e mídias sociais, as empresas jornalísticas que acabaram com o cargo dos revisores - embora não tenham encontrado um modelo de negócios que caiba em seu lucro de outrora - poderiam repensar essa ausência.

Se não for para recontratá-los, poderiam criar um cargo de Gestor de Informação. A este caberia, antes ainda de passar o material finalizado para o Editor - que fecha a página - revisar conteúdo e forma das matérias, checando uma segunda vez a informação com a assessoria de imprensa, evitando o erro, quiçá refazendo a notícia, garantindo a credibilidde que, ao final, interessa a toda a equipe do veículo.

No lugar errado, na hora errada e exercendo a função sob extremo estresse, a jornalista ficará marcada para sempre. Seu nome estará em blogs, portais etc., porque "a internet é para sempre". De qualquer forma, no frigir dos ovos, ela estava fazendo seu melhor, naquele momento, representando quem? A Folha de S. Paulo...

Quem nunca errou que jogue a primeira pedra.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Jornalista mundialmente reconhecida pelo Bob Awards e sem trabalho:


o Brasil não merece o Brasil

Ela poderia desfilar uma soberba ainda maior que muita figurinha adorada e seguida – no #twitter (sempre ele, claro!), por fãs vindos de todas as partes do Brasil, de diferentes tribos e grupos. Mas, com perto de três mil seguidores – dos mais seletos, diga-se de passagem, ela se mantém focada nos planos de realizar as 100 coisas que postou como metas a realizar antes de chegar aos 40 anos, algumas delas tão simples como fazer massagem pelo menos uma por mês ou comprar um netbook. Mas por que escrevo em soberba e falo dela como celebridade, se ela mesma se apresenta como mulher simples?

Pausa:

Ana Paula Magalhães ou apenas Ana Magal é carioca “da gema”, apesar de ter tatuado nas costas o edifício Banespa, de São Paulo (ninguém é perfeito – eu, paulistana, já declarei minha alma carioca, depois de viver 23 anos no Rio e decidido ter meu filho no Rio – mas não tenho tatuagem). Feminina ao extremo é jornalista por vocação e opção (esta, sim uma coincidência) – escolha feita dez anos depois de completar o 2º. Grau, após passar pelo mercado de trabalho exercendo as funções de professora, operadora de caixa, vendedora, secretária, enfim, depois de conhecer a vida e buscar realmente optar pela profissão que lhe fizesse feliz.

Este ano, por indicação dos leitores, Ana Magal foi finalista do disputado concurso internacional The Bobs Awards 2010, na categoria Weblog em Português. Ler seu post a respeito mostra bem quem ela é. Ao invés de capitalizar a oportunidade para ela, pede votos ao colega Antenor Thomé e sente-se pequena diante de ícones que admira como @inagaki, do blog Pensar Enlouquece, e do @pergunteaourso.

Um pouco de história:

Seu “PJ” (até então eu achando se tratar de “Pessoa Jurídica” – dadas as atuais condições do nosso mercado de trabalho), como ela se refere ao blog Profissão Jornalista foi criado como Kerokollinho no antigo blogger.com.br, há 11 anos. Como diz o nome do espaço, o momento de criação era de busca de colo.

A história do blog ela conta em seu mais novo espaço, o “filhote” Tele-Visão, no qual ela opina sobre o que se passa nas telas de Cinema e da Tevê. “Já fui muito criticada por causa deste último, mas o espaço é meu, e sendo blog, falo o que bem quero, acho ótimo provocar discussão”, diz. Há ainda outra cria, na qual ela divulga informações e discute o universo feminino, o Feminina Plural.

Entre as melhores do mundo

Ficar entre os melhores do mundo em língua Portuguesa, sem ter se esforçado para isso, apenas seguindo seu instinto natural de fazer o melhor de si em tudo que se envolve: “Sou uma vencedora”, diz, altiva, mas sem perder a humildade, sorrindo tímida, encolhendo-se, até, na tela do Skype, por onde a entrevistei. Ela se agita quando tem que explicar ao povo que não entende isso, que tem a mente brasileira de achar que vencer é “levar a taça”.
1) Não mexi uma palha para ser indicada; fui informada via e-mail, enviado pela própria organização do The Bobs, e os votos, recebi via internet.
2) Ficar entre os 11 melhores weblogs mundiais em Língua Portuguesa, gente, isso não é uma vitória?

Ana Magal! Para mim, referência especial num oceano de gente sem metade de sua vivência de pôr a mão na massa, de entrar a fundo na “bagaça”, de entender a “física” quântica do processo para vencer.

Ela enumerou 100 metas, eu lhe sugeri focar em apenas três: com lide completo, que aprendi também recentemente, no grupo EmpreendedorAs do qual participo. Só falta isso para ela, meu novo ícone, como Thomas Edison, que tentou 99 vezes, chegar à centésima vez para descobrir a sua receita do sucesso completo.

Ana Magal: Jornalista amante da Comunicação Empresarial, conhecedora como a palma da mão do universo das mídias sociais, com seu blog entre os 11 melhores do mundo em Língua Portuguesa tem uma questão aberta. Por questões de saúde, ela precisa de um “Extreme Make Over” para se cuidar, voltar a se amar, focar suas metas, arrumar um emprego decente e, porque ama São Paulo, quem sabe vir para cá. E, finalmente, reconhecida pela sua extrema capacidade aqui no seu País, ser feliz. #RF #RT!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quatro princípios das mídias sociais que são coringa para todos os relacionamentos



Neste ano, muita coisa foi abordada neste blog. O objetivo inicial, ao ser criado, foi o de discutir o impacto das mídias sociais sobre o Jornalismo e a Comunicação Empresarial. Mas, ao longo do tempo acabou incluindo outros assuntos decorrentes, revelando joio e trigo deste mundo de relacionamentos 1.0, 2.0, 3.0 e como continua sendo importante o que chamo de zero.zero, ou seja o olho no olho, o pessoal, o cara a cara.

No tempo em que venho escrevendo, jornais fecharam suas portas em todo o mundo, profissionais optaram por outras formas de trabalho ou se adequaram para conviver com as novas ferramentas, plataformas, redes e comunidades por questão de sobrevivência. Por sua vez, os patrões - e não somente os da área de Comunicação - continuam correndo atrás de respostas claras para lucrar com este universo que, a cada dia, pela espantosa velocidade da tecnologia, apresenta novidades ainda mais desafiadoras. Aqui no Brasil, voltando ao Jornalismo, após a martelada sobre o diploma e a incógnita sobre a regulamentação da profissão, a década termina com a triste realidade da retórica de um discurso sobre liberdade de expressão que arrepia por todo o histórico de vida pública e política do seu porta-voz na 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

Infelizmente, o retrocesso é inversamente proporcional a todo um avanço alcançado em outras direções. Falar em "apoio incondicional à liberdade de imprensa" depois de meses em que o OESP foi literalmente impedido de tocar no assunto Sarney - apenas para citar um pedacinho do gelo da ponta do iceberg que significa a série de episódios que marcaram as duas etapas do governo Lula e seu relacionamento com a imprensa - é, no mínimo, uma incoerência perto do que ele fez ao elevar o Brasil à pauta mundial em vários segmentos outrora esquecidos. Okay, fim do parêntesis sobre Jornalismo e, de volta ao foco do tema do último post (é que este aqui tem um certo caráter de retrospectiva, ainda que superficial).

Enquanto a “nova ordem mundial” vai tomando forma numa “metamorfose ambulante” (parafraseando o inesquecível e também lembrado este ano Raul Seixas) em progressão algorítmica (sim, porque geométrica foi da minha época), em que as gerações Y, Z certamente trafegarão com mais malemolência que as anteriores, por questões de HD mental mesmo, acredito piamente em quatro princípios que, não importa a velocidade da informação ou a quantidade de memória que o cérebro possa armazenar, associar, raciocinar, criar e multiplicar, vão estar sempre “na ordem do dia”.

Estes princípios aprendi ao longo de 2009, observando o relacionamento entre as pessoas nas redes e comunidades, comparando com os de família e associando-os às várias leituras feitas no ano. São quatro dicas que valem para todas as mídias. São, na verdade, valores de uma mente de sucesso, e começam pelo relacionamento pessoal. Por que?

Porque antes de relacionar-se com o outro, você precisa aprender a se relacionar bem consigo mesmo. Depois, então, você pode seguir para as demais pessoas no ambiente real e em todas as instâncias envolvendo plataformas, ferramentas, redes e comunidades: Vamos lá?
1) Fale sempre de forma positiva, mantendo seu “eu ideal” em alta. Se você se mantiver na condição de constante aprendiz de forma divertida e falar positivamente, vai atrair o positivo (as palavras têm poder – Are baba!). E se você se mantém divertido em casa, com a família, os amigos e os colegas, a vida se torna divertida. Vale a pena experimentar.
2) Quer ter sucesso? Então, mantenha o pensamento na mudança que precisa realizar para isso. Tudo o que conseguimos depende apenas de nós – agora, se nos mantivermos fechados, como mudar para chegar onde queremos? Então, abra a cabeça para as mudanças, aceite-as, integre-as ao seu dia a dia e “vamos que vamos”.
3) Mude você: você não pode se dar bem com todo mundo, mas pode se esforçar para se dar bem com o maior número de pessoas. Se não aceita algo em alguém e a atitude desta pessoa não te agrada, ao invés de se desgastar tentando mudá-la, que tal mudar você?
4) Viva com paixão. Estamos aqui para ser felizes – buscamos a felicidade em cada momento da nossa existência (pelo menos acredito que seja para isso que estamos aqui, a não ser que haja masoquista por opção!). Então, coloque paixão no que sente, no que faz, no que diz, no que realiza e você verá que o sucesso na sua vida – em todos os aspectos e em todos os relacionamentos, plataformas, mídias, departamentos e escalas - virá como decorrência natural destas escolhas. Porque estes princípios nada mais são que escolhas de vida. De uma vida de valor.

Feliz 2010, com muito sucesso para você! Para nós! ;D