quinta-feira, 4 de março de 2010

Havaianas: a sandália chegou, porque as midias sociais funcionam, sim.

A resposta final ainda vamos esperar. Promessa da Carla

Estive o dia todo praticamente fora, mas ansiosa sobre o que eventualmente poderia encontrar ao retornar ao meu QG. Cheguei antes, é verdade. Mas, não demorou muito e um motoqueiro foi o entregador do que a imagem revela.



Junto com ele, um bilhete, de próprio punho, papel de carta pessoal, assinado pela diretora de Sandálias da Alpargatas, Carla Schmitzberger, #comomandaofigurino. Não vou expor seu bilhete, seria falta de cortesia, mas o resumo é o de que ela se compromete a averiguar tudo o que não funcionou corretamente em seu "processo interno" e que me dará "um retorno a posteriori".

Isso reflete objetivamente:

1) Que ela leu o post;

2) Entendeu a mensagem;

3) Fez o dever de casa que lhe cabia.

A mim, agora, cabe, por ora, finalizar o assunto, agradecer e esperar sua resposta, porque:

1) Recebi o que devia - um par de havaianas igual ao que quebrou;

2) Recebi até mais.A foto acima prova. Além do par igual ao da tira que quebrou, Carla fez a gentileza de me enviar um na cor que eu queria adquirir e não encontrei, além de uma bolsa para acondicioná-las. Por isso, uso este espaço para agradecer-lhe, o que também farei por Facebook, a outra mídia social usada para fazer contato - e a que gerou o retorno.

3) Esperar, sim - porque, como disse, como consumidora do ponto de vista imediato, consegui resolver meu lado de receber meu produto dentro do tempo de garantia de fábrica, direito garantido pela própria marca.

Mas quero, sobretudo, poder continuar sendo uma fiel consumidora #havaianas; não somente por acreditar que a Carla terá, a partir deste episódio, como escarafunchar e fazer acontecer dentro da empresa, de forma a que os canais internos funcionem e atendam bem aos consumidores, como a fabricação seja 250% de qualidade AAA para todos os nichos atendidos pela empresa. Não terá sido porque recebi dois pares de #havaianas e uma bolsa, que eu terei esquecido este caso. Minha irmã escreveu, meus amigos me conhecem e meus clientes e ex-clientes também para que eu não precise entrar em detalhes sobre minhas crenças acerca das defesas que fiz aqui e que defendo ao assumir um job ou conta

Eu vou esperar, Carla, e vou cobrar. Aliás eu e todo mundo que leu este blog, o Twitter, o Linked In e o Facebook pelos últimos dois dias. Porque muitos de nós - como brasileiros - não compramos no concorrente - somos fiéis à marca há anos - seja dos modelos monocores, seja dos modelos cheios de bossa, exportáveis. Nem precisamos ir longe - coincidência ter chegado a mim hoje a edição de número 11 da revista living Alone. Na capa? O ator Marcelo Novaes, que, ao revelar seu lado lar-doce-lar, está usando camiseta, calça xadrez e... um modelito monocor azul do que? das #havaianas, do que mais? Por estas e outras... vamos todos, esperar!

quarta-feira, 3 de março de 2010

HAVAIANAS: Elas soltam as tiras, sim



E, como twittou a colega Cora Ronai, ontem, quando eu lhe contei do "causo" todo, que segue, em detalhes... (mas clique no twitter aí da Cora antes!).

Foi esta a sensação mesmo que senti, quando a tira vertical de uma das minhas sandálias “fashion” adquiridas ao módico valor de R$ 12,90, simplesmente espatifou-se, quebrou, mantendo, na base, o circulozinho que a mantinha presa a ela. O tal par foi comprado numa promoção que, soube por uma vendedora de loja do Shopping Morumbi, era exclusiva da marca com o supermercado Extra, localizado quase ao lado do meu enorme e funcional apartamento de 57m2, na nobre região do Panamby, em São Paulo.

Como pode? Afinal, ao longo de gerações (são pelo menos três, se considerarmos que tenho 46 anos exatos), ouvimos Chico Anísio defender alto e bom som, que elas “não deformam, não cheiram, não soltam as tiras”, não nada? Sim, o mundo havia acabado. Especialmente porque este parzinho, que eu só comprei porque custava menos de R$ 20, eu estava usando havia menos de dois meses. DOIS MESES, enquanto meu outro, um lilás simples, sem florzinha, sem nada, eu tenho há mais de anos. E este está até roto, com a borracha já começando a ficar fina.

Pra bater

Comprar um par de havaianas baratinho é uma condição sine qua non para quem é da minha geração, que cresceu com #havaianas – e não por decisão classista, não. Sua mãe, a minha, a nossa, a vossa, a deles, você e eu sempre “soubemos, todos” que “dura para sempre”, que elas são prá bater, mesmo (no bom sentido, é claro!). Então, por que pagar mais se podemos pagar um preço justo, mesmo por uma mais bonitinha? (Isso não é comercial das #CasasBahia, mas é o que as #havaianas parecem querer, não eu.)

A história em detalhes:

Comprei meu par #havaianas no Extra quando saiu a promoção. Ele – que ninguém sabe ainda se seu nome é Jardins (eu fui me informar, porque tentei comprá-lo três vezes até conseguir, e mesmo assim, a douradinha sumia das prateleiras sempre, não teve jeito, só consegui mesmo a prateada!) veio num encarte do supermercado que recebo em casa.

Como sou da geração #babyboomers, aquela que não quer pagar R$ 50 por uma bonitinha, cheguei a devolver uma que minha irmã quis me dar de Natal, da Daslu. Simplesmente não aceitei e ainda salpiquei-lhe um sermão. “Onde já se viu, pagar Daslu numa #havaianas?” Então, só comprei uma bonitinha, quando seu preço chegou nos... bem, você já sabe. “Taí, este valor, eu PAGO”! Mas, quebrar em dois meses de uso?! Imagina a minha cara de #failtotal?

Quebra de confiança numa marca = instituição nacional

Não vou dizer que o sentimento tenha sido similar ao de quando perdi meu Twinguinho #tudodebom, #megafashion, nas águas de Sampa, em 2006. O sentimento de impotência diante de uma tragédia como aquela é realmente de doer na alma. Mas, guardadas as devidas proporções, foi uma quebra de paradigma de qualidade da marca. De toda a confiança numa quase instituição nacional, que foi assim, em dois meses, depois de anos, décadas, depois de gerações, para o escambau, ralo, para a lama!

Logo as #havaianas, que se recriaram, foram "Case de Marketing", ganharam o mundo etc. e tal. Acabou, morreu, virou pó – e nem era de #pirlimpimpim, porque este costuma trazer a fada madrinha com sonhos coloridos. Era pó de borracha velha, química estragada, usada para fazer sandália de categoria inferior para ser vendida em supermercado – e olha que o Extra é a segunda bandeira do Pão de Açúcar – que tem outras marcas também.

By the book

Antes de começar a reclamar no Twitter, eu tentei tudo corretamente – eu sempre tento. Sou consumidora consciente e, além disso, como jornalista PR por anos, eu me fiz em Gerenciamento de Crise.

Peço desculpas se leio arrogante, o que não sou em CNTPs (As famigeradas condições normais de temperatura e pressão - das aulas de Química, lembram-se?). Meus amigos e familiares me conhecem – mas eu sei o que é lidar com isso.

Os problemas da comunicação da marca #havaianas com seus consumidores são um case de mídiassociais fantástico.

1. Vou logo isentando o pobre coitado de quem fez o hotsite deles, porque sei que, no final, o cliente é quem manda e o que o primeiro entrega, nem sempre foi o que vendeu – mas isso é assunto para outro post – vamos nos problemas de comunicação com os consumidores.

2. O telefone do hotsite, mesmo errado, continuava lá. Nem vou dar-me ao trabalho de correr atrás do link, porque pode estar fora do ar a esta altura. Sou rata de Google antes mesmo dele existir. Estou na "rede" desde 1995, fiz curso de HTML e Internet no Alternex, e a assinatura do Carlos Nepomuceno num certificado da ONG do Betinho, este mesmo, o irmão do Henfil, está lá e não nega.

Fui a uma loja, pessoalmente, quando consegui detalhes importantes:

• Um número de telefone correto,
• Saber que o tal modelito só foi para o Extra, mesmo, nunca foi para a loja
• Mesmo que o supermercado não trocasse a peça, a garantia de fábrica é de três meses.

Ainda em meu dever de casa,

Achei @havaianomaniaco, crente que se tratava do canal deles, mas não é, porque me passou o mesmo telefone do hot site e acabou recebendo de mim a informação correta sobre o telefone de contato das #havaianas que ele bloga, twitta e ganha dinheiro com isso.
Como as #havaianas não tem site, nem twitter, fui ao da Alpargatas, a marca mãe. De lá, via webmail, contei minha triste história. A resposta chegou atrasada, apenas depois que eu liguei – e ainda numa direção 180º oposta ao que me disseram ao telefone – o que, eu, inclusive, respondi a eles, aguardando retorno. Enquanto a moça do telefone me informara não ser necessária foto ou levar a sandália para análise, no e-mail me disseram exatamente o CONTRÁRIO. #Fail total!

Bem, para encurtar: esta semana faz 30 dias que o contato foi feito e... Silêncio total... nem contato, nem o “refund”, nem sandália.

No último fim de semana, vi que o Extra voltou a vender o modelito mais barato, e provavelmente mais ordinário (sim, claro, alguma outra explicação?). Percebi que ninguém mais me telefonou ou mandou entregar um par novo para mim. Se o mês vira, vão dizer que acabou a garantia. Mas, e “kiko”, se eu fiz contato antes do fim do prazo? E tudo isso eu escrevi também para os representantes das #havaianas.

Voltei para a Internet. Ahá... Estava lá, no Facebook, o nome da Diretora de Sandálias da marca Alpargatas. Mandei-lhe como convite para integrar sua rede uma mensagem com a foto da sandália quebrada. Não adiantou nada. Não respondeu, não mandou ligarem, não mandou e-mail, NADA.

Neste último dia 1º de março, li matéria do Gentili sobre a NET, que graças a um tweet seu, conseguiu viralizar a coisa a tal ordem, que teve seu problema resolvido. Eu, ainda assim, aguardei. Não queria expor as coisas a este grau. Mas, o tempo passou, nenhuma resposta, de novo, e eis que ontem, dia 2 de março, a jornalista Cora Ronai twittou sobre problema com outra empresa. Foi quando lhe enviei um tweet e ela me respondeu o que vocês acabam de ler.

Sou da paz, mas quando a pá vira, eu sou da briga, sim. E que fique claro que, além de um par de sandálias bonitinho, quero que ele não seja ordinário. Não se trata de capricho por R$ 12,90, mas de consciência, de cidadania, de saber valorizar o seu dinheiro. Não quero que quebre mais, quero que a empresa use a borracha classe AAA, a mesma usada para exportação ou para as sandálias da DASLU, para os modelitos de R$ 12,90. Só porque é coleção exclusiva para supermercado? E quem disse que classe formadora de opinião não compra lá?

Agora são mais de 18h, do dia 3 de março. Até agora, nem e-mail, nem telefonema. A única coisa que eu ouvi é que as #havaianas contrataram agência de #mídiassociais para avaliar estrago e estabelecer estratégia de ação. Mas, isso, eu soube na hora do almoço. E, até agora, final do dia, deu mais que tempo de eu esperar, falar com mais gente, mandar últimas mensagens no Facebook e conversar com uma turma por telefone (até fora do Brasil!). Tempo de eu escrever este post e até revisá-lo - e ainda assim, ele sai com erros que me fazem voltar a ele de vez em quando.

Tempo de eu perceber que, ao ser colocado no ar, deve ainda gerar mais resultados negativos – porque não se tratam de R$ 12,90, mas de uma discussão de proposta de valor, de valor agregado, de estratégias de Marketing, de Atendimento – furado – ao cliente, de canais de vendas furados, de tudo o que envolve a marca.

Está tudo errado e eu não quero mais papo

O que eu quero um é um par de sandálias #havaianas que “não deformam, não soltam, nem quebram as tiras, pelos próximos 4, 5 anos, e que sejam bonitas. Agora, não quero mais atender as #havaianas, nem falar com representante das #havaianas, porque já gastei tempo demais escrevendo.

Quero meu dinheiro valorizado. Não é proposta de valor que eles agregaram ao produto? Que me entreguem isso. Eu paguei por isso. Se foram R$ 12,90 ou R$ 150,00, não me importa – está estampado – #havaianas.

Recado final, que nem precisava, mas que vale como tiro de misericórdia emocional, especialmente porque as #havaianas cresceram porque muitas mulheres investem nelas a cada dia, inovando com suas idéias e criatividade:

“Minha mãe trabalhou no Laboratório de Química da Alpargatas, ainda na década de 50, quando sequer era casada ou eu nascida. Enquanto muitas mulheres ficavam em casa, ela estava lá, dando duro e prezando por Qualidade (uppercase!). Graças a Deus, ela está em outra dimensão e não aqui para ver a empresa da qual ela falava tão bem estar agora com sua marca na lama.

Mas, que fique claro, a marca não está na lama porque sua filha a jogou. Eu, que sempre fui #havaianas, defendi-a, "exportei-a", até.

A marca, que um dia foi case de Marketing, agora está indo para a lama provavelmente pelos descendentes das pessoas às quais ela, minha mãe, serviu. Para ela, como para a Cora Ronai e para mim, o mundo teria caído se ela estivesse aqui.” É isso! #prontofalei

Vany Laubé é jornalista, blogueira, twitteira, eterna aprendiz das mídias sociais e professora via podcast para a Rádio Mega Brasil online, entre várias outras atividades, além de empresária. Em Maio, agora, vai ministrar o Workshop O Uso Corporativo do Twitter, Orkut, Facebook, Youtube e outras ferramentas digitais. Inscrições aqui: (Foto: Vany Laubé)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Web Expo Forum: Marcelo Negrini diz que novo buzz tecnológico vai durar 10 anos e será capitaneado pelos meios móveis



Negrini ainda prevê um futuro ruim para a grande imprensa, bom para veículos especializados e, para os jornalistas, graças ao Content Strategy, a previsão é de mudança de foco!

Um dos destaques da 4ª Edição do Web Expo Forum, promovida pela Converge Comunicações de 17 a 19 de março, em São Paulo, é o diretor de Marketing da LabOne, Marcelo Negrini. Figura constante na grade de palestrantes do evento, pela 3ª vez ele vai estar à frente de uma plateia para abordar as tendências em tecnologia de mídias sociais. Na 4ª. feira, dia 18, de 14h às 15h, no Workshop Web Business, ele vai abordar o Content Strategy, tema que escolheu por acreditar estar de acordo tanto ao momento atual do mercado quanto ao seu, profissional.

Em entrevista exclusiva a este blog, ele fez afirmações otimistas ao dizer que não falta demanda de mercado para as mídias sociais, “nem de empresas inovadoras, que abraçam novidades tecnológicas antes de todo mundo, nem de empresas retardatárias, que adotam as tecnologias depois que elas ficam provadas”. E foi além: “Em breve vamos ter outro boom tecnológico, puxado pela Web móvel.” Para Negrini, este novo boom será “maior que a bolha do fim dos anos 90” e mais permanente, porque, ao contrário da bolha da Internet, esta, que envolverá os celulares, deverá “levar conteúdo e relacionamento das empresas para esse novo meio vai render mais de 10 anos de expansão no mercado de tecnologia”.

Porque o Content Strategy

Até chegar a este veredicto, Marcelo Negrini fez um wrap-up do mercado:

• 2008:
* Momento de construção de redes sociais para as empresas criarem relacionamento mais próximo com seus clientes.
• 2009:
* Já no mercado, via mídias sociais, as empresas precisavam monitorar o que era dito a seu respeito em ferramentas sociais abertas, como Twitter, Orkut, Facebook e blogs.
* As ferramentas já estavam sendo entendidas e trabalhadas como mídias importantes, ajudando a vender produtos e criar relacionamentos duradouros com as marcas.
• 2010:
* Os consumidores estão exigindo mais das empresas e marcas.
* Não basta estar presente na Web ou em mídias sociais; é preciso oferecer conteúdo original, rico, e em sintonia com os valores de cada marca e com os estilos de vida associados aos produtos e serviços.
* Cada empresa vai precisar publicar muito texto, imagens, vídeos e áudios, com alta qualidade, mais ou menos como os grandes portais Internet o fazem.
* Passada a fase do pioneirismo, todas as empresas vão precisar de uma estratégia de publicação de conteúdo, até para gerar as discussões corretas nas mídias sociais.

Conteúdo das mídias sociais x Content Strategy

O convidado do Web Expo Forum da LabOne acredita que o tema Content Strategy ainda é tão novo que “não chegou no ponto de ter aventureiros e pessoas falando bobagens – como no caso das mídias sociais. Ele vê o tema como mais complexo e com operações ricas em conteúdos e muito mais caras que ações simples em mídias sociais.

“O desafio hoje é fazer com que as pessoas, principalmente os responsáveis por marketing nas empresas, entendam que isso é uma necessidade, e não uma opção”, disse. E defende a participação estrangeira no mercado, como também a exportação do trabalho brasileiro.

“Apesar de o mercado no exterior estar mais maduro, não existe um gap tão visível nem entre clientes locais e multinacionais, nem entre agências locais e multinacionais”, explica, citando: “A Garage, brasileira, está fazendo um trabalho fantástico com Skol Beats, da AMBEV, multinacional brasileira. Já, a AgênciaClick, hoje ta,bém multinacional (Isobar) mas com DNA totalmente nacional, está fazendo o portal da Sadia, brasileira. E tem a Wunderman, multinacional, fazendo os sites da Nokia, também multi. Hoje, a separação é entre empresa/agências que têm estratégias para conteúdo e mídias sociais, e empresas/agências que ainda estão na era do hotsite e da “ação farofa” em mídias sociais”, polemiza.

E a imprensa?

Apesar de não ser tema do encontro, mas do blog, resolvi levá-lo para o mercado jornalístico, ao perguntar para o Negrini como ele entendia sua incapacidade de encontrar um modelo de negócios, o futuro, enfim, sua visão para nossa área.

“Minha visão sobre isso é que a crise jornalística tem muito pouco a ver com tecnologia, e sim com um processo começado pelos próprios veículos, no qual eles se tornaram por conta própria irrelevantes. São poucos os veículos que fazem apurações fidedignas dentro de matérias, que são fundamentais, mas perdem o valor dentro de um modelo editorial cada vez mais sensacionalista e com cara de “infotenimento”. Os bons jornalistas continuam heróicos nos grandes veículos, e praticando sua profissão corretamente. Mas seu trabalho fica espremido entre o ruído da cobertura de celebridades, infinitos guias de saúde e equilíbrio, guias de compras, publieditoriais de todo tipo.

O público vê o grande jornal e a grande revista semanal ficarem com a mesma cara e a mesma qualidade dos tablóides e revistas de inutilidades. Aí encontra toneladas de veículos não-tradicionais, como blogs, falando de assuntos específicos com grande qualidade. E, no caso dos grandes blogs ou veículos online, com as mesmas regras e parâmetros de qualidade do bom jornalismo. A escolha pelo online é fácil, e não é por causa da questão pago versus grátis. É pela facilidade de se chegar a conteúdos específicos rapidamente, sem ruído. O blog especializado está a um clique do Google. O mesmo assunto, se aparecer no jornal ou revista, é uma notinha que desaparece ao lado da cobertura dos “reality shows”.

A crise da imprensa não é generalizada. Ela está atingindo os veículos de interesse geral, especialmente os grandes jornais. As revistas de interesse geral vão em breve entrar na mesma crise. Mas as revistas especializadas, dirigidas a nichos e com melhor qualidade, estão indo muito bem. E a grande maioria dos veículos de economia também vai muito bem. O segredo? Esses veículos não diluíram seu conteúdo, nem procuraram o mínimo denominador comum como os grandes veículos. O grande problema é que essa onda de empresas publicando conteúdos vai bater de frente com essa imprensa “saudável”: bancos vão competir com as revistas de economia, fabricantes de calçados esportivos vão competir com revistas de fitness, cervejarias vão competir com guias de entretenimento.

Eu acho que o futuro vai ser péssimo para os veículos, mas não necessariamente para os jornalistas. Vai haver uma demanda crescente pelas empresas por conteúdo de qualidade, e jornalistas têm a formação correta para fornecê-lo. Pode ser que o futuro emprego de muitos jornalistas seja numa agência de publicidade ou em uma produtora de conteúdo especializado. Foto: Izilda França

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

WebExpoForum cria premiação para melhores cases com conceito web 2.0 de 2009: vencedores serão escolhidos por internautas



Há pouco mais de uma semana, este blog vem divulgando, apenas com o banner e os pios do meu twitter, ambos à direita, o evento Web Expo Forum, promovido pela Converge Comunicações e um dos mais disputados eventos de internet do País.

Isso quer dizer que, pela segunda vez consecutiva, os leitores daqui poderão acompanhar as tendências para o mercado sobre o futuro da internet e as experiências de sucesso compartilhadas por profissionais brasileiros e internacionais que vão se apresentar em sua 4ª edição – notadamente com foco sobre #midiassociais, #comunicação e #tecnologia.

Este ano, duas novidades devem sacudir o último andar do Shopping Frei Caneca – no Centro de Convenções, em São Paulo, onde, de praxe, o evento é realizado, novamente de 17 a 19 de março: uma delas é o Prêmio Converge de Inovação Digital, uma sacada de mestre da Diretoria da Converge, porque se trata da primeira vez em que o mercado vai homenagear as campanhas publicitárias e iniciativas que mais se destacaram com o conceito web 2.0 em 2009. A segunda boa nova é ainda mais bacana, porque incentiva empreendedores a se lançarem no mercado, É o Pitching para empresas Start-Ups.

O Prêmio Converge de Inovação Digital

As inscrições para concorrer ao prêmio terminaram em 10 de fevereiro e envolveram as categorias “Comunidade/Rede social”, “Música”, “Cultura”, “Game”, “Interatividade com mídia”, “Mobile marketing”, “Mídia”, “Empreendedorismo”, “Educação”, “Projetos sociais”, “Governo digital”, “Corporativo B2C”, “Corporativo B2B” e “Varejo digital”. Um prêmio especial, englobando todas as categorias, que a empresa chamou de Grand Prix, foi criado, assim como a melhor agência digital também será contemplada.

O júri é formado por gente da área, responsável pela escolha de três melhores de cada categoria. Agora, quem vai dar a palavra final serão os internautas – numa espécie de #BBB ao contrário, porque aqui, o voto é para escolher os preferidos. A data limite é 10 de março.

A lista dos vencedores será divulgada durante o primeiro dia de atividades no Web Expo Forum e os premiados vão receber troféus e diplomas, além de terem seus trabalhos divulgados nas disputadas publicações da Converge Comunicações (TI Inside, Teletime e Tela Viva).

Pitching

Para incentivar o crescimento das empresas em começo de atividades (as start-ups), o Web Expo Forum também terá um pitching inteiramente dedicado aos participantes que queiram apresentar a executivos do segmento ideias e projetos com soluções 2.0. Funciona assim: empresas ou profissionais poderão submeter um projeto, que deve ser inédito e estar ainda em desenvolvimento. Os interessados devem se inscrever até o dia 5 de março. A apresentação será no dia 19, quando o(s) apresentador(es) terá(ao) cinco minutos para fazer a defesa oral de sua ideia. Ao término, o júri já escolherá o vencedor.

Vale a pena conferir as informações sobre o Prêmio Converge de Inovação Digital e o Pitching Web Expo Forum, disponíveis no site oficial do evento: Até porque, lá também estão sendo atualizadas as informações sobre os figurões, as palestras e as participações especiais.

A partir de hoje, o blog Mosaico Social abre seu espaço para material exclusivo sobre o evento – pelo menos até ele começar. Aguarde em breve e se quiser, comente! (Foto: nem1e99.files.wordpress.com/2009/04/internet1.jpg)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Justiça permanece cega, o samba do Jornalismo continua doido. O resultado? Grupo de Acesso!



A Justiça se não é cega, usa antolhos e, neste contexto, as mídias sociais são realmente incríveis. Porque nos abre uma infinidade de possibilidades antes nunca pensadas. Mesmo para gerar este post, elas me provaram isso.

Uma das coisas que mais me fascina neste universo virtual sem "fundo" é a capacidade de a gente encontrar informações complementares e ainda mais ricas para qualquer tipo de conteúdo; pode ser um post, um workshop, um vídeo, um trabalho escolar, uma vídeo-aula, tudo isso junto ou apenas ... uma foto.

Pois bem: estava atrás de uma imagem que pudesse impactar este post. E me deparei com o blog que a publicou. Para dar o devido crédito - ossos do ofício - li o texto ao qual ela estava atrelada e achei-o interessante a ponto de procurar saber quem era seu autor. Em seu perfil, ele explica os motivos pelos quais se mantém sob codinome.

Como as mídias sociais têm este poder inexorável de agregar e até porque havia um pedido, diante da similaridade dos conteúdos resolvi fazer do crédito da foto o próprio vídeo que divulga o blog. Quem tiver o interesse de assisti-lo vai perceber o quanto ele é simples e bem feito. Em nada panfletário, é cabível a cada um de nós, mas nem jornalista, nem profissional de comunicação; apenas cidadão.



Somos todos vítimas desta Justiça cega, trôpega, falha. Uns individualmente, outros coletivamente. Do mesmo lado, políticos inescrupulosos e empresários gananciosos. Do outro, nós, a maioria - que à época das mídias tradicionais era manipulada, dirigida para resultados já ensaiados ou escolhidos. Algo como aquela matéria pronta para a qual o repórter sai da Redação para a rua apenas para conseguir a fonte que apenas ratifique toda uma tese de uma conspiração que vire capa da semana.

Quem não viveu "aquela época", pode ter uma ideia com as edições da rede aberta do #BBB - aquela que você não paga. Não vou falar nada - faça você mesmo a experiência de ver um programa editado e trocar um "dedinho de prosa" com quem paga o programa... e "sinta a diferença".

Antes que alguém me acuse de incitar meus parcos leitores sobre "teorias da conspiração" de passado ou presente, sejamos otimistas, como reza a nova era - na qual, diga-se de passagem, eu creio - da qual comungo.

Vamos procurar crer que no aniversário de 50 anos de Brasília, seu primeiro político foi preso (e ainda, durante o Carnaval) não apenas para mostrar que neste Governo isso acontece, mas que isso agora será realmente Lei, que a Justiça vai começar a ver, e não apenas olhar. Quem sabe, de verdade, a gente vai, finalmente, poder usar nossa opinião e nossa palavra, por meio das novas mídias, seja nos blogs ou no YouTube, para viralizar, criar uma movimentação para fazer valer nossos direitos...

Constrangimento de Norte a Sul

Vamos acreditar que a Justiça vai rever sua própria revogação, via STF, da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão, ou vai evitar situações que soam no mínimo contraditórias, que estão acontecendo do Oiapoque ao Chuí... conforme publicou hoje o semanário Jornalistas&Cia em sua 731a. edição:

Semana passada, por exemplo, a Justiça do Trabalho de Porto Alegre concedeu liminar em Mandado de Segurança obrigando o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul a aceitar a filiação de duas pessoas não formadas em Jornalismo e a emitir suas respectivas carteiras. A direção do Sindicato classificou o fato como uma interferência indevida nas relações de trabalho, uma vez que, pela própria decisão do Supremo, não é necessária a emissão de carteira para o exercício da profissão, nem o registro. “Seria o mesmo que a Justiça obrigar a todo o jornalista com atuação no Estado a se sindicalizar, o que fere o livre direito estabelecido em Constituição”, disse o presidente do Sindicato, José Maria Rodrigues Nunes. A entidade vai recorrer da decisão.

Já em Curitiba, o candidato que passou em primeiro lugar num concurso público para o cargo de assessor de imprensa da UFPR foi impedido de tomar posse por
não ter o diploma de curso de Jornalismo. Quando foi avisado pela universidade de que não seria empossado no cargo, ele entrou com mandado de segurança, com
base na decisão do STF que extinguiu a obrigatoriedade do diploma,mas a juíza da 4ª Vara Federal negou liminar sob a alegação de que o edital do concurso exigia o
diploma específico. Também cabe recurso.

Em São Paulo, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas decidiu defender publicamente a adoção de novas regras de sindicalização e divulgou um manifesto em que reafirma lutar pela aprovação da PEC que restabelece o diploma de Jornalismo, mas ressalta que
“a função básica de um sindicato é a defesa das condições de trabalho de uma categoria profissional diante da exploração patronal. (...) Concluímos que cabe ao Sindicato organizar toda a categoria profissional tal como ela é neste momento,
trabalhando pela filiação de todos os profissionais, diplomados ou não-diplomados, que efetivamente exerçam a profissão de jornalista, unificando a categoria em defesa
dos direitos, contra a precarização e o abuso das empresas”. Para isso, a entidade deverá estabelecer quais os documentos necessários para comprovar o “exercício profissional habitual e remunerado” e exigir do Ministério do Trabalho e Emprego
clareza em seus critérios para concessão de registro profissional.

Fica aqui o pedido para que Justiça seja feita! De outro modo, o samba do jornalismo só tende a ficar mais doido. Neste e nos demais carnavais que virão. Se já está difícil manter o rebolado, haja ginga se nem nas altas esferas os cartolas se entendem! Quesito organização - Zero, nota zero!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O futuro do jornalismo impresso: que coisa mais crazy!

Senão, por que os repórteres do canadense The Globe and Mail cantariam os males da mídia impressa, como estes aqui, tendo como melodia a música "Crazy', de Gnarls Barkley?

A letra é do jornalista Siri Agrell. O acesso ao material veio por meio de um tweet do jornalista Rosental Calmon Alves, diretor do Kgnight Center of America - no qual ele dizia ter visto jornalistas chorarem por perder suas posições, mas nunca cantarem as agruras pela crise do jornalismo impresso.

O jornal - por motivos que realmente eu desconheço, não liberou mais que o link para que pudéssemos ter acesso ao conteúdo da música, realmente muito bem bolada. Mas, fica a crítica, claro! Com o crédito, minha leitura é a de que os meus "coleguinhas", deveriam ter liberado o código para que os interessados como eu (e imagino vários outros), pudéssemos anexar o próprio vídeo aqui, para um único clic. É como "funciona" a Web 2.0, que está controlando tudo, sim. E, quem quer usá-la, deve saber como fazê-lo.

Se o YouTube libera o código conhecido como e todo mundo que posta um vídeo aqui, cá e acolá, por que não o The Globe and Mail? Medo de perder o direito autoral, se seus próprios repórteres usaram a melodia de outro músico, ao criar um novo conteúdo sobre o original? Pagaram eles os royalties ao primeiro? Bem, aqui está o link para quem quiser ouvir e ler a letra da música dos repórteres temerosos quanto ao futuro do jornalismo impresso! Mesmo sendo um link, vale a pena!



http://www.theglobeandmail.com/video/singing-about-newspaper-woes/article1433246/

E, para provocar, mantém-se a pergunta sobre royalties dos colegas canadenses que se renderam eles próprios às mídias sociais, para passarem sua mensagem... E, novamente, para que pensemos sobre o futuro do jornalismo impresso, um ano depois de as mídias sociais terem realmente "explodido" os antigos modelos nos quais se baseavam os lucros daquelas mídias.

De qualquer forma, uma coisa é certa. Nos novos tempos - para viralizar uma campanha, vale tudo! Até "aliar-se ao inimigo" para passar mensagens sérias como esta que estes "coleguinhas" fizeram. E, ainda, por meio de talentos antes escondidos, quiçá até desconhecidos por uma rotina diária de mais de 10 horas de trabalho diário...

Se vai adiantar como resultado de manutenção de seus empregos, ninguém ainda sabe. Mas os jornalistas provaram, pelo menos, uma coisa. Se o The Global fechar, eles já têm como se virar na vida.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

GoogleBuzz... ou o enigma de um triângulo nada amoroso




Das duas uma - ou a espionagem industrial anda muito bem financiada, ou a orquestração de lançamentos já faz mesmo parte do jogo destes novos tempos de concorrência.

Não sei até onde vai concorrência, parceria, novidade, anúncio, furo e a mera coincidência de fatos. Primeiro foi o pio do pássaro azul, no qual, aliás, muita gente ainda não acredita, mas que continua, forte, mostrando-se firme em seu seu propósito de se tornar uma empresa de fato, inclusive ao confraternizar com seus inúmeros desenvolvedores.

Em Janeiro, a empresa Twitter anunciou a realização de sua primeira e "The Official Twitter Developer Conference", que acontecerá em 14 e 15 abril, em São Francisco, Estados Unidos. O evento, carinhosamente chancelado de #chirp, de chamar a atenção de muita gente, parece ter mexido mesmo com os brios da concorrente Google. Nem bem Fevereiro começou e esta resolveu lançar nada menos que um quase concorrente do Twitter, por assim dizer.

O Google Buzz, na verdade, é muito mais que isso - mas numa comparação tosca, tem lá suas inegáveis semelhanças, já que permite usar um espaço dentro do Gmail para twittar.

Segundo as más línguas, o Google Buzz resulta de uma "barrigada" na qual virou a "onda" do Google Wave, produto criado no ano passado que foi malentendido pelo público. Usando o Gmail - o sucesso de público e bilheteria da empresa - para "desovar várias das facilidades criadas para a onda e novidades maneiras, Google pode agora literalmente integrar ou, usando a palavra da moda, convergir, e trazer mais gente para seus canais, além de juntar plataformas e outras maneiras de se comunicar, visual e sonoramente.

O vídeo divulgado desde ontem tem sido o grande "Buzz" entre as mídias sociais! E isso é também, inegável.



Eu gostei! Como usuária do Gmail, com quase todos os atributos que o Googlelabs coloca à disposição dentro da ferramenta, eu acho que pode ser muito melhor twittar diretamente de lá, ao invés de mantê-lo minimizado enquanto uso meu hoje querido TweetDeck . De qualquer forma, tudo dependerá de quando ele será incorporado à versão brazuca (é dito que a qualquer momento e que a nós cabe apenas aguardar, já que isso acontecerá automaticamente). O que eu me questiono mesmo, é como serão as demais interações com outros twitteiros, uma característica que, acredito, ninguém até agora conseguiu superar o TweetDeck até agora, e que propicia diálogo e até discussões em grupos no Twitter, verdadeiros jogos.

Enquanto isso, na mesma hora - parece até combinado - Facebook aparece de cara nova, como os modelos de carro fazem às vezes ao final de cada ano, apenas para valorizar-se com detalhes de parachoque, coisas sem grande importância.

Mas o que está por trás de um anúncio que tem mais cara de factoide? Na verdade, as duas empresas virar manchete no mesmo dia tem a ver com uma disputa maior, que mostra o vértice de um triângulo nada amoroso.

Além de ser a maior rede social do mundo, com 400 milhões de usuários, o Facebook registrou um aumento de acessos a sites de jornais, revistas e portais, via links postados entre seus usuários de três vezes no ano passado, enquanto no Googlenews este número teria permanecido o mesmo. A indicação entre amigos parece estar tendo um efeito mais forte do que apenas a busca isolada. É aí que entra o Twitter - que valoriza, desde o início a "amizade" entre comunidades e apostando nas listas de afinidades, ratifica as indicações por nichos.

Não é nada, não é nada... pode até não ser nada mesmo - mas se você não pode com ele, alie-se e faça não a conversão, mas a convergência. De uma coisa é certa - no final, quem ganha é o usuário! (foto: martinshelio.files.wordpress.com/2009/05/1999...)