segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Haiti é aqui



Desde as primeiras matérias envolvendo a tragédia das chuvas na serra fluminense, sabia ser questão de dias largar tudo em São Paulo - onde nasci e voltei a morar faz 12 anos - e partir para o Rio de Janeiro - minha terra do coração, onde fiz questão de ter meu filho.

Sentimento parecido já havia me atingido no ano passado, quando do terremoto no Haiti. Acontece que era outro País e, por exigir burocracia, custos e decisões alheias à minha vontade, não me foi possível ser voluntária como agora. Meu desejo de ir pessoalmente ajudar aquelas pessoas restringiu-se ao envio uma pequena verba via ONG Médicos sem Fronteiras, e do abraçar fervoroso da campanha de divulgação via twitter em prol de donativos ao País mais pobre das Américas, repetindo, quase como num coro uníssono, “O Haiti não é aqui!” Ledo engano.

Como joio e trigo das lavouras, o resgate e a ajuda aos sobreviventes da maior tragédia do Estado do Rio e do Brasil, tem de tudo um pouco. Exemplos de solidariedade viram manchetes nas Tevês, mídias impressa e sociais. Mas falta muita coisa: organização das instituições políticas, um bom plano de contingência e mesmo gente com autoridade para coordenar ou supervisionar as várias atividades que, aos olhos mais leigos, parecem sem eira nem beira.

Minha ansiedade em ver donativos chegarem aos necessitados logo se transformou em frustração. Não foram poucas as cenas que presenciei em apenas dois dias de trabalho como voluntária da Secretaria do Trabalho e Assistência Social e Cidadania de Itaipava - SECRAT, localizada no centro do município pertencente à prefeitura de Petrópolis, onde trabalhamos, meu filho e eu, desde o dia 21 de janeiro.

Antes de ir para o Rio, a partir do que vinha conversando com @bdugin, o estudante de jornalismo que se tornou celebridade no twitter pelo belo trabalho realizado em Nova Friburgo, imaginava ver carros saindo em comboio dos centros de apoio para levar pequenas caixas e sacos contendo roupas e material de limpeza e higiene pessoal aos necessitados. Mas o que vi foi exatamente o contrário. Uma Kombi estacionou no pátio do CIEP, ao lado da SECRAT, de onde todos os sacos contendo material de higiene pessoal estavam sendo retirados.

Sem entender nada, fiquei horrorizada com a forma com que o material foi tratado pelos homens do Exército responsáveis pela ação. Entre sete e dez militares – fizeram uma corrente para passar os sacos até que o último jogava-os sobre uma pilha. Com a força da queda, muitos dos sacos se rasgavam e sabonetes, desodorantes, papel higiênicos iam se perdendo no meio do monte que se formava no enorme galpão. Os recrutas? Nem aí com o resultado catastrófico daquela operação mal supervisionada. Avisei, apontei, gritei, e nada. Ainda parei um senhor vestindo uma camiseta “oficial” escrito Prefeitura, o que, em tese, poderia garantir alguma ascendência. Ele dirigiu-se até a metade do caminho, mas desistiu. Nem eu, nem ele, mas, então, quem? A quem cabe a autoridade numa situação desta? E o bom senso, onde foi parar?

À primeira vista, tudo leva a crer que há uma grande união, que as forças estaduais e municipais estão coesas para o bem comum. Como jornalista, é dever apoiar as iniciativas! Mas é no detalhe que o caos é gritante, pior, grotesco, revelando muito mais que inexperiência e ineficácia. Revela um descaso e um jogo de poder que também não podem ficar no vácuo.

Quem trafega pelas ruas de Itaipava vê guardas controlando o trânsito. Os caminhões da Prefeitura jogam água de tempos em tempos para limpar as ruas e evitar que o pó da terra que desceu com as chuvas, já seca pelo sol abrasador, suba e torne irrespirável o ar. Louvável, mas é o mínimo esperado. Agora, o que dizer da falta de uma planilha de controle de escalas de voluntários como no caso do meu filho e eu? De distribuição de tarefas por aptidão, por exemplo, já que houve um esforço de cadastramento, no qual nossa profissão foi consultada? E o que falar de todo um árduo processo de separação de roupas que, após o dia trabalhado, é totalmente desperdiçado? Isso mesmo! Durante o dia, apesar de aos montes, nenhum policial, guarda ou homem do Exército controla o fluxo das pessoas que sobem e descem as rampas para os andares onde estão os donativos “trabalhados” pelos voluntários.

Meninos e crianças em férias, mulheres sem trabalho ou apenas curiosos ficam zanzando pelos andares do CIEP, entrando nas salas para saber quem é a pessoa responsável, ainda não sei se para intimidar ou com qual finalidade. Ao final do dia, depois que saímos, estas pessoas literalmente abrem os sacos de roupas separadas por gênero, tipo etc. e então “escolhem” o que querem. Como verdadeiras “aves de rapina”, roubam o que separamos e espalham sobre o chão as peças que não lhes interessam. No dia seguinte, só nos resta recomeçar o que já tínhamos feito. Tudo porque além do que já escrevi, também não há chaves nas salas ou esquema de guarda da sala para onde são transferidos os sacos de roupas.

Por tudo isso, quando fui instada a assumir uma sala, neste segundo dia, fiz questão de entregar um relatório completo de quantos sacos fechamos de cada tipo de roupa etiquetada. Assim passei o turno. O que terá acontecido depois? Não tenho ideia, sinceramente. O máximo que posso me permitir é deitar no travesseiro, achando que fiz o meu melhor pelas pessoas que, um dia, podem vir a receber as minhas, as suas e as doações de tantas pessoas que, como eu, acreditam que o trabalho que fizemos tem um objetivo maior do que servir de plataforma política e esvaziar estoques de comidas por vencer e vencidas– apenas para melhorar o marketing de algumas marcas – de pessoas desonestas.

Infelizmente, não posso me responsabilizar por este trabalho porque sou uma parte muito pequena e sem poder de uma enorme cadeia. Fui proibida de seguir com meu carro para entregar pessoalmente minhas próprias doações aos necessitados, quiçá aquelas roupas, que procurei separar como se fosse dar a meu filho. Ser voluntária no Brasil só me deu uma certeza. O Haiti é, sim, aqui! (Foto de Kevin Carter, que ganhou o Pullitzer pela imagem e, por não ter aguentado o peso de tal "sucesso", aparentemente, matou-se após o feito, conforme a reportagem em inglês daqui.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

#2011, novo ano, recomeço

"Hoje, é um novo dia, de um novo tempo, que começou".

E todos os dias, ao acordar, lembre-se de dizer... a mesma coisa! Porque "nada do que foi será do jeito que já foi um dia" e "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", ano após ano, dia após dia, sabendo que, "apesar de você, amanhã há de ser outro dia". Sobretudo "desesperar... jamais"!

E #kikoquemavercomisso? Que seja qual for a situação na qual você se encontra agora, neste momento em que lê estas mal traçadas linhas, escritas de chofre, "lembra de mim", que agora, repassa esta imagem recebida do @twigo @reginaldo_MO, via e-mail.



Com ela, reabro o blog, sem falar especificamente de mídias sociais, mas lembrando, de certa forma que - como elas - o mundo gira, a fila anda, o que é #in hoje, amanhã é #out e novas tecnologias criam necessidades que sequer imaginávamos ter dentro de nós os talentos adormecidos para propor soluções de inovação que as resolvam. #pensenisso

Um ótimo ano para você, com sucesso, saúde, serenidade, sobriedade, #sempre! :O)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Voltando à vaca fria

Nada acontece por acaso. E foi assim, por acaso, que este vídeo do René de Paula veio até mim, caindo como luva para ratificar algumas decisões - como resgatar algumas vacas frias e finalizar projetos paralisados pela distração da sociabilização em demasia nas mídias sociais - entre outras.

Acredito que o vídeo sirva, sobretudo, para alguns colegas que me procuraram com a mesma problemática abordada. Vale a pena investir um tempo para assisti-lo. #RF!

dica pra quem vende digital: o que da pra comprar? from renedepaula on Vimeo.


Com este material e mais este outro aqui post (em inglês)- cujo link #RT esta manhã dizendo que seria redundante no conteúdo e no título "Qual a coisa mais importante que você aprendeu sobre mídias sociais este ano?", se resolvesse escrever um post de fim de ano, encerro as atividades do blog Mosaico Social em 2010.

Nem tanto o céu, nem tanto o mar, fiquemos com a linha do horizonte, na qual eles se encontram e tentemos o equilíbrio de forças, com responsabilidade, honestidade, ética, visando ao bem comum de casa, do condomínio, do bairro, da cidade, do Estado, do País.

Um Feliz Natal, obrigada por ter você aqui, pelos comentários deixados ao longo do ano, e um ótimo 2011 também. :0)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vany L., hackeada e arrependida...

...mas, cada vez mais, superligada! E, aviso aos navegantes... meu tempo de mídias sociais vai diminuir, porque, como mera mortal, voltarei para as filas de banco. Eu e... de repente, grande parte da torcida do Corintians, Flamengo, Fluminense, São Paulo... e outras tantas Brasil afora... será? Com aquela cidadezinha da Itália optando por viver uma vida nos moldes medievais... do jeito que a coisa anda... quem sabe?




Poderia ser como um slogan do Olivetto. "O primeiro, a gente nunca esquece." Mas tem, mesmo, gosto do fel da violência terrorista que marca o século XXI. O da invasão total e, pior, meio consentida, porque, não importa a quantidade de blindagem que eu tivesse instalada em meu computador, eu permiti acontecer.

Ainda não sei se este será meu último post do ano, mas que sirva para exemplo de quem parou para estudar, leu, deu dicas e... errou. Com jeito de idiota, fico me perguntando, tal qual um pai (uso genérico, já que aqui, pode referir-se a uma mãe também) impotente ao ver seu (sua) filho(a) fazendo escolhas diferentes das que ele(a) por anos tão esforçadamente tentou inclutir com valores, conversas, papos-cabeça... "Onde foi que eu errei?" "Qual e de onde veio o link errado que abri, fazendo este hacker ter acesso a senhas tão preciosas?" "Que porta deixei entre-aberta?" "Houve permissividade? E se houve, o que este hacker conhece de mim a ponto de me fazer levar a abrir seu link?

Se tivesse as respostas a estas perguntas, eu não teria sido vítima. Mas, certamente, abrir links a partir de agora será atitude muito mais pensada e, via de regra, feita da forma mais complexa que houver, especialmente de gente estranha.

Aos sociólogos e psicólogos de plantão... um pedido - que estudem o fenômeno e escrevam sobre ele. Porque vou buscar referências e trabalhar em dicas. Se não aprendi por amor, mas pela dor, posso, na qualidade de formadora de opinião para quem me segue, escuta ou lê, no mínimo, por questão de compromisso, mais do que repassar a experiência, informar sobre como evitar cair na armadilha.

Por hora, fica apenas o alerta de que:
Não se deve aceitar provocações (seja sobre futebol, política ou o que for.
Muito menos, sem pensar, abrir links para cair num buraco negro que, inicialmente possa parecer apenas uma brincadeira de momentum. É aí que o bicho pega.
Manter seu computador blindado com o anti-vírus atualizado e fazer DIARIAMENTE uma atualização dos pacotes anti-vírus é fundamental. Procure, pouco antes de desligar a máquina, colocá-la para a checagem completa do sistema... Antes das mídias sociais uma vez por semana era suficiente, mas agora, é questão de vida ou vida.
Vale categorizar seus amigos no Facebook, sim, e saber quem tem acesso a informações suas sobre endereços, telefones, e-mails e outros dados que podem ser interessantes para alguns, mas muito pouco relevantes para a maioria.
Focar no que você posta nas redes e evitar abrir demais sobre sua vida pessoal, o que é default, mas nunca demais repetir.

A lista pode ser ainda mais extensa, mas acho que estes já são cuidados eficazes. Numa era em que tantos aplicativos trocam informações suas entre si, a privacidade foi literalmente para o escambau, se a gente não se cuidar, ninguém o fará por nós... é como marketing pessoal, só que... ao contrário. :S #weirdo! Você alguma vez imaginou ter que fazer isso o tempo todo? Fica a provocação...

(imagem retirada do site: http://www.bramjnet.com)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Einsten, o #twitter e a estupidez humana ...

que leva à dor e a delícia de cada um ser... o que é

O twitter reflete o lado Dr Jekyll e Mr Hyde de quem não consegue lidar com a autenticidade, a energia, a honestidade e a cara limpa dos outros.


Sempre haverá polêmica. Micro ou macrocosmo? Cada leitor que responda por si mesmo, segundo sua vivência. Sim, este post é uma provocação.

Se integrante de um espaço cibernético infinito, é macrocosmo. Mas, como uma de tantas outras ferramentas e ela mesma uma rede de relacionamento, interação, integração e informação, troca midiática que a difere de tantas outras, micro, certo? Completa... #relatividade!

Dentro ou fora da rede, imagino tal qual literalmente criança, o físico e humanista alemão Albert Einstein (14 de março 1879 – 18 de abril 1955) fazendo das suas e mostrando seu linguão ao usar e abusar de sua teoria para – com gosto - fazer novos experimentos e certamente dar, nele mesmo, #RTs a várias de suas célebres frases que volta e meia pululam na plataforma do pássaro azul. Exemplos não faltam. Eu já postei algumas destas. E você?

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” – tem vezes que é mesmo e... que delícia...
“A tradição é a personalidade dos imbecis.” - só por isso, fica claro que ele amaria as redes sociais, em especial o #twitter
“Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade.” –ideal para todo mundo, real ou presencial para a maioria dos piscianos, são estes os ideais de grande parte das pessoas que buscam no #twitter contatos para resolução de problemas sérios, senão de estender a mão para ajudar também.
“Se minha Teoria da Relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão e a França me declarará um cidadão do mundo. Mas, se não estiver, a França dirá que sou alemão e os alemães dirão que sou judeu.” – No #twitter é a mesma coisa. Para cada grupo de seguidores, você tem uma imagem. Tudo depende do resultado que você é capaz de gerar/entregar a cada um, individual ou coletivamente. Basta um único não e as coisas... #engrossam - literalmente. Qualquer twitteiro com pouco mais de 2 mil seguidores tem, certamente, mais de uma história sobre #troll para contar. Os mais em evidência são mesmo artistas e os queridinhos da #TL. Marcelo Tas não me deixa mentir, como o recente envolvendo a polêmica roqueira Rita Lee com os corintianos e, mais recentemente, o processo eleitoral brasileiro, que evita explicações adicionais.
“A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia.” Esta aqui... que fez com que eu escrevesse o post de hoje, é tudo. Brincando com palavras, acredito na força cósmica (a dupla #CosmoseDamiãos), mas sobretudo na interferência dos sinais emanados pelas forças do mal.
“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.” Essa, fecha com chave de ouro o raciocínio da de cima e meu pensamento sobre a certeza do conhecimento de Einstein sobre a natureza humana (como Charlie Chaplin também!) e sobre sua incrível alegria em brincar com o #twitter se vivo estivesse.

Tão bem definida e condensada em um belo filme, pela professora de mídias sociais da Faculdade Estácio de Sá, Graça Taguti, a @uhuh, a ferramenta tem de tudo o que o ser humano pode pôr dentro. É muito pó de pirlimpimpim junto. Um banho de retórica aos seus amantes.



Se para bom entendedor, meia palavra basta, como disse @renedepaula, num breve #mimimi, no qual muito apreendi – quantas entrelinhas cabem em 140 caracteres? Não são poucas – that’s for sure!

Ao refletir o universo presencial, um dos temas do recentíssimo #Twittermix que uniu twitteiros para literalmente discutir as relações que tanto encantam, aproximam, envolvem, viciam e outras ações mais nobres que têm mudado a forma de fazer o mundo, minuto a minuto dentro da ferramenta, o #twitter reflete o ser humano no que ele tem de bom e ruim; instantaneamente. Por isso ele é mais polêmico, visceral, prato cheio para a turma de RH das empresas, além de psicólogos, psiquiatras e outros especialistas das áreas sociais; muito mais que o Linked #In, local em que as pessoas lidam umas com as outras como se num constante evento corporativo, ou no Facebook, rede de viés mais fleumático nas atitudes... apenas para citar algumas.

O twitter reflete o lado Dr Jekyll e Mr Hyde de quem não consegue lidar com a autenticidade, energia, honestidade e cara limpa alheias. E esta frase não é de Albert Einstein. Poderia ser de qualquer um que tenha passado por casos de #troll na rede. E que, geralmente, foram ou são pessoas que:

1) Não têm medo de mostrar a cara nem ser quem são
2) Se expõem tal qual são na vida real
3) Se comunicam com todos, de igual para igual
4) Não têm medo do que dizem, quando e como dizem, ou escrevem, postam, piam...
5) Por fim, não escondem seus olhos por trás de óculos escuros, máscaras, avatares e, se o fizeram, foi depois de perceberem que era preciso proteção.


Guardarei os momentos a seguir com muito carinho, porque muito especiais. Depois deles, merecidas férias me esperam, especialmente depois de ter sido hackeada, trollada e, num golpe final, duramente atingida no que me é mais precioso neste mundo: a saúde de meus dois queridos; filho e companheiro, um atrás do outro. Não pretendo entrar no detalhe do assunto, apenas sua menção é suficiente. Energia negativa, magia negra, bruxaria? Seja que nome for, me fazem ver o lado cheio do copo - de novo - porque na crise sempre - acho uma saída, uma oportunidade para dar a volta por cima! Porque sou Vanyzinha 440V! E isso não é à toa também!



Passado mais um ano de estudos e vivência em mídias sociais, fica uma nova lição. Amigos são os que estão conosco não apenas no virtual ou presencial de curtíssimo prazo. Mas os que te acompanham na alegria e na tristeza, na saúde e na doença; não são nem puxa-sacos nem os sanguessugas de plantão. Que brilhem as verdadeiras estrelas. O céu está cheio delas e a #TL também. #carpeannum

(foto de Albert Einstein: http://mikaacesso.blogspot.com/2010_05_01_archive.html)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

#TwitterMix: Jornalismo em redes sociais. Informação ou Interação?

Os dois. Assim comecei minha palestra na primeira, mas certamente não última o/ edição do #Twittermix ou #ttmix2010 (o nome ainda deverá ser trabalhado, especialmente agora que o Twitter estabeleceu regras claras sobre o uso de sua marca). E, dentro deste contexto, inevitável não mencionar o precursor das redes sociais distribuídas, que pode ter descoberto uma mina de ouro só não levada adiante por falta da vontade política, mesquinhez do poder hierárquico do ser humano. Que só seria verdade depois do Manifesto Cluetrain – preconizador de algo anárquico. Falei de Paul Baran e do seu modelo de organização do Sistema de Comunicação, criado em 1964 para avisar os Estados Unidos em caso de ataque soviético em épocas de Guerra Fria. Conheci-o por meio de um dos fóruns para a Década de Cultura de Paz que integrou o livro do qual fui assistente de pré-edição, como ficou nos créditos. Foi pela voz de Augusto de Franco, que fui apresentada ao Baran e cujo texto criei para o livro da Unesco.

Despretensioso

Pensado como um informal encontro de twitteiros para discutir o encantamento que a rede provoca sobre as pessoas foi ele mesmo seu provocador ao promover interesse sobre seu conteúdo junto aos internautas conectados via ferramenta do pássaro azul, naquele 27/11/2010. Para quem se debandou para a pacata cidade de Bento Gonçalves, aquela tarde de sábado deixou marcas indeléveis. E quem não pôde ir, não teve como esconder a “inveja branca” sentida em pios vindos de toda parte do Brasil.

Durante e depois do evento, quem foi e teve a chance de twittar não escondia a satisfação de abraçar arrobas tão queridas no plano virtual que, agora, no presencial – porque real são ambos os mundos, aparte muito bem pontuado pelo jornalista José Luiz Goldfarb - pareciam amigos de longa data.

Desde a "ausência do crachá mais a divulgação, que representa o como modificamos nossa realidade ao usar o twitter", como abriu o evento um de seus idealizadores e organizadores, Afonso Escotesguy - @ochato – até seu discurso no último jantar, já no domingo de noite, no qual dedicou umedecidas e sinceras palavras a @joaocampos_ms, @esjournalist, @sandraacalasans e @veramaselli, a sua cúmplice na empreitada @rutevera e a mim, que quase não pude comparecer, mas fui por ele calma e tolerantemente persuadida, o evento deu a largada a um tipo de discussão que não tem por objetivo ser um espaço de #geeks ou #experts apresentarem tendências mundiais em tecnologia e relacionamentos visando a tornar corporações mais rentáveis ou alcançar mais visibilidade. A pretensão era apenas a de tão somente discutir uma das mais intrigantes questões que move o ser humano desde que tornou-se homo-sapiens: como se relacionar.

Lady Murphy: por isso, apenas resumo

Todos os painéis, ou sua maioria, foram filmados em streaming, graças ao esforço individual de uma das convidadas. Mas como “Lady Murphy” me tem visitado com extrema assiduidade, exatamente na minha palestra, a que abordou o envolvimento do Jornalismo em rede, o link caiu e um vácuo tomou conta da timeline, porque, coincidentemente, os twitteiros de plantão não passaram aos demais o conteúdo do que busquei trazer para a turma, apesar dos protestos – que fizeram um bem enorme ao ego, não posso negar! #prontofalei.

Para não estragar o gostinho de quero mais, apenas um resuminho

Se o Jornalismo não fosse informação e interação, não teria sido aposta do New York Times, primeiro veículo de comunicação a se lançar na internet, criar conteúdos relevantes além de simplesmente postar seus conteúdos impressos, como até hoje veículos menos arrojados ainda fazem. E isso se deu, em 1996, quando a internet começava a dar seus primeiros passos. Desde aquela época, o jornal, que hoje tem muito mais leitores – quase três milhões – via seguidores do #twitter, ao invés dos impressos – estagnados na casa dos 950 mil, já apostava em nichos de leitura.

A fidelidade de leitores foi conquistada na migração de mundos. O que falta ao NYT e à grande maioria dos veículos de comunicação no mundo virtual é chegar à equação que lhes permita faturar. E, vale frisar: cada um encontrará seu modelo de negócios, porque o que vai dar certo para um, não necessariamente será receita de sucesso para os demais. Tudo vai depender da forma como cada um vai se relacionar com seu público.

Como já postei no #twitter inúmeras vezes, mencionei minha crença no sucesso da linguagem #HTML5, trazida pela Instapaper. Ela permite baixar e armazenar páginas de web para leitura posterior. Isso se deve ao aparecimento de leitores como Kindle, Ipad e outros brinquedinhos do gênero, como o que eu vou pedir ao Papai Noel (isso, obviamente não mencionado na palestra, mas a @remozer e eu queremos – o tablet Galaxy 3G) vem como resposta ao fim da ditadura do jornalismo drops e, sem dúvida, é um alento especial para coleguinhas da minha geração! ;o).

Como só tinha 20 minutos, não deu para falar muito além de citar o crescimento do jornalismo-cidadão e do crowdsourcing como novos modelos de jornalismo social, voltados à cidadania e outras iniciativas de jovens de todas as partes do mundo; no mais, passar o vídeo abaixo, obviamente muito bacana, já que tratou de trazer os jornalistas até o evento, dizendo para os presentes o que o twitter significa para eles - atuantes e praticantes.



Com isso, fechei minha singela participação neste primeiro #Twittermix ou #ttmix2010, feliz porque os comentários à boca pequena foram D+, revelando, sobretudo, que, ao final das contas, o dever foi cumprido. :D Depois... bem, depois, foi só festa, digo, relacionamento... no virtual e no presencial, ambos, realidade telúrica, mesopotâmica, deliciosa, poderosíssima ou simplesmente... humana!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Digital Storytelling


Uma forma de juntar as facilidades das novas mídias para embalar o passado em humanas e sensíveis histórias


Inevitável sucumbir à inspiração de criar uma história sobre si mesmo, sua família, seu bairro, a comunidade, a cidade, a escola ou mesmo o novo grupo de twitteiros que se juntaram em uma confraria tão unida como já não se via há muito, desde que o individualismo aninhou-se entre todos de forma avassaladoramente só. E tudo isso sob uma ótica romântica, sensível, se não ainda com um final feliz depois de período de enormes dificuldades, semeando o crescimento.

Difícil não sair inebriada de ideias e querendo tirar do baú histórias ou transformar aquele livro de contos em um formato transmídia para torná-lo finalmente, concreto. Um evento que tenha tido como palestrante Joe Lambert, fundador e diretor do Center of Digital Storytelling, para falar sobre o que é e como fazer esta "Contagem de histórias digital", é, simples e totalmente causar tudo isso.

Texano de forte sotaque, Lambert foi quem criou o método que propõe o uso de mídias digitais nos processos de registro e criação de narrativas orais, sejam individuais ou coletivas – quer dizer, para pessoas ou empresas. E casos reais existem com assinaturas da Hewlett Packard, Apple Computer e Procter and Gamble, para citar algumas.

Co-organizador e curador de diversos festivais e conferências sobre storytelling digital em todo mundo e com formação em Teatro e Ciência Política, Joe Lambert esteve na manhã de hoje em São Paulo, contando histórias e ensinando também uma plateia formada por profissionais de Comunicação Corporativa, RH e jornalistas a fazê-lo durante o 1º Seminário Internacional de Storytelling. A iniciativa resulta do envolvimento entre a Associação Brasileira das Empresas de Comunicação - Aberje, (que postou já sobre o assunto) a Escola de Comunicações e Artes da USP - ECA, o Espaço Memória Votorantim e o Museu da Pessoa.

Por meio de um convênio de parceria, eles realizaram o evento cujo título foi "Como as histórias estão transformando os negócios – Fórum permanente de gestão do conhecimento, comunicação e memória", mas poderia ser ainda, “Como as histórias podem te transformar; aqui e agora”. O grupo de entidades prevê a organização de uma série de seminários internacionais do gênero, que deverão juntar empresas, fundações, acadêmicos e instituições de referência nos temas abordados para discutir o valor das histórias como fonte de conhecimento para as empresas. Com isso, eles devem promover a reflexão sobre a história do desenvolvimento do país e fomentar o surgimento de linhas de pesquisa que enfoquem as histórias de vida nesse processo.

Mas, o que vem a ser Storytelling?


Para quem não teve a oportunidade de estar no evento, achei que seria mágico OUVIR Joe Lambert. E como a internet é um grande oráculo, basta fazer a pergunta certa e voilá para o que você está procurando.

No podcast a seguir, passados os minutos iniciais, depois de apresentado, Joe Lambert repete o conceito de Digital Storytelling que revelou a uma plateia numerosa, interessada, questionadora e participativa, no auditório do Espaço Memória Votorantim.



aperte aqui

A prática

Depois do meu primeiro ano de estudo das mídias sociais, em que a tônica foram as novidades em ferramentas, participar de eventos ligados ao que as novas mídias vêm proporcionando de mudança no nosso cotidiano tem sido uma experiência única e espetacular.

Na vivência do fórum de hoje, Lambert usou para sintetizar o conceito de Storytelling um filmete de não mais de três minutos, elaborado por ele próprio. Os recursos não foram caros; apresentação em Power Point, fotos de família, algumas em PB sobre fundo brando e mensagens escritas gentilmente em inglês e português. Enquanto isso, ao fundo, sua voz propositalmente empostada contava sua história, tendo também, ao fundo, uma doce melodia. A ela cabia emoldurar o conflito pessoal sobre a questão do uso da bebida pelo filho. Algo que por gerações abalou toda a família Lambert. O pai de Joe foi alcoólatra e conseguiu superar a doença; seu irmão, sem tanta sorte, feneceu. E, agora, era a vez dele viver este conflito com seu filho, também Joe.

“O mundo é Storytelling e sempre foi. O que a internet pode ter causado num primeiro momento foi fazer todos escreverem sobre qualquer coisa, mas se as pessoas focarem no que é importante e significativo, há o que contar e o que passar como mensagem real, que faça sentido historicamente, de valor, que sirva para o futuro das gerações”, disse Lambert.

Para Lambert, independentemente da área de interesse, as plataformas para se contar histórias, como TV, internet e dispositivos móveis proporcionam inúmeros formatos correlatos – o que ele denominou de transmídia. O que importa é que as histórias sejam baseadas numa abordagem – que envolve quatro pilares – ciclo da história, seus elementos (da narrativa), a produção em si e, para corá-la, a celebração. Quanto às aplicações do Storytelling, são várias. Além da criatividade e voz pessoal – porque permite que qualquer pessoa possa criar a sua, promove mudança social e engajamento cívico; envolve educação e tecnologia e pode ser usada na Comunicação Corporativa.

Desde que criou seu método, Joe Lambert vem implantando suas oficinas em empresas para valorizar os conteúdos que realmente valem ouro em empresas, famílias, acervos de entidades, porque, de fato, com a informação tendo virado commodity, as pessoas perderam o foco sobre o que realmente é importante e essencial.

Como fazer o Storytelling? Os elementos são:

Uso de imagens
Música de fundo
História na primeira pessoa do singular
Início, meio e fim para cada história
Mensagem final
Música aumenta no final


Mas, e o conteúdo? É necessário:

Coletar idéias com todos os stakeholders envolvidos
Criar estória ou ciclos de histórias dentro da maior narrativa
Refinar os roteiros para servir a um propósito
Criar um vínculo emocional
Estabelecer intimidade
Evitar a linguagem emocional – mas mostrar os sentimentos


O Momentum – identificar a cena que melhor captura o significado e fazê-la trabalhar para atingir a emoção que vai capturar sua audiência

Depois, é importante que você ouça sua história para, então, compartilhá-la. E, para isso, vem a parte da montagem, quando entra o Digital... "Geralmente", diz Lambert, "o primeiro rascunho deveria vir como é, no papel, como um copião. Só depois é que se pensará nas mídias que serão usadas para sua divulgação. Porque as histórias conectam uns aos outros são. Mas mais importante é que elas conectam diferentes partes de nós mesmos", completou.