Mostrando postagens com marcador compromisso com leitor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador compromisso com leitor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Twitter é jornalístico! (*)



(*este texto foi originalmente escrito para o blog Mídias Sociais, para o qual fui convidada a escrever todas as sextas-feiras)

Muitas pessoas ainda têm o pé atrás com as mídias sociais e, na esteira dessa desconfiança, com o pio do pássaro azul que eu, particularmente gosto e uso cada vez mais como referência diária de leitura jornalística.

Mas quando se fala em desconfiança, deve-se deixar claro que esta ainda reside no fato de que pela 1ª vez – não na história deste País, como gosta de divulgar aos quatro ventos em um bordão já manjado o nosso Presidente, mas – na história da humanidade – as pessoas começam a finalmente entender a diferença entre notícia e propaganda, entre visibilidade jornalística e os resultados de uma exposição de marca gerados com uma ação de marketing – o famoso ROI, ou seja, o retorno sobre o investimento.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Esta era uma das explicações que, como assessora de imprensa sempre tive que “ensinar” aos clientes potenciais. Costumava usar aquela imagem clássica do emissor, mensagem e receptor, explicando o meu trabalho de intermediadora, mas sempre e desde que de um fato de interesse público.

Uma vez como jornalista – e primeiro crivo daquele fato merecedor de um trabalho de divulgação para o tal público, por entender de interesse para sua comunidade e, portanto, passível de virar notícia –, eu o trabalharia para que, com cara de notícia, este fato viesse a ser resultado em vários tipos de mídia. No decorrer da explicação, havia a observação sobre o cliente ou eu não termos qualquer controle sobre o tamanho, a data de divulgação e mesmo se o resultado sairia, em função de variáveis independentes de nossa vontade, ainda que pudéssemos sugerir números adicionais em tabelas, fotos e imagens, sempre com a intenção de agregar valor ao material principal e espaço ao resultado final. Diferentemente, a propaganda era o playground do cliente, de total controle do emissor da mensagem, porque paga em seu tamanho, conteúdo, número de página, cor etc..

As mídias sociais

Do ponto de vista do Marketing, as mídias sociais vêm-se aprimorando cada vez mais em casos de sucesso, revelando aqui e acolá como reverter ações em resultados que impliquem visibilidade e resultado. São promoções-relâmpago, pesquisas de fidelização com premiações, uma série de bons exemplos que aos poucos, vem formando um bom porfolio para agências e um novo jeito de se fazer negócio via web 2.0. E o jornalismo?

Este definitivamente não pode mais viver sem as mídias sociais. E, na opinião desta modesta representante da classe, sem o twitter. Se existe um nicho ao qual o passarinho azul encontrou seu lugar foi, sem sombra de dúvida este aqui. Senão vejamos:

• É mancheteiro de primeira qualidade; ganha o leitor quem fizer a melhor manchete nos 140 caracteres disponíveis, já com link e tudo para o corpo da matéria que se pretende lida;
• Já “furou” as mídias tradicionais em vários momentos; desde o episódio da divulgação da filmagem que postou o tiro fatal da moça que, como centenas de pessoas, caminhava num protesto pacífico contra a eleição do presidente do Irã, até a morte do cantor por Michael Jackson, passando por outros locais, como o caso do PCC em São Paulo e tantos outros;
• Tem praticamente todas as instituições de ensino de todos os graus e localidades, de Governo e as mídias mais importantes do mundo representadas nele e, portanto, twittando suas principais notícias e fatos.
Com toda esta gama de variedade de fontes diretas à disposição, como não ser jornalista e adepta aos ecléticos pios do pássaro azul?


Apenas para complementar – No último dia 22 de janeiro, o site TheNextWeb.com divulgou uma experiência muito bacana. Numa fazenda francesa, cinco jornalistas seriam confinados por cinco dias com computadores que terão acesso apenas ao Twitter e ao Facebook como fontes para suas matérias.

O objetivo era testar a qualidade das reportagens geradas a partir das fontes de informação, consideradas as queridinhas das mídias sociais, e saber até onde elas realmente representavam uma ameaça às mídias tradicionais. Meu sentimento é o de que deve ter saído muito material bom (confesso que ainda não vi o resultado disso, até porque acredito no jornalismo colaborativo e no compromisso com o leitor!), sim – porque falar em ameaça é sempre acreditar que há "forças ocultas" regendo o universo.

Prefiro crer que a pluralidade é o grande barato na convivência entre seres humanos e suas ferramentas de trabalho. Há espaço para todas as tribos e todas as formas de trabalho. Por que apenas não aceitar que o mundo progride e adaptar-se às novidades? Temos é que deixar de ver as coisas pelo lado maniqueísta, isso sim – e, no final das contas – correr para o abraço e contar as vitórias que cada uma das diferentes formas de se fazer notícia, negócio, branding, Marketing, whatever name it receives nos faz alcançar!
(Imagem de Mike Keefe: http://www.intoon.com/cartoons.cfm/id/68559 - published in 03/03/09)

quarta-feira, 11 de março de 2009

O derretimento do jornalismo nos Estados Unidos I


Há pouco menos de um mês, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma matéria do jornalista Walter Isaacson, ex-editor da revista Time e atualmente presidente do Instituto Aspen, intitulada Como salvar os jornais (e o jornalismo). Na verdade, era um artigo baseado em uma palestra do autor na Universidade de Riverside Califórnia, na qual ele fez um paralelo entre as transformações tecnológicas e o futuro – já presente - do jornalismo nos Estados Unidos. Algumas frases desta reportagem são sintomáticas e já realidade no Reino Unido, segundo comentou um amigo, que costuma ... ah, não posso contar, ainda... leia e antes - vale a pena.

“Durante os últimos meses, a crise no jornalismo atingiu proporções de derretimento. Agora é possível contemplar num futuro próximo uma época em que algumas grandes cidades não terão mais seu próprio jornal e as revistas e redes de notícias empregarão apenas um punhado de repórteres.”

Nesta aqui, ele parafraseia o Ricardo Gandour - Diretor de Conteúdo do Grupo Estado, num encontro patrocinado pela BM&F, no final do ano passado, o qual cobri, para a Mega Brasil, realizadora do evento: “Há, no entanto, um fato chocante e algo curioso a respeito desta crise. Os jornais têm hoje mais leitores do que nunca. O seu conteúdo, assim como o das revistas de notícias e de outros produtores do jornalismo tradicional, é mais popular do que jamais foi - até mesmo (na verdade, especialmente) entre o público jovem.”

“Nos Estados Unidos, as notícias gratuitas disponíveis na internet foram mais procuradas do que os jornais e revistas pagos que publicavam o mesmo conteúdo.”

“Quando a publicidade eletrônica entrou em declínio no último trimestre de 2008, o futuro do jornalismo parecia ser gratuito assim como um penhasco íngreme é o futuro de um bando de lemingues.”


“Tradicionalmente, jornais e revistas contam com três fontes de receita: as vendas nas bancas, as assinaturas e a publicidade. O novo modelo de negócios fia-se apenas na terceira dessas fontes. O resultado é uma cadeira de um pé só, de equilíbrio sempre tênue, por mais forte que esse pé seja. Quando o seu apoio fraqueja - o que incontáveis editores viram ocorrer como resultado da recessão - a cadeira não pode se manter de pé.”

“Nas últimas semanas, testemunhamos o fechamento completo de uma série de jornais locais, vimos a Tribune Company (dona do Los Angeles Times) pedir concordata, a Lee Enterprises ser retirada da lista da Bolsa de Valores de Nova York e o anúncio de uma nova rodada de demissões de fim de ano na Gannet e em outras empresas, reduzindo sua força de trabalho em 10% ou mais.”

“Henry Luce, cofundador da revista Time, desdenhou da noção das publicações gratuitas que dependem apenas da receita proveniente da publicidade. Ele chamou esta fórmula de "moralmente repugnante" e também de "economicamente inviável e derrotista". Isso porque ele acreditava que o bom jornalismo exigia que o compromisso primário de uma publicação fosse com os seus leitores, e não com os seus anunciantes.”

“Num modelo em que a única fonte de renda passa a ser a receita publicitária, o incentivo é perverso. Ele é também inviável e derrotista porque, afinal, o elo de uma publicação com o público leitor vai definhar se ela não sentir que a sua renda é diretamente dependente desse público. Os jornais acabarão produzindo vários cadernos especiais sobre decoração e jardinagem, coisa que desejam os anunciantes, e terão de se livrar dos cadernos de resenhas literárias, como já fizeram o Los Angeles Times e o Washington Post.”

“Estamos testemunhando esta quinzena final do jornalismo e suspeito que 2009 será lembrado como o ano em que as organizações jornalísticas perceberam que novas rodadas de cortes de gastos não podem afastar indefinidamente o carrasco.”

Engana-se quem pensa que o artigo acaba aí ou é apenas derrotista. Na verdade, Walter Isaacson dá sugestões de como veículos de comunicação podem sair desse final apocalíptico e cita exemplos de como algumas publicações estão se “virando” para dar a volta por cima. Mas, como eu quero conversar com alguns editores aqui, para trocar um dedo de prosa, quem sabe saber se este modelo pode pegar aqui, e para não me estender demais neste espaço, vou deixar apenas as frases que achei mais relevantes neste importante momento de discussão sobre o diploma, o futuro, as habilidades e o perfil do novo profissional do jornalismo.

Num mundo em que as tecnologias atravessam não somente as redações e nos atingem, profissionais, mas antes de nós, aos donos das publicações, com novidades desconcertantes para a manutenção de um modelo de negócio que deve ser repensado diariamente, vale a pena saber como esta discussão está sendo conduzida lá fora. Ou não? Para quem quiser ler a matéria toda - ela saiu no domingo, dia 15 de fevereiro. Mas o endereço completo, somente no próximo capítulo!
(Foto e biografia em http://www.events.ucr.edu/cgi-bin/display.cgi?event_id=28786